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18 de janeiro de 2021

Há muito o que fazer em 2021


Wilson Poit, diretor-superintendente do Sebrae-SP

No ano que passou, muitos sonhos foram interrompidos. Além das quase 200 mil vidas lamentavelmente perdidas para a Covid-19, a pandemia teve um impacto brutal nos pequenos negócios, comprometendo a sobrevivência de milhões de famílias – a última pesquisa do Sebrae sobre o tema mostra que, no final de novembro, 73% das micro e pequenas empresas brasileiras estavam com faturamento abaixo do registrado em um mês normal, anterior à pandemia. Mesmo assim, eu quero pedir licença para falar com otimismo sobre o que 2021 nos reserva.

 

A experiência do Sebrae desde meados de março de 2020, quando as medidas de restrição ao funcionamento das atividades econômicas entraram em vigor, conta uma história de resiliência e de reinvenção por parte de incontáveis empreendedores brasileiros. Com a pandemia, tivemos de reorganizar nosso atendimento quase que da noite para o dia, afinal, não podíamos deixar de estar ao lado de nossos clientes – os donos e donas de pequenos negócios – no momento em que eles mais precisavam.

 

Era necessário mostrar a eles como promover uma rápida adaptação aos meios digitais, inovar na oferta de serviços e produtos, equilibrar as finanças, acessar crédito etc. A palavra-chave era “capacitação”. Para isso, investimos em atendimento 100% a distância, fizemos uma programação diária de lives e promovemos diversos eventos remotos. Como resultado, o Sebrae-SP totalizou mais de 2,3 milhões de atendimentos no ano – uma média de 9.402 por dia. Nossas consultorias a distância (um modelo de atendimento mais longo e aprofundado) triplicaram e a busca por cursos de capacitação em EAD cresceu 156% no período.

 

Tudo isso mostra que o empreendedor brasileiro está ávido por aprender. Ele não quer cruzar os braços diante das dificuldades e dizer que não consegue fazer nada, longe disso. Um exemplo é o da transformação digital. Com o distanciamento social, as empresas que ainda estavam “offline” se viram obrigadas, em curtíssimo tempo, a automatizar processos e a oferecer seus produtos e serviços pela internet. Elas tiveram de estar presentes nas redes sociais, providenciar um marketplace e oferecer formas de pagamento diversas. Muitas delas literalmente se reinventaram para manter as portas abertas.

 

Hoje, segundo pesquisa do Sebrae, 70% das MPEs estão utilizando a internet para vender, com canais de venda tão diversos quanto aplicativos de entrega, Instagram e WhatsApp. Também cresceu o número de empresas que inovaram na oferta de um produto ou serviço novo por força da crise – em novembro, elas eram 43% do total. Pouca coisa é capaz de impedir quem quer se capacitar e inovar, pelo contrário: o ano de 2020 deixou claro que a educação empreendedora pode transformar negócios e vidas.

 

Por outro lado, a pandemia de Covid-19 também evidenciou muitas das nossas desigualdades estruturais. Atualmente, a taxa de desocupação está em níveis historicamente elevados, com mais de 14 milhões de brasileiros sem emprego. Ainda que se observe um aumento recorde na abertura de empresas no País, sabemos que boa parte delas se refere a Microempreendedores Individuais (MEIs) que encontraram na atuação por conta própria a alternativa mais à mão para sair da informalidade. A promessa de ser seu “próprio patrão”, porém, não está sendo capaz de resolver a demanda por geração de renda e oferta de trabalho justo. Além disso, recortes de população mais vulneráveis (por exemplo: mulheres, pretos e pardos) são também aqueles que mais empreendem por necessidade, e não por terem encontrado uma oportunidade de negócio.

 

Por isso, em 2021, o Sebrae vai estar ainda mais próximo da base da pirâmide, daqueles que sonham em estar à frente de um negócio próprio, mas que têm menos conhecimento. Vamos trabalhar para que a educação empreendedora esteja voltada para a inclusão produtiva, ou seja, a geração de renda de maneira decente para as populações mais vulneráveis, de maneira que elas possam finalmente superar a exclusão social crônica. Um estudo feito pela Fundação Arymax mostra que, em grande medida, a inserção precária do brasileiro no mundo do trabalho, com renda baixa e instável, está ligada à falta de formação educacional e ao acesso limitado à capacitação profissional.

 

Tenho certeza de que, com grande parte da população imunizada contra a Covid-19 ao longo do ano e a economia voltando a uma certa normalidade, aqueles empreendedores mais capacitados vão sair na frente. Da parte do Sebrae, continuaremos empenhados em oferecer educação empreendedora e parcerias com a sociedade civil e o poder público para virar o jogo do desemprego e da exclusão. Acreditem, nós podemos fazer muita coisa.

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