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18 de agosto de 2014

O voto distrital


A democracia por certo não é o melhor regime, mas não inventaram nada melhor. Ela encerra princípios e contradições, que embora estranhos garantem o seu funcionamento. Contradições tão esdrúxulas, como a existência e propaganda política do Partido Comunista, que tem como fundamento ideológico a extinção da Democracia.

É tão formidável essa tal democracia que aceita que se conspire contra ela livremente. Mas é preciso compreender e entender o que é a tal democracia. Muitos imaginam que democracia é o exercício do voto, mas esse é só um dos princípios ou pilares da democracia. Nesse cenário do contraditório como imaginar que possa ser levada a cabo uma reforma tributária, onde interesses dos mais variados matizes se contrapõe. Seria necessária por primeiro uma reforma política e do pacto federativo.

Mas como fazê-la se os que devem apreciar e votar a mudança das regras são os titulares dos interesses a serem feridos? A união fica com a maior parte da receita tributária, o que é inadmissível, além de gerar demagogia e alimentar o populismo. Em uma verdadeira federação, a menor fatia do bolo é da união e a maior pertence aos estados e municípios e onde vive a população e onde estão as necessidades, demandas e o acompanhamento pelo cidadão dos serviços públicos.

Tudo se afigura muito complicado em um país que se intitula democrático, mas o poder não emana do povo. Digo isso porque a maioria esmagadora da população, segundo pesquisas, sequer sabe em quem votou para representar seus interesses nas diversas Assembleias.

Se o eleitor não sabe em quem votou o eleito tampouco sabe quem o elegeu, o compromisso republicano se esvaiu por completo. Por fim, a representação política nos legislativos de todo o país, representa os interesses dos próprios parlamentares e não de seus eleitores.

É ainda curioso que muitos políticos mal falados ou mal afamados continuam a serem eleitos eleição após eleição, o que demonstra um enorme descasamento do eleitor com o eleito. Na verdade, um não quer saber do outro e o outro do um, a não ser no período eleitoral.

Todos reclamam, todos estão à espera do “salvador da pátria”  que conduza seus destinos a bom termo, mas não há imperador na democracia e muito menos salvadores da pátria.

Na democracia representativa, o povo escolhe quem irá representar seus ideais para governar, sendo imperativo que essa escolha se de analisando a conduta, e a capacidade do candidato para que de fato possa defender os ideais dos seus eleitores.

Nada se fará sem a implantação do voto distrital, onde o eleitor saberá em quem votou e o eleito ainda mais quem o elegeu.

O voto distrital é a ligação direta entre eleitor e eleito, sem o que as promessas e demandas ficam etéreas, além de baratear substantivamente o custo das campanhas eleitorais e, por conseguinte o voraz apetite pelas sobras de campanha, higienizando e dando maior substancia ao processo poíitico.

Estou convencido que a adoção do voto distrital, é o caminho para que as demandas da sociedade sejam consideradas, aprofundadas e discutidas com os eleitos em cada um dos distritos em que deverão prestar contas do mandato recebido.