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13 de dezembro de 2021

Volume de vendas de Natal deve apresentar redução pelo segundo ano


Mesmo com faturamento maior do que o de 2020, impacto da inflação deve frustrar lucro do varejo

Apesar da normalização do fluxo de consumidores, o volume de vendas no Natal deverá sofrer o segundo recuo consecutivo. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a expectativa é que a principal data comemorativa do varejo brasileiro, que tem representado 22% do total das vendas de dezembro nos últimos dez anos, movimente R$ 57,48 bilhões em faturamento, apresentando um crescimento de 9,8% em relação a 2020. No entanto, o desconto da inflação leva a um ajuste na comparação que indica queda de 2,6%.

O estudo aponta a situação econômica do País como o empecilho para a construção de um cenário mais otimista mesmo com o aumento de pessoas nas ruas. De acordo com monitoramento realizado pelo Google, ao fim da primeira semana de dezembro, a circulação de consumidores em estabelecimentos comerciais superou a quantidade registrada no fim de fevereiro de 2020 (+1,9%), algo inédito desde o início da pandemia. No mesmo período do ano passado, o fluxo de pessoas se encontrava 13,8% abaixo do observado antes da crise sanitária.

Diante do contexto, a entidade projeta que o ramo de hiper e supermercados será o destaque em movimentação financeira no período, representando 38,5% (R$22,11 bilhões) do volume total de vendas. Em seguida, devem aparecer estabelecimentos especializados na comercialização de roupas, calçados e acessórios (35,3% do total ou R$ 20,28 bilhões) e as lojas de artigos de uso pessoal e doméstico (13,2% ou R$ 7,60 bilhões).

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que a expectativa se justifica pela relevância do comércio de alimentos no faturamento anual do varejo brasileiro. “Historicamente, é o principal responsável pela geração de receitas do segmento. O ramo do vestuário aparece em seguida por ser o mais impactado pela data, apresentando, em média, crescimento de 89% nas vendas, na passagem de novembro para dezembro.”

Ceia importada

O cenário econômico também está influenciando a origem e os valores da ceia. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, entre setembro e novembro de 2021, as importações de produtos típicos natalinos cresceram 19% (US$ 436,1 milhões) em relação ao mesmo período de 2020 (US$ 367,2 milhões), alcançando patamar ligeiramente inferior (-1%) ao verificado durante os mesmos três meses em 2019 (US$ 439,6 milhões). A taxa média de câmbio (R$ 5,57) foi praticamente idêntica na comparação com o ano passado (R$ 5,58).

Segundo o economista da CNC responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, a movimentação é resultado do descasamento entre os preços praticados no atacado e no varejo, nos últimos meses. “Os valores no mercado interno vêm sendo reajustados significativamente acima da capacidade de retenção de repasses pelo varejo ao consumidor final. Mas, mesmo tendo recorrido à importação para amenizar esse choque, os preços dos produtos tipicamente natalinos apontam tendência de alta”, avalia.

A cesta composta por esses itens mostra que os valores medidos por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) tendem a apresentar avanço médio de 13,8% nos 12 meses encerrados em dezembro. A única exceção é o bacalhau, que deve contar com queda de 2,6%. No ano passado, puxado pela forte alta dos preços dos alimentos para consumo em domicílio (+18,7%), o reajuste médio da cesta ultrapassou os 15%.

Presentear também deve ficar mais caro. Artigos de maquiagem (+16,4%); aparelhos de TV, som e informática (+14,1%); e artigos de cama, mesa e banho (+13,7%) pressionam o preço médio do conjunto de produtos. Apenas os aparelhos telefônicos (-1,4%) estarão mais baratos do que no ano passado.

Incerteza leva à queda da expectativa de contratações

As perspectivas para contratações também não estão muito animadoras, segundo a pesquisa. Apesar da expectativa da criação de 89,4 mil vagas temporárias para o Natal deste ano, contingente 31% maior do que as contratações para o atípico fim de ano de 2020, o número é inferior às 91,6 mil vagas criadas para a data em 2019.

A incerteza quanto à sustentabilidade do volume de vendas no varejo e seus impactos sobre o nível de atividade no início de 2022 levaram a CNC a rever a projeção feita há três meses, que estimava a abertura de 94,2 mil postos de trabalho temporário. A taxa de efetivação também foi revisada de 12,2% para 4,9%.

A previsão é que maior oferta de vagas (63% do total ou 56,27 mil) ocorra nas lojas de vestuário, calçados e acessórios. Em seguida, tendem a se destacar os segmentos de hiper e supermercados (16,63 ou 19% do total) e lojas de artigos de uso pessoal e doméstico (11,08 mil ou 12% do total). Regionalmente, São Paulo (25,61 mil), Minas Gerais (9,63 mil), Paraná (7,09 mil) e Rio de Janeiro (6,63 mil) oferecerão a maior parte das vagas.

Acesse a análise completa da Divisão Econômica da CNC

 

Foto: GPOintstudio/Freepik

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