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20 de outubro de 2021

Especialistas em meio ambiente do Sistema CNC discutem a economia circular na 20ª reunião do GTT-MA


20ª reunião virtual também discutiu conquistas importantes para a CNC. A entidade está na seletiva de propostas exitosas que vão representar o Brasil na COP-26

A economia circular, suas implicações no comércio e a aplicação deste conceito nas instituições do Sistema CNC foram o tema central da 20ª reunião do Grupo Técnico de Trabalho sobre Meio Ambiente (GTT-MA), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizado na quarta-feira (13).

A reunião virtual foi aberta pelo gestor da Assessoria de Gestão das Representações, Aurélio Rosas, e conduzida pela coordenadora técnica do GTT-MA, Cristiane de Souza Soares. Para falar sobre a economia circular, ela convidou a engenheira de projetos de infraestrutura e educadora ambiental Maria Fernanda Bastos.

Economia circular, explicou ela, é um conceito de economia regenerativa em que são criadas atitudes que levam ao melhor aproveitamento dos produtos, evitando o descarte, o desperdício e o esgotamento dos recursos naturais.

A economia circular se baseia na expressão Cradle to Cradle, ou C2C, que em inglês quer dizer ‘do berço ao berço’. Significa que os produtos precisam ser concebidos com a ideia de que podem ser reaproveitados ou reusados. “O produto tem que nascer e morrer pensando em um novo produto, dentro de uma lógica circular de criação e reutilização”, reforçou a engenheira ambiental.

No Sistema CNC, o conceito de economia circular já vem sendo implementado. No Senac Rio Grande do Sul, por exemplo, a assessora educacional Kelly Lima Teixeira destacou que os conceitos de economia circular fazem parte da grade de todos os cursos da instituição, de todos os níveis.

O Senac-RS disponibiliza diversos cursos de reciclagem, logística reversa do comércio, design de produção e reelaboração, canais de distribuição, consumo, reutilização e reparação. A instituição também oferece curso inovador de Re-Commerce, que trata do mercado de brechós, outlets e outros tipos de comércio de produtos usados, que vêm ganhando espaço no mercado e ajudando a aumentar o faturamento.

Participação internacional

Na reunião virtual do GTT-MA, a coordenadora Cristiane Soares destacou importantes conquistas do Sistema CNC na área ambiental. Uma delas foi o convite para a seletiva de propostas exitosas que vão representar o Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26).

A experiência com a gestão da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), com destaque ao projeto Sesc Pantanal, credenciou a CNC para a segunda etapa do processo seletivo de apresentação dos resultados do Brasil na COP-26.

“Estamos na segunda fase dessa seleção e aguardamos o resultado com muita expectativa. Afinal, nós queremos mostrar ao mundo o trabalho do Sistema CNC na questão ambiental”, destacou Cristiane. “Isso é fruto do nosso trabalho e do empenho de todos os representantes da área de meio ambiente que representam o Sistema Comércio, da nossa participação nos fóruns especializados”.

Outro avanço, prosseguiu ela, foi o convite feito pelo Ministério da Economia, por meio da Autoridade Nacional Designada (AND), para participar do processo de formulação das bases diretivas do Programa País do Brasil. Este programa integra o Fundo Verde do Clima (GCF), que reúne diversos países para financiar ações ligadas à mitigação dos efeitos das mudanças no clima.

“Fizemos as nossas ponderações, citamos as nossas experiências com as RPPNs, e isso gerou uma reunião exclusiva com o grupo Sesc Pantanal”, destacou.

Porém, o desafio é a dificuldade dos setores do comércio para terem acesso ao aporte de recursos do GCF, na ordem de US$ 10 milhões por projeto. O representante da Fecomércio Paraná, Paulo César Nauiack, assegurou que o comércio tem capacidade para assumir grandes projetos. “Nós vamos mostrar que o comércio tem capilaridade para apresentar projetos ambientais de grande porte e contribuir com o planeta”, afirmou.

Do Departamento Nacional do Sesc, Karina Amendola elogiou o empenho da CNC, cujo trabalho abrirá portas para o futuro, em relação a fundos de investimentos. “Podemos somar ao trabalho maravilhoso que está sendo realizado em Brasília”, destacou.

Lei nº 14.119/21

Na reunião do GTT-MA, também foram debatidos detalhes da Lei nº 14.119 /21, que regulamenta o pagamento por serviços ambientais por meio da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA). A matéria é considerada um avanço, pois ela ratifica o artigo 41 do Código Florestal e regulamenta, entre outros pontos, a remuneração por serviços ambientais no Brasil, garantindo às empresas do comércio o acesso a recursos privados, nacionais e internacionais, referentes a projetos de compensação ambiental.
A nova Política Nacional poderá ser usufruída pelas RPPNs e pelo setor do turismo que vem assumindo a gestão de muitas áreas de conservação, especialmente os Parques Nacionais.

Inovações

Cristiane Soares ressaltou a importância do Laboratório de Inovações Financeiras (Lab), criado para discutir soluções com apoio e suporte financeiro de agências e bancos de fomento para projetos voltados à sustentabilidade, eficiência energética e saneamento ambiental.

No que se refere a projetos sustentáveis, o advogado e engenheiro ambiental Bernardo Souto, da Fecombustíveis, apresentou ao GTT-MA diversas oportunidades dentro do Programa Nacional de Conservação de Energia (Procel) que podem ser exploradas pelos empresários do comércio para investir em otimização e redução dos custos de energia utilizando recursos previstos no Procel.

Bernardo destacou o Fundo de Eficiência ESG como um avanço para a criação do Fundo Garantidor, capaz de assegurar salvaguardas aos empresários que investiram em parques fotovoltaicos e por diferentes razões não tenham conseguido entregar os resultados previstos em seus projetos. “Este projeto é inovador e pode ajudar o empresário do comércio a reduzir perdas”, afirmou.

Bernardo também atualizou o grupo sobre o Acordo Setorial de LR de embalagens plásticas usadas de lubrificantes. De acordo com ele, as decisões do governo federal serão tomadas por meio de decretos e não mais por acordos setoriais, o que, na análise de Bernardo, pode ser um avanço.

 

Imagem: Freepik

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