Notícias locais

19 de novembro de 2020

Confiança do empresário do comércio segue em alta, mas com desaceleração


Icec de novembro indica ritmo de crescimento menor, influenciado pela redução do valor do auxílio emergencial e pressões inflacionárias

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cresceu 4,1% em novembro e alcançou 108 pontos, permanecendo no patamar de otimismo (acima de 100 pontos) pelo segundo mês consecutivo. No comparativo anual, houve queda de 11,9%. O indicador segue se recuperando após a mínima histórica em junho, mas a taxa de variação mensal é a menor registrada desde agosto. A confiança do comércio ainda está 20 pontos abaixo do nível pré-pandemia.

De acordo com o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a redução do valor do auxílio emergencial e pressões sobre os preços, principalmente de produtos essenciais, têm influência na desaceleração do crescimento. “As perspectivas são favoráveis para o desempenho do varejo no último trimestre, em função do incremento no faturamento com as festas de fim de ano, ainda que com valores menores dos benefícios emergenciais e inflação dos alimentos”, afirma Tadros, ressaltando que a queda dos índices de isolamento social contribui positivamente para a recuperação do setor, assim como as vendas pelo comércio eletrônico.

Os principais subíndices do Icec registraram evolução, com destaque para aquele referente à satisfação dos comerciantes com as condições atuais (+10,4%), que chegou a 78,6 pontos – o quarto avanço seguido. O indicador, contudo, ainda está 19,3% atrás do nível verificado em novembro de 2019. Especificamente em relação à economia, os empresários do comércio se mostraram 11,3% mais satisfeitos do que em outubro – item com o maior crescimento mensal entre todos os analisados pela pesquisa.

O indicador que avalia as expectativas no curto prazo – o único acima dos 100 pontos – avançou pela quinta vez seguida (+1,3%), alcançando 150,7 pontos e indicando que os comerciantes estão otimistas para os meses à frente em relação à economia (+1,2%) e ao desempenho do comércio (+1,1%) e da própria empresa (+1,6%).

Intenção de contratar volta ao nível pré-pandemia

O índice que mede as intenções de investimento acumulou o quarto aumento mensal consecutivo (+3,9%), chegando a 94,6 pontos. A intenção de contratação de funcionários foi um dos destaques, subindo 4,6%, chegando a 125,6 pontos e retornando ao nível pré-pandemia. “Impulsionada pela proximidade das festas de fim de ano, a intenção de contratar pelo comércio avançou em todas as regiões do País”, destaca Izis Ferreira, economista da CNC. A proporção dos comerciantes que pretendem aumentar o quadro de funcionários aumentou de 65%, em outubro, para 72,4%, em novembro.

Situação dos estoques ainda não normalizou

O indicador dos estoques foi o único entre os componentes da pesquisa que registrou queda mensal (-0,6%) – a segunda consecutiva. Entre agosto e setembro, o índice havia apresentado a primeira melhora em sete meses, o que não se sustentou. Segundo Izis, a proporção de comerciantes com estoques acima do adequado cresceu durante a pandemia. O fechamento das lojas nos segmentos considerados não essenciais tornou os estoques obsoletos em grande parte dos estabelecimentos do comércio no País e, mesmo com o aumento das vendas pelos canais digitais, a restrição ao fluxo de pessoas para conter a disseminação da covid-19 oprimiu as vendas físicas. “Para se ajustar às mudanças e atender à demanda na atual conjuntura, a indústria e o comércio estão reorganizando a produção, buscando novos fornecedores e revendo o portfólio de produtos. As empresas estão no processo de ajuste dos pedidos, o que tem influenciado a rotatividade e a normalização dos estoques”, explica a economista da Confederação.

Voltar para Notícias