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28 de maio de 2021

Varejo deve encerrar semestre melhor que o esperado


Consumidor mais adaptado à pandemia e fusões e aquisições têm ajudado, segundo empresários e economistas que avaliaram a conjuntura em reunião on-line da ACSP. Mas abre-e-fecha do comércio é ponto de atenção

Após patinar no primeiro trimestre, com a necessidade de retomada das medidas restritivas, o varejo ensaia recuperação com ajuda de alguns fatores, como a adaptação do consumidor à pandemia, o e-commerce e a expansão do movimento de fusões e aquisições para ampliar a gestão de dados dos clientes (CRM).

A avaliação, dos empresários e economistas presentes à reunião on-line de Avaliação de Conjuntura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizada na última quinta-feira (27/05), reforça a expectativa de um primeiro semestre com resultado positivo, com projeção de alta de 3,2% em junho ante igual período de 2020.

Segundo um especialista em varejo presente à reunião, uma das explicações para a expectativa positiva é a consolidação do varejo, com a incorporação de grupos médios ou varejistas on-line por grandes marcas. Como a compra recente do e-commerce de moda Dafiti pela Renner, por exemplo. “Essas varejistas que trabalham somente on-line geralmente dão prejuízo, mas possuem CRMs fabulosos que valem milhões.”

Apesar de por enquanto estar restrito aos grandes grupos, esse movimento de incorporação em busca de dados de clientes será o “petróleo de 2021 para o varejo”, destacou o especialista, citando a NRF. “Pequenos lojistas, sem ajuda em plena pandemia, já estão desaparecendo. Entre médios e grandes, quem tiver um bom cadastro, vai sobreviver. Quem não tiver, vai se perder ou sumir.”

A pedido da ACSP, os nomes dos participantes da reunião de Conjuntura não são divulgados.

No âmbito do e-commerce, 2021 começou bastante agitado segundo um especialista do setor, que citou dados da Ebit/Nielsen: as compras virtuais cresceram 38% só no primeiro trimestre, atingindo R$ 23 bilhões em faturamento comparado a igual período de 2019, já que em 2020 era início da pandemia e da quarentena.

Essa adaptação dos consumidores ao cenário de compras on-line puxou o crescimento forte em cima de outro período forte, afirmou, com alta de 16% no tíquete médio, e 20% no número de pedidos, que atingiram 50 milhões.

O especialista em e-commerce destacou também que boa parte desse faturamento foi puxado pelo comércio crossborder, ou seja, de compras em sites internacionais, que cresceu 76% em 2020 e mantém a alta.

“Um dos impactos da pandemia no Brasil foi a aceleração do e-commerce, que em um ano ampliou sua participação em 4 pontos percentuais e ultrapassou 10%”, disse, mesmo share dos Estados Unidos cinco anos atrás.

A maior demanda por estoques e a diminuição da poupança, assim como a recuperação da economia global, que favoreceu os preços internacionais, também ajudaram a melhorar o consumo nessa primeira parte de 2021.

Todos os fatores acima têm favorecido não só os indicadores do varejo, mas também da indústria e até dos serviços – o que reforça a resiliência da economia na crise, disse um economista presente à reunião.

Tirando o efeito base de comparação fraco de 2020, as projeções de crescimento do PIB para os próximos meses continuam mantidas, representando praticamente uma estabilidade, destacou.

“Não é o caso de comemorar, mas felizmente os indicadores de atividade e do comércio vêm aparecendo bem melhores do que se prognosticava em 2020.”

Mesmo assim, é preciso atenção, pois o cenário ainda é complexo, disse. “Há muita incerteza quanto à evolução da vacinação e da pandemia, que podem acarretar novas ampliações dos protocolos de isolamento.”

INDÚSTRIA SE PREPARA PARA 2° SEMESTRE 

O setor industrial segue em 2021 com recuo no nível de atividade menor que o esperado: segundo outro economista presente à reunião, a queda de sazonalidade em março sobre fevereiro ficou em apenas 2,4%.

Porém, assim como o varejo, e devido aos impactos da pandemia, foi comparado o primeiro trimestre com igual período de 2019, revisando a projeção de 4,4% de alta para 2,6%. “É uma taxa de expansão menor, mas não deixa de ser favorável”, destacou o economista

A explicação para a melhora é o desempenho da massa salarial que, menor, acabou levando ao consumo da poupança acumulada. Assim como a já citada adaptação dos consumidores à pandemia, que reduziu os impactos financeiros da segunda onda, como aconteceu em outros países.

A busca por menos serviços, e mais produtos essenciais, fez indústrias como a extrativa, de minério de ferro, por exemplo, crescer 51,3% no primeiro trimestre em valor, e a de transformação subir 15,6%.

As exportações da indústria foram favorecidas pelo crescimento da economia americana, segundo o economista, pelo aumento da demanda na Argentina, e também pelo efeito multiplicador do agro no setor de máquinas. Aqui, a produção de caminhões subiu 83,9% no 1° quadrimestre ante igual período de 2020, e 35,1% sobre 2019.

Porém, o economista apontou que 67% das empresas têm se defrontado com a dificuldade na compra de matérias-primas e de componentes, de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – o que já pode gerar risco de alta nos custos e repasse gradual de preços.

Mas o setor se prepara para o crescimento da economia global no segundo semestre que, segundo projeções do FMI, deve crescer 6%, destacou o economista. “O mercado interno também deve melhorar como avanço da vacinação e o fim das medidas restritivas, mas continua no radar uma terceira onda, com o surgimento de novas cepas.”

 

Fonte: Diário do Comércio

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