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18 de março de 2022

Estudo mapeia desafios para adoção de práticas de ESG no comércio


O pouco entendimento, a insuficiência de recursos financeiros e a necessidade de incentivos governamentais são as principais barreiras apontadas pelos pequenos comerciantes para a adoção de práticas ESG, de acordo com sondagem realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Para a Entidade empresarial, dados demonstram necessidade de ações de conscientização e de medidas que estimulem resultados e impactos, além do estabelecimento de métricas. Neste sentido, a redução ou a isenção de impostos e taxas para empresas que adotem atitudes para mitigação dos impactos ambientais, por exemplo, seria um aceno importante do setor público.

A pesquisa, realizada pelo Comitê ESG da FecomercioSP, avaliou como a temática está inserida no dia a dia do setor, na capital paulista, e vem embasando as ações do comitê – que integra o Conselho de Sustentabilidade (CS) da Federação – na criação de estratégias para orientar os pequenos negócios do comércio nesta agenda.

De acordo com a pesquisa, o engajamento das empresas em ações de cooperação e parcerias com outros atores do setor, em prol de iniciativas ambientais e sociais, ainda é muito pequeno. Para 33% dos comerciantes, o desconhecimento de parceiros aptos a colaborar é o maior desafio para ações neste sentido. Isso se traduz na dificuldade de engajamento com outras empresas, fornecedores e clientes.

Em segundo lugar, ficou a insuficiência de recursos financeiros, com 30% das empresas, no que diz respeito ao quesito ambiental, e 29%, em relação ao social. Além dessas barreiras, aparece a necessidade de incentivos governamentais – sendo este o principal desafio para 27% implementarem medidas de boa gestão ambiental, e 24%, para as de social.

Com relação ao quesito “governança”, há também desconhecimento de parceiros aptos a colaborar (32%), insuficiência de recursos financeiros (26%) e, diferentemente dos aspectos ambiental e social, a terceira maior barreira apontada foi a falta de conhecimento (25%), porém, os porcentuais são semelhantes aos das ações ambientais (24%) e sociais (22%).

Necessidade de incentivos e orientação
Não saber identificar o que fazer foi destacado por quase um quarto das empresas como barreira para a adoção de todos os aspectos que compõem a agenda ESG. O mesmo aconteceu com a necessidade de incentivos governamentais. O pouco entendimento das empresas fica claro quando questionadas sobre os efeitos ambientais causados pelas suas operações: 97% declararam não produzir impactos quanto às mudanças climáticas, o que seria pouco provável mesmo quando se trata de Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

O desconhecimento também pode explicar a baixa adesão das empresas a ações relacionadas à cooperação e/ou parcerias: 86% disseram não realizar iniciativas nesse sentido. Além disso, elas também não têm a cultura de fornecer dados ou contribuir para condução de pesquisas acadêmicas, nem apresentarem-se em eventos, palestras ou outros fóruns públicos, tampouco disponibilizar publicamente materiais e ferramentas para que outras empresas possam melhorar o desempenho nas discussões ambientais e sociais.

Para 65% das empresas, o Poder Público poderia conceder incentivos fiscais para implementação de ações que diminuam a emissão de gases do efeito estufa e outras práticas ambientais sustentáveis. É o que demonstrou outro estudo desenvolvido pela Entidade, no qual 54% também disseram haver necessidade de financiamento em condições favoráveis para implementação de medidas sustentáveis, e 49%, relataram precisar de incentivos financeiros (financiamento).

A concessão de descontos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), por exemplo, apesar de já ser adotada por algumas prefeituras, poderia ser ampliada para atender a ainda mais empresas. Isso seria benéfico tanto para elas – que ganhariam desconto no imposto – quanto para as metas dos municípios, que se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, para os pequenos negócios, contar com este subsídio, ainda que por tempo determinado, pode significar fôlego financeiro após o investimento na instalação de painéis fotovoltaicos para geração de energia solar, por exemplo.

“Portanto, são ações que beneficiam os setores público e privado, bem como a sociedade. Além disso, contribuem para disseminação das práticas ESG. Uma medida fundamental, já que empresas, de diferentes portes, ainda têm muito espaço para atuar na mudança de cultura dentro e fora delas. Uma constatação do comitê é de que há um longo caminho para percorrer em relação ao engajamento de parceiros, colaboradores, clientes e demais stakeholders”, avalia o coordenador do Comitê ESG da FecomercioSP, Luiz Maia.

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