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15 de agosto de 2012

Que se faça justiça


É absolutamente hilário ouvir as alegações dos advogados e acusados no tal do mensalão. Todos são absolutamente inocentes, vítimas da vilania política e da incompreensão da sociedade. Se houver um culpado este será o mordomo!  Caixa dois de campanha, querem  também nos fazer crer que não é crime! Vale observar a desfaçatez com que os réus se posicionam, são todos neófitos, possuídos de uma sacro santa inocência e ateados no prostíbulo.

Um crime dessa natureza traz por certo imensa dificuldade na obtenção de provas cabais, irrefutáveis. Não há recibos, notas fiscais, há apenas um conjunto de ações, depoimentos que configuram de forma inequívoca o ocorrido, como bem demonstrou o Senhor Procurador Geral. Nada per si tem a capacidade de inferir culpa, mas o conjunto de informações obtidos na CPI e no inquérito confere clareza ao sistema e a função de cada um de seus operadores.

Incontroverso pelo fato da Procuradoria Geral da República oferecer a denuncia, não o faria se duvida coubesse e mais ainda pelo STF tê-la aceito, o que também não o faria se os elementos apresentados não fossem contundentes.

Lombroso acreditava que os criminosos tinham um biótipo característico, não sei se verdadeiro ou não mas, quando vejo a foto de Delúbio Soares, sempre associo a imagem de algum bandoleiro mexicano dos velhos filmes de Western, jamais o imagino ao lado de João Paulo I ou Gandhi.

Nenhum tem cara de santo, creio que na infância não foram coroinhas e já no berçário devem ter roubado a chupeta ou a mamadeira do vizinho. Alguns têm mestrado e doutorado no exterior em mentir, falsear, difamar, roubar e até matar. Celso Daniel, foi segundo consta oficialmente, vitima de um latrocínio, que tinha sete testemunhas e curiosamente todas as sete morreram prosaicamente antes de testemunhar sobre o caso. Coincidência, fatalidade da vida?

Assim está em curso um dos maiores julgamentos da história do país e este é o fato maior. Nada espero a não ser que seja feita a justiça, o que nada tem a ver com o teor do veredicto, pois a justiça se faz quando há julgamento. Transitado e julgado foi feita a justiça. Pode ser que o resultado não agrade, mas o fundamento da justiça não é agradar a este ou aquele e sim dentro do rito e das provas e contraprovas levarem o julgador ao convencimento, convicção de um posicionamento sobre o caso.

Tenho em mente que o tempo em que se jogava uma corda em um galho de árvore e se executava a sentença ali mesmo se foi, hoje vivemos ou pretendemos viver sob a égide da justiça e a justiça prevê ampla defesa e o contraditório, e o voto do magistrado pode conter todas as dúvidas quanto à inocência, mas nenhuma duvida quanto à culpa.

Assim já me dou por satisfeito com o julgamento em si, pois significa a presença da justiça, deixar cair em caducidade seria um escárnio. O resultado pode ou não ir de encontro a minha intuição, mas a minha intuição é só a minha intuição.

Não podemos deixar de louvar o empenho e a determinação dos magistrados em proceder ao julgamento, fazer Justiça.