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9 de março de 2016

Consumidor descrente é desafio do marketing em tempos de recessão


A popularização do acesso à internet, acelerada na última década pelo uso dos smartphones, vem moldando um novo perfil de consumidor. Hiper-conectado, com grande variedade de ofertas e múltiplas oportunidades de comparar preços à disposição, ele é bastante zeloso em avaliar o que compra e já perdeu a fé no discurso simplista da propaganda tradicional. É o que o estudo 10 Top Global Consumer Trends 2016 da empresa de pesquisas internacional Euromonitor chama de consumidor agnóstico ou, traduzindo para o bom português, consumidor descrente.

Ele não está nem aí para o status ou glamour das marcas. Ao mesmo tempo em que vasculha lojas à procura de ofertas de produtos de qualidade (e não somente ofertas), o que valoriza é ser surpreendido por inovações que facilitem a sua vida. Não procura por grifes famosas (aliás quanto mais desconhecida a marca melhor, pois aumenta a sua satisfação de descoberta) e também não tem o menor pudor em substituir a marca preferida por outra se isso lhe for conveniente.

O consumidor descrente não se interessa por grifes famosas. Aliás, quanto mais desconhecida a marca melhor, pois aumenta a sua satisfação de descoberta.São ávidos usuários de sites de pesquisas de compras e entusiastas de novos aplicativos de serviços, como Easy Taxi, Air BnB e Ifood. Também adoram compartilhar suas experiências e avaliações, sendo portanto importantes propagadores.

Adequar-se ao novo perfil não é uma opção mas um diferencial, já que os descrentes tendem a aumentar ainda mais com a recessão econômica. Envolve, em primeiro lugar, gerar valor para a marca com base em serviços que efetivamente resolvam problemas dos clientes, proporcionem experiência satisfatória de uso e tenham um propósito facilmente identificado e que os consumidores possam se identificar.

Feito para você

No Brasil, o Itaú é um exemplo de empresa que vem se adaptando ao perfil do consumidor descrente. Ao invés de promover suas agências (quem gosta de ir ao banco, qualquer que seja?), a empresa investe em serviços que possibilitam justamente o oposto: seus clientes podem utilizar praticamente todos os serviços pelo telefone, computador e mais recentemente pelo celular, sem precisar sequer passar perto de uma agência. E o slogan “feito para você” deixa bem claro o seu propósito: poupar o seu tempo para dedicar a coisas mais interessantes.

Em segundo lugar, é preciso marcar presença nos meios digitais. Pesquisa recente do Google revelou que os consumidores visitam em média dez sites antes de fazer uma compra e que em torno de 50% das vendas em lojas físicas são pesquisadas e escolhidas antes na internet. Sem uma estratégia definida para divulgar, localizar, experimentar, avaliar e compartilhar em PCs, celulares e tablets, sua marca, empresa e produto não existem.