O ambiente macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados e inflação persistente, tem dificultado a expansão das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) no Brasil. De acordo com a nova edição do boletim Panorama PME, produzido pela Serasa Experian, o crédito segue como uma das principais demandas do segmento — ao mesmo tempo em que sua obtenção se torna mais difícil.
Segundo o estudo, empresas que acompanham regularmente sua pontuação de crédito apresentam desempenho significativamente melhor no Score PJ, índice que reflete a probabilidade de inadimplência. O número de PMEs que superaram a faixa de 500 pontos — considerada de médio risco — dobra entre aquelas que monitoram o indicador. Já a proporção de empresas que elevaram sua pontuação em 50 pontos ou mais foi 70% maior nesse mesmo grupo.
Crédito em alta e acesso limitado
Mesmo diante de um cenário restritivo, a participação das MPMEs no mercado de crédito tem aumentado. Em janeiro, essas empresas representavam 45,8% das concessões totais. Em abril, o número subiu para 46,3%. No entanto, o Indicador de Condições de Crédito do Banco Central fechou o primeiro trimestre em -0,29, apontando que o custo das operações e as exigências para financiamento seguem elevados.
A inadimplência, por sua vez, cresceu de forma contínua ao longo do ano. Em janeiro, 6,66 milhões de empresas estavam com contas em atraso. Em abril, esse número subiu para 7,12 milhões — um avanço de quase meio milhão de CNPJs em quatro meses.
Mercado de trabalho
As MPMEs criaram 369,3 mil vagas formais no primeiro trimestre de 2025. O melhor desempenho ocorreu em fevereiro, com 250,5 mil postos gerados. Em março, o número caiu para 42,2 mil, sinalizando uma desaceleração após o pico observado no mês anterior.
Especialistas alertam que a manutenção dos juros em patamares historicamente altos — com a taxa básica atingindo 15% em junho — pode manter os critérios de crédito mais rígidos no curto prazo. Com isso, indicadores como o Score PJ tendem a ganhar ainda mais relevância na análise de risco por parte dos credores.
Fonte: e-commerce Brasil
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