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10 de maio de 2016

Como atender consumidores que querem “comprar tempo”


O ritmo acelerado da vida moderna, com mais horas dedicadas ao trabalho, deslocamentos diários e tempo de espera prejudicam as horas livres dos brasileiros. Segundo pesquisa realizada pela Mintel em 2015, 24% dos entrevistados declararam ter menos tempo de lazer agora se comparado há um ano. O problema é mundial e está moldando um novo perfil de consumidor, o “comprador de tempo”.

Conforme identificou o relatório Top 10 Global Consumer Trends for 2016 realizado pela empresa de pesquisa internacional Euromonitor, eles são ávidos por novidades em produtos e serviços que os ajudem a economizar esse bem tão escasso e estão dispostos a pagar mais por isso. Nos últimos anos, a tendência foi acelerada pelos meios digitais, principalmente o e-commerce (aumentando por consequência as pesquisas no Google e outros buscadores online) e os aplicativos de serviços como os de compra de ingressos, táxi e comida delivery.

Para atender o comprador de tempo, empresas que perceberam a tendência estão desenvolvendo novos produtos ou adaptando os existentes às novas necessidades. A varejista de e-commerce norte-americana Amazon, por exemplo, incluiu uma lista de restaurantes delivery com entrega até uma hora em seus serviço Prime. No Reino Unido, a rede de varejo Argos fez um estudo para alterar a sinalização das ruas em frente ao seu shopping center depois constatar em uma pesquisa a insatisfação dos clientes em relação ao trânsito para chegar ao local. Nos EUA, pessoas que moram nos subúrbios de grandes cidades podem usar apps como o HoteslbyDay para encontrar quartos disponíveis para um dia ou pernoite com desconto e aproveitar para “esticar” a noite no centro sem ter de enfrentar o trânsito. Para atender as pessoas que não tem tempo de entrar em contato durante o horário comercial, empresas como a UPS, United e Netflix disponibilizam serviços de atendimento ao consumidor via Twitter funcionando em 24/7 (24 horas, sete dias por semana), com resposta em até 1 hora.

No Brasil, a pesquisa da Mintel identificou que 30% dos consumidores das classes AB, 21% da C e 15% das classes DE estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços que os façam economizar tempo. O estudo revelou também algumas oportunidades a serem exploradas, entre elas:

43% dos pesquisados não tem tempo para praticar atividades físicas regulares;

21% dos homens tende a organizar seus horários e atividades para fugir do trânsito;

38% das mulheres não tem tempo para ir a um salão de beleza com a frequência que gostariam para manter a aparência em dia;

21% das consumidoras das classes AB dão preferência a produtos de beleza multifuncionais, de rápida aplicação.

Além de atender a uma demanda crescente, satisfazer esse perfil de consumidor possui outra vantagem. Entusiastas dos produtos e serviços que os ajudam a ter mais tempo livre retribuem com fidelidade e propaganda boca a boca.