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2 de outubro de 2014

Baile de Gafieira


Há tempos passados quando ainda existiam as gafieiras, não raro alguém fazia algum gracejo à mulher do próximo, e estando este próximo estava armada uma confusão. O ritual para controlar a confusão previa que fossem fechadas as portas de modo que quem estivesse dentro não pudesse sair e os que de fora não pudessem entrar.

Ato contínuo dava-se maior volume à orquestra, para que o menor número de pessoas dessem conta da confusão.

Moreira da Silva interpretou como ninguém este samba que fez a sua época grande sucesso. A gafieira, reduto da malandragem boemia e dos amantes da dança de salão, teve seu fim. Mas malandro que é malandro como se dizia, não morre, muda de salão.

E mudaram. Muitos foram para a política, fundaram partidos, e hoje dançam na enorme gafieira que virou a política nacional. Porém, a gafieira daquele tempo tinha regras, normas e os famosos “leões de chácara” para fazê-las cumprir, ou simplesmente arremessavam os indisciplinados porta a fora. A gafieira de hoje é a do salve-se quem puder, ou se aposse, devida ou indevidamente, do que puder! A regra é a safadeza.

Enquanto o país naufraga em um mar de lama, desperdiçando pela má gestão e corrupção recursos escassos, o governo utiliza das mesmas técnicas de então; manda o Pistom tirar a surdina, para prenhar pelos ouvidos a aturdida população fazendo crer que o baile segue normalmente, que está tudo sob controle, quando na verdade o descontrole é absoluto; as finanças públicas estão em frangalhos, a credibilidade interna e externa, estão seriamente abaladas a ponto de estarmos prestes a perder o chamado “grau de investimento”.

O Grau de Investimento não é uma láurea ou apenas uma colocação em um index. É uma exigência para que fundos,  empresas e organizações internacionais possam investir seus recursos no Brasil. Perdendo o Grau de Investimento, não receberemos nenhum tostão em investimentos externos.

Dado que a despesa de custeio, ou seja, o custo fixo do governo vem crescendo a taxas superiores a arrecadação tributária e o crescimento do PIB, não haverá recursos para investir, e sem investimento não haverá crescimento econômico e o PIB continuará na melhor das hipóteses nos atuais 0,6 % como prevê o Banco Central ou 0,3 % como prevêem os analistas do mercado.

As despesas subiram extraordinariamente nos últimos meses dando mostras cabais de que o governo está comprando sua reeleição, e revivendo as avessas Luiz XVI, “depois de mim o diluvio”!

Acontece que se ganhar a chuva vai ser sobre a própria cabeça, o que nos dá a antever que confirmada à probabilidade, além de um brutal aumento na carga tributária, uma eventual quinada institucional, para amordaçar as criticas e perpetuar-se no poder, fundando a mais nova “democracia bolivariana”, e nessa gafieira quem “dançará” é o Brasil.