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4 de outubro de 2021

Reorganização sindical e panorama da economia no comércio são debatidos pela CNC no 36º CNSE


O evento reuniu centenas de representantes e dirigentes de todo o País, que debateram o cenário econômico e político do país.

 

O segundo dia de atividades no 36º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais (CNSE), na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, contou com dois painéis especiais, que debateram sobre reorganização sindical, economia e o comércio no Brasil. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou como expositora nas duas agendas. As apresentações foram realizadas pela manhã, de forma simultânea, nos salões Malbec e Carmènére. Para evitar aglomeração, foram realizadas novamente à tarde, com o revezamento dos salões, possibilitando que o congressista que não pôde assistir a uma temática pela manhã acompanhasse à tarde.

Representando a CNC no talk show sobre a reorganização sindical, o presidente da Comissão de Negociação Coletiva do Comércio (CNCC), Ivo Dall’Acqua Júnior iniciou sua fala ratificando a decisão da CNC de defender a estrutura sindical fundamentada nos princípios de unicidade e base, dentro dos limites definidos pela constituição federal.

 

“Está demonstrado que, em um País tão plural e diverso como o Brasil, esse modelo de unicidade garante representação para as diversas atividade econômicas e profissionais que não formam volume e número para se organizar no primeiro grau (sindicato). Com isso, a proteção ao trabalho é assegurada a todos os que estão inseridos no ambiente econômico, tanto as empresas quanto os trabalhadores, ao mesmo tempo que equilibra as condições nas relações trabalhistas”, disse Dall’Acqua em sua saudação inicial.

No mesmo debate, participaram o subsecretário de Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Previdência, Mauro Rodrigues de Souza; o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah e o presidente do Sindilojas de Belo Horizonte (MG), Nadim Donato, sob a mediação de Flávio Obino Filho.

Modernização trabalhista

Sobre a manutenção da unicidade sindical no Brasil, considerando que a mudança com relação às fontes de custeio das entidades afetaram um dos pontos mais discutidos no que se refere à representação legal e representatividade, o mediador questionou ao representante do governo como estão as iniciativas do Grupo de Altos Estudos do Trabalho (Gaet), criado com objetivo avaliar o mercado de trabalho brasileiro sob a ótica da modernização das relações trabalhistas e matérias correlatas.

“O grupo de estudo temático, intitulado Liberdade Sindical, está dividido em três subtemas – atividade sindical, negociação coletiva e registro sindical – e tem caráter consultivo, apresentando propostas do governo. O relatório ainda não foi entregue por questões internas de mudanças e da pandemia, que atrasaram esse processo”, explicou Mauro de Souza, enfatizando que o modelo sindical brasileiro precisa se reinventar. Contudo ainda não há uma proposta por parte do governo.

Ivo Dall’Acqua encerrou sua apresentação recuperando a memória da criação e implantação do Sicomércio, reconhecendo a importância estratégica de sua estruturação, elaborada pelo antigo chefe da Divisão Sindical da CNC, Washington Coelho.

“Destaco o fato de a Divisão Sindical estar orientando todas as entidades filiadas a promover sua atualização e adequação estatutária para este novo tempo, lembrando que, finalizado esse processo, o plano confederativo do Comércio estará pronto para discutir e implantar sua autorregulação”, disse Dall’Acqua.

A visão da Renner

Após o talk show, foi realizada a Palestra Magna sobre Gestão do presidente do Conselho de Administração da Renner, José Galló, que deu ênfase aos impactos da pandemia para os empresários. Segundo ele, empresas que possuem uma proposta de valor diferenciada passam mais facilmente por uma crise.

“Durante a pandemia não foram só os empresários que ficaram com medo, mas seus colaboradores também, e em muitas empresas nós vimos que os líderes fizeram a gestão desse medo cuidando de seus empregados, preservando seus empregos e procurando soluções para diminuir o impacto em seus negócios”.

Para Galló, as empresas que contam com líderes visionários evoluirão mais rápido e sairão melhores da crise. “O mundo está aí para todos. Para os pequenos, grandes e médios. Mas para alcançar resultados é preciso mudar o jeito de pensar, buscando ideias com seus colaboradores e trazendo propostas diferenciadas que se aproximem do consumidor”, reforçou.

Recuperação econômica

Na plenária que debateu a economia e o comércio no Brasil, os participantes mostraram otimismo com crescimento do varejo, mas alertaram para pontos de atenção como inflação, juros e crise hídrica. Participaram os economistas Fabio Bentes, da CNC; Patrícia Palermo, da Fecomércio-RS e Alexandre Englert, do Sicredi. O debate foi mediado por Lucas Schifino, da Fecomércio-RS.

Foram apresentados alguns números e percepções sobre o tema e, em linhas gerais, os economistas traçaram um cenário positivo, embora ressaltem que os pontos de atenção e incertezas devam se estender até o final de 2022.

Bentes destacou que o varejo estava com uma taxa de crescimento próxima dos 11% no País, até julho, o que reforça o otimismo para um fechamento de ano digno de comemoração. “Mesmo sabendo que parte desse crescimento se deve à baixa base de comparação, precisamos destacar o quão importante é estarmos crescendo”, disse o economista da CNC, que fez questão ainda de destacar que o varejo voltou a ser visitado, apesar de todo o crescimento do e-commerce, que, só no ano passado, disparou 40%. “E os reflexos disso estão nos sucessivos aumentos de vendas que vimos registrando desde março deste ano”, completou.

Para Alexandre Englert, a inflação tende a ser reduzida no ano que vem, muito na esteira do crescimento da Selic, que ele estimou em 9% para 2022, e no ajuste dos preços das commodities. “Esse, aliás, é outro ponto de atenção. Porque a Selic sobe para conter a inflação, freando o consumo. Mas ela traz consigo o efeito colateral do encarecimento do crédito, o que sufoca as empresas”, disse Englert. Também para 2022, o economista do Sicredi previu o reaquecimento do mercado de trabalho, com níveis mais altos de contratação, sobretudo pelo comércio e pelos serviços.

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