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1 de julho de 2021

Empresários de SP estão mais otimistas com os negócios


Indicador de confiança da FecomercioSP marcou 90,6 pontos em junho, superando o registrado em igual mês de 2020, mas longe do nível pré-pandemia, de junho de 2019 (117 pontos)

Costuma-se dizer que o mundo dos negócios gira em torno de expectativas. E como elas estão em meio a uma pandemia que já passa de um ano?

Levantamento da FecomercioSP revela que um grupo de empresários paulistanos está mais otimista em relação às vendas, investimentos e contratações.

Em junho, o Índice de Confiança do Empresário do Comercio (ICEC) atingiu 90,6 pontos, uma alta de 8,1% sobre o indicador de maio (83,8 pontos).

Na comparação com igual mês do ano passado (61 pontos), no auge das medidas de restrição de circulação de pessoas, o aumento foi de 48,6%.

O ICEC reflete a percepção do empresariado do município de São Paulo em relação à sua empresa, ao seu setor e à economia.

O Índice de Expansão do Comércio (IEC), que traduz a perspectiva dos empresários em relação a contratações, compra de equipamentos e abertura de lojas também subiu.

Em junho, o indicador alcançou 88,3 pontos, alta de 10,9% sobre maio (79,6 pontos) e 40,7% ante junho de 2020 (62,8 pontos).

Um dado que chama a atenção de forma positiva no subgrupo do IEC, é o que revela a expectativa para a contratação de funcionários.

Neste quesito, a pontuação subiu 14,1% sobre maio e 66,8% sobre junho de 2020.

“O nível de otimismo voltou a subir, mas ainda não está no patamar pré-crise”, afirma Fábio Pina, economista da Fecomercio SP. O humor dos empresários, diz ele, varia de acordo com as perspectivas econômicas, principalmente.

No início do ano, a expectativa era de um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do país ao redor de 3,5%. Hoje, algumas projeções chegam a 5%.

O avanço da vacinação em São Paulo e o comércio aberto, ainda que com restrições, também sugerem períodos melhores para os negócios.

PRÉ-CRISE

Mas como está a confiança do empresário paulistano na comparação com o período pré-pandemia, o ano de 2019.

O ICEC deste mês está 22,6% menor do que o de junho de 2019 (117 pontos) e o IEC (Expansão), 16,7% menor.

Alguns lojistas estão preferindo ignorar os números de 2020 para não terem a sensação de que os negócios voltaram ao que eram.

“O calendário de 2020 não existiu. O faturamento em maio ficou 22% menor do que o de maio de 2019”, diz Ângelo Campos, sócio-proprietário da rede MOB, com 25 lojas.

A expectativa era que as vendas fossem melhorar neste mês por causa do Dia dos Namorados, mas, de acordo com ele, isso não aconteceu.

Neste mês, o faturamento da MOB, considerando as mesmas lojas, está 45% menor do que o de junho de 2019. “O setor de moda feminina está complicado.”

Mas não é todo o comerciante que está faturando menos.

Com 54 lojas, a rede Any Any, especializada em lingeries e pijamas, registra números bem mais positivos.

“Maio surpreendeu, vendemos 30% mais do que em igual mês de 2019”, afirma Viktor Ljubtschenko, sócio-proprietário da rede.

Este mês, de acordo com ele, o faturamento supera em 10% o de junho de 2019.

Apesar de experimentar uma recuperação, há dúvidas entre os comerciantes sobre a manutenção da retomada da economia diante de tanto sobe e desce e surpresas.

“O ambiente ainda é de muita incerteza. Não consigo fazer prognósticos, como o que comprar para o final do ano”, diz Ljubtschenko.

Vacinação suspensa em alguns locais, número de novos casos de covid-19 em alta em São Paulo e Rio de Janeiro.

“A crise sanitária, portanto, está sujeita a reverses”, afirma Fábio Bentes, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio).

Alguns indicadores de desempenho da economia, diz ele, não são nada animadores.

A inflação está em alta, o número de desempregados atinge 15 milhões de pessoas e a taxa básica de juros da economia, a Selic, deve continuar subindo.

Anualizado, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) está em 8,06%.

Em última reunião do Comitê de Política Monetária, a Selic subiu para 4,25% ao ano.

Bentes lembra que a inflação pode ser pressionada ainda por conta da elevação de tarifas públicas, como a de energia elétrica, em decorrência da falta de chuvas.

E, se as taxas de juros seguem em ritmo de alta, as vendas a prazo podem levar um tombo.

Com tantas incertezas, fica difícil para os lojistas acertar nos estoques.

O levantamento da Fecomercio SP identificou que, para 49,9% dos empresários, os estoques estavam adequados e, para 36,3%, acima do ritmo de vendas.

Em junho de 2019, este percentual era de 58,3% e de 26,8%, respectivamente.

Diante de todo este cenário, a Fecomercio SP sugere cautela nas projeções.

O lojista não pode, de acordo com Pina, focar o resultado somente no faturamento. Precisa, mais do que nunca, olhar também para os custos.

“O setor de vestuário foi destruído no ano passado e, portanto, crescer 50% a 60% sobre 2020 não significa ter bom resultado. É preciso comparar com 2019”, diz.

Para Ljubtschenko, os empresários tiveram de aprender a tocar melhor o negócio na dor. “E nós, apesar de todo este momento, conseguimos realizar um sonho, que foi abrir uma loja da marca na Rua Oscar Freire”.

Há menos de um mês, a Any Any está com uma loja em uma das ruas mais famosas do comércio de São Paulo, frequentada por um público de maior poder aquisitivo.

A abertura de muitos espaços por ali por conta da crise e a consequente redução nos preços dos alugueis ajudaram a tornar realidade o sonho de Ljubtschenko.

 

 

Fonte: Diário do Comércio

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