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29 de outubro de 2010

Uma Campanha Medíocre


Nunca antes na história desse país se viu uma campanha tão chula, pequena, certamente a campanha de síndico de um condomínio é melhor.

A culpa é a deformação do pacto federativo, que concentra no governo federal grande parte dos impostos, fazendo com que ele seja o executor de obras e programas que são de competência de Estados e Municípios. Chequei a escutar de um dos candidatos a presidência, que se eleito iria cobrir doze quadras poli esportivas, isso lá é proposta de um candidato a Presidência da Republica? Ninguém tocou em política externa; defesa nacional,política econômica, industrial, questões de Estado como Justiça; reforma política, trabalhista; tributária,  entre outros programas estruturantes.

Essa deformação estrutural da política brasileira cria mitos e fantasmas, afinal um prefeito ou governador, tem que estar sempre fora do município ou do estado a pedir dinheiro ao estado ou a união, e o governo federal quando faz benfeitorias o faz com o chapéu alheio: como ao isentar o setor automotivo do IPI o governo federal isenta não só a sua parte no imposto que é compartilhado com estados e municípios, ele abre mão de uma pequena parte de sua receita e impacta muito mais nas receitas do município e do estado que na receita da união. Porque ele não isenta do PIS; COFINS ou CSSLL, ou mesmo do IRPJ.

As contribuições sociais que consistem na grande fonte de receitas da União e que não tem vinculação legal, ou seja, não são legalmente partilhadas com estados e municípios conferem a União um poder que ela jamais poderia ter em uma Republica Federativa, o que leva aos mandatários dos estados e municípios menos desenvolvidos a aliarem-se a União para poder receber verbas para seu sustento. O alinhamento não se dá em torno de filosofia, ética, postura política e ou partidária, da-se em torno de verbas, dinheiro, os chamados repasses. E ai o dinheiro começa a fazer um passeio; do cofre da união até o cofre da prefeitura, entra um lobby do prefeito, ou da empreiteira que irá executar a obra, e com isso vem à corrupção e o desperdício.

Os candidatos se apresentam não como chefes de Estado, mas como candidatos a uma vaga de gerente, fazem provas de títulos e apregoam as realizações que executaram e as que irão executar. Poderiam ser contratados por qualquer grande empresa, mas para chefes de Estado, e de um Estado chamado Brasil estão muito aquém!  O cargo de chefe supremo da Nação, não deve ser ocupado por um mestre de obras, tampouco por um tecnocrata cartesiano, e sim por um político maior com visão estratégica  de Estado. Os que se apresentam não têm postura, não tem estofo. É bem verdade que qualquer um é melhor de que o boquirroto falastrão que ora ocupa o posto, mas isso não deveria ser a régua para medir o sucessor.

O Brasil merece mais, merece alguém que possa conduzir o Pais a tornar-se uma Nação, ao acumular a função de chefe de Estado e chefe de Governo, criou-se um grande imbróglio, uma vez que nem sempre há compatibilidade entre as duas funções. O ideal seria a existência das duas figuras ou a redução das funções de chefe de Governo do Presidente, deixando essa função mais ligada aos Governadores e Prefeitos como deve ser uma Republica Federativa, para que possa ser mais chefe de Estado.