Por Adriana Bruno
A reforma tributária sobre o consumo, aprovada no Brasil, representa uma das maiores mudanças no sistema fiscal das últimas décadas e já impacta diretamente o varejo, inclusive empresas de material elétrico, que operam com grande diversidade de produtos, margens variáveis e complexidade fiscal.
O SincoElétrico preparou uma matéria especial esclarecendo as principais dúvidas sobre o tema.
O que é a reforma tributária
A proposta substitui tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI por dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios. O modelo segue o conceito de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), com regras mais uniformes e não cumulatividade plena.
O objetivo central é simplificar o sistema, reduzir a burocracia e dar mais transparência à tributação.
A implementação começa em 2026, com transição gradual até 2033, período em que os dois sistemas coexistirão.
Impactos no varejo de material elétrico
Para esse segmento, os efeitos são relevantes porque envolvem cadeia longa de fornecedores e grande volume de itens tributáveis. Entre os principais impactos estão:
• Mudança na lógica de formação de preços, com base no crédito tributário ao longo da cadeia;
• Necessidade de reclassificação fiscal de produtos (cabos, disjuntores, luminárias, etc.);
• Revisão de sistemas e emissão de notas fiscais com novos campos para IBS e CBS;
• Possível redução ou aumento de carga tributária dependendo do tipo de produto e da cadeia de créditos.
Além disso, o novo modelo tende a eliminar distorções entre estados, o que pode facilitar a expansão de redes varejistas.
Principais dúvidas das empresas
- A carga tributária vai aumentar?
Depende. A alíquota estimada do novo IVA (CBS + IBS) pode ficar entre 26,5% e 28%, mas o impacto real varia conforme a capacidade de aproveitamento de créditos.
- Como fica o crédito de impostos?
O sistema será totalmente não cumulativo, permitindo recuperar créditos ao longo da cadeia, algo positivo para varejistas com muitos insumos.
- O que muda na prática em 2026?
As empresas já precisarão adaptar sistemas e emitir notas fiscais com destaque de IBS e CBS, mesmo que inicialmente com caráter informativo.
- Haverá aumento de complexidade?
No curto prazo, sim. Durante a transição, será necessário operar dois sistemas simultaneamente, exigindo investimento em tecnologia e compliance.
- Como ficam incentivos fiscais atuais?
Benefícios, especialmente de ICMS, serão gradualmente extintos, o que exige revisão do planejamento tributário .
Conclusão
Para o varejo de material elétrico, a reforma traz oportunidades de simplificação e ganho de eficiência no longo prazo, mas exige preparação imediata. Empresas que investirem em tecnologia, revisão de cadastros e planejamento tributário tendem a sair na frente em um cenário mais transparente, porém inicialmente mais desafiador.
Fontes e referências: Receita Federal, Fenacon, JOTA, FecomercioSP, Sindilojas-SP, Confirp Contabilidade, Tax Group, Thomson Reuters.
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