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30 de abril de 2019

Todo mundo é incompetente, inclusive você


Por Marco Aurélio Sprovieri Rodrigues, presidente do SincoElétrico

Há tempos não manifesto opinião sobre temas nacionais.  Ainda no período pré- eleitoral, por estar desanimado e entorpecido com a situação política e econômica do país, optei por não me manifestar para evitar cometer excessos.

No período pós-eleitoral também evitei manifestar críticas ou apoios ainda infundados e inconformes.

Agora, já decorridos os cem dias do novo governo, muito embora não haja medidas efetivas, posso manifestar minha tristeza profunda com o governo eleito, pela nomeação de pessoas altamente incompetentes para as funções designadas, me levando a rememorar o livro intitulado: “Todo mundo é incompetente inclusive você”, de autoria de Laurence J. Peter, publicado em 1969 e que relata que as pessoas podem possuir competências teóricas, mas a competência prática pode estar ausente; elas podem ser competentes para o exercício de algumas funções, o que não lhes oferece competências para todas e quaisquer funções.

Muitos dos nomeados como ministros têm competência técnica, mas nenhuma administrativa e prática para o exercício de uma função ministerial. É o caso do Ministro da Economia, aliás, logo quando o mesmo foi indicado,  um antigo ocupante de governos passados me afirmava que ele era um economista exemplar, mas não seria um bom Ministro, o que está absolutamente claro principalmente quando vemos que ao Ministério da Economia foram agregados outros ministérios, cuja a fonte de ação nada tem a haver com as teorias econômicas, o que levaria o ocupante do cargo a ter uma visão mais ampla e uma humildade em apreender coisas que não compõem o curriculum dos cursos de economia.

Ao assumir o Ministério, uma de suas primeiras ações foi manifestar que daria uma “facada no Sistema S”, o que mostra a miopia ante as relevantes questões econômicas que o governo deveria focar, especialmente pelo fato de que o Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Senac, Senar, Senat,  Sebrae) por primeiro não recebe verbas do governo. Tratam-se  de entidades privadas, administradas corretamente e fiscalizadas pelo TCU e AGU. As entidades do chamado Sistema S, possuem ação altamente relevante e importante para a sociedade no campo da educação básica, profissionalizante, em cultura, lazer e saúde, suprindo áreas importantes do Estado com recursos e iniciativa própria.

Posteriormente,  ao incorporar o Ministério do Trabalho,  foi a tentativa de aniquilação do sistema sindical.  Ao invés de corrigir inconformidades e ilegalidades praticadas por governos anteriores (que levaram as entidades sindicais laborais a uma ação imprópria as suas funções constitucionais), optou-se por ações que visam eliminar uma parte importante as atividades empresariais e laborais representadas pelas entidades sindicais,  ao invés de se aprofundar no conhecimento das questões que levaram ao descaminho do sistema sindical e estabelecendo a sua correção.

Em sua participação na Câmara dos Deputados, discutindo a Reforma da Previdência, demonstrou com absoluta clareza a sua incompetência para o cargo, atuando em baixo nível quando deveria demonstrar com ética e clareza a absoluta necessidade do estabelecimento da Reforma e os benefícios que ela trará para a sociedade e para a nação, buscando convencer os parlamentares tecnicamente,  e não brutalmente.

Por fim, fica claro que o Presidente errou ao entender que pessoas que o assessoraram em sua campanha pudessem passar de assessores para gestores;  erro esse que fica claro com as inúmeras alterações no núcleo de governo já ocorridas em tão pouco tempo, além da falta de foco em tratar as questões de forma objetiva e cognitiva.

Até o momento é um governo que só dá tiro para o alto causando confusão, mas deixa os alvos fora de foco.

 

 

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