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O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) encerrou o primeiro trimestre de 2023 no menor nível desde julho de 2021, atingindo 112,34 pontos em março, redução mensal de 1,6%, descontados os efeitos sazonais. Essa foi a quarta queda consecutiva do índice, apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Entre os indicadores, o destaque do mês foi, novamente, a queda de 7,6% da avaliação das condições atuais, a mais intensa retração desde julho de 2020, ainda no início da pandemia de covid-19. Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, embora a atividade econômica e as vendas no varejo tenham desacelerado, os comerciantes estão enfrentando os desafios com resiliência. “A inflação tem sido um fator persistente, assim como algumas incertezas e turbulências no mercado de crédito, exigindo que as empresas do setor real empreendam esforços para superar esses obstáculos nos próximos meses”, afirma Tadros.

Avaliação da maioria é que a economia piorou

Entre os varejistas, 58,1% consideram que o desempenho da economia está pior do que no mesmo período do ano passado. Por conta disso, a queda do índice de avaliação das condições econômicas atuais superou os dois dígitos na variação mensal, -16,1%. O indicador intensificou-se na zona de insatisfação, na casa dos 81,8 pontos. Na comparação anual, a queda mais intensa se deu na avaliação das condições do comércio (-6,9%), com o indicador também abaixo da zona de satisfação (93,8 pontos).

Com a inflação fora da meta e os juros elevados, 51% dos comerciantes estão frustrados em relação às condições para operação e ao volume de vendas. “Essa proporção vem crescendo desde novembro do ano passado e passou a representar a maioria dos entrevistados em março”, aponta a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira.

Grandes varejistas estão menos confiantes

Em março, a confiança dos comerciantes caiu mais entre o grupo de empresas de grande porte, 3,7%, mas segue na zona de otimismo, com 117,7 pontos. “A crise no crédito tem afetado o grande varejo nos últimos meses, com menor disponibilidade de recursos e juros altos. Esse contexto influencia negativamente a confiança dos agentes e do mercado no setor e nas empresas que operam em diferentes segmentos do varejo”, explica a economista da CNC.

Os tomadores de decisão das empresas com mais de 50 funcionários são também os que apontam maior queda da pretensão de investir nos negócios em março, com redução de 2,1%, bem como da intenção de contratar novos talentos, indicador que teve queda de 4,1%.

Todos os segmentos devem reduzir investimentos

Segundo Izis Ferreira, a piora na avaliação das condições presentes e nas expectativas para o curto prazo está levando os comerciantes a redimensionar os planos de investimento. O indicador que mede as intenções de investimento atingiu 101,5 pontos, o menor patamar em 20 meses.

“Os juros altos alavancaram os negócios, e o grande varejo segue em alerta para uma crise de crédito no setor”, ressalta a economista. O Icec apontou que a disposição de investir no capital físico e na expansão dos negócios é a menor em 18 meses; 49,9% dos tomadores de decisão afirmaram, inclusive, que reduzirão esses investimentos, independentemente do segmento.

Alimentos e bebidas mais caros desanimam

A intenção de investir dos varejistas de supermercados, farmácias e cosméticos apresentou redução mais intensa do que os demais comerciantes em março, na ordem de 4,2%. “Eles não vislumbram melhora adicional significativa da inflação neste ano, que tem desacelerado, mas os preços de alimentos e bebidas em geral ainda acumulam altas próximas de dois dígitos”, pontua Izis Ferreira. Esse grupo de produtos, inclusive, sofre com reajustes acima da média geral, especialmente por conta de questões climáticas que afetaram as plantações, bem como pela alta dos preços dos combustíveis que reverberou nos preços de fretes e embalagens.

Esse grupo de comerciantes é o que aponta a menor intenção de renovar estoques, indicador que teve queda de 1,6% e chegou à casa de 84,8 pontos, na zona pessimista.

De acordo com a economista, as pressões persistentes nos preços também incomodam o varejo de saúde e cuidados pessoais, que não tem conseguido repassar ao consumidor final parte desse aumento dos custos, reduzindo ainda mais as margens de lucro.

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Foto: Freepik