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5 de junho de 2012

Ave Maria


A cada dia mais me impressiono com a burocracia a que somos submetidos dia a dia. Uma montanha de procedimentos cuja eficiência e eficácia é pouco produtiva, senão inútil. Para tudo devemos apresentar uma montanha de documentos, formulários, guias e declarações. Autenticadas, reconhecidas e o que mais o burocrata desejar.

Quem já tentou contratar um plano de saúde corporativo, sabe a burocracia deixa qualquer um doente. Todos nós empresários pagamos uma enormidade de impostos, mas não basta pagar, devemos demonstrar o porquê e como, várias vezes. Então preparamos declarações com diversos nomes e siglas, todas elas contendo repetidamente as informações que já foram mencionadas nas outras.

Segundo estudo feito pela PRICE sob encomenda da Associação Comercial de São Paulo, são cerca de duzentas informações redundantes. Só no comércio são cerca de setenta e seis. Ai surge um tal senhor alcunhado de Cachoeira, que não deve ser o único, neste pais onde abundam cachoeiras e cascatas, sobre cuja pessoa pairam acusações de atividades ilegais, mas, ele também é empresário dono de diversas empresas formais, e muitos bens entre eles aviões, helicópteros, e diversos imóveis, urbanos e rurais. Enfim um bafejado pela sorte; alguns o são no amor, casam com mulheres ricas, outros no jogo. A maioria rala mesmo trabalha!

Se o fulano trabalha e compra um avião, a Fazenda Pública logo vem para saber se ele tem renda compatível, de onde saiu o dinheiro para comprar o avião a indústria ou imóvel, cruzam os dados e logo intimam o fulano a explicar a suposta inconsistência. Como então uma pessoa que não tem origem lícita do seu dinheiro ascende em tamanha magnitude na pirâmide social, investindo em diversos negócios cuja burocracia atormenta, quando o dinheiro é de origem licita, sem que ninguém o tivesse chamado a explicar a origem de seu capital? Então para que serve a imensa carga burocrática que carregamos nos ombros, o papelório todo que preenchemos assinamos em três, quatro, cinco vias com os devidos carimbos.

A conclusão que posso chegar é que a burocracia só serve para alimentar o poder corporativo dos burocratas e infernizar o cidadão, que é quem trabalha e cumpre a lei. Afinal a lei só serve para o cidadão, os que as infringem e fraudam pouco se importam com a lei; não irão cumpri-las mesmo!

A esses é necessário contratar um advogado de renome e influência que proteja o acusado e principalmente proteja todos aqueles figurões que lhe deram cobertura durante anos a fio para que pudesse ascender e distribuir democraticamente a renda com os figurões, e algumas figurinhas carimbadas, não deixando respingar a lama em ninguém.

Resta-nos a saudosa lembrança de Dalva de Oliveira, quando cascata e cachoeira era somente uma queda d’água, na canção Ave Maria: “abençoai as cascatas e as borboletas que enfeitam as matas.