Sincoelétrico e Gesset promovem palestra sobre NR-1 e destacam inclusão dos riscos psicossociais nas empresas

Por Adriana Bruno Em parceria com a Gesset, o Sincoelétrico realizou, ontem, uma palestra voltada à atualização da NR-1, com foco na inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. A condução do encontro ficou a cargo da psicóloga Tatiana Cristina da Silva, que destacou o avanço dos transtornos mentais no Brasil como um dos principais fatores que motivaram a atualização da norma. “A depressão e a ansiedade já vinham crescendo antes mesmo da pandemia, e os afastamentos por transtornos mentais têm aumentado de forma significativa no país”, afirmou. Durante a palestra, Tatiana explicou a diferença entre saúde mental e risco psicossocial, ponto central para a correta aplicação das diretrizes da NR-1. “A saúde mental envolve diversos fatores — sociais, emocionais e também relacionados ao trabalho. Já o risco psicossocial está diretamente ligado à forma como o trabalhador enfrenta os fatores estressores no ambiente profissional e como a empresa lida com essa realidade”, explicou. Segundo ela, situações como falhas de comunicação, ausência de suporte, má gestão, metas abusivas e práticas como assédio moral e discriminação são exemplos claros de riscos psicossociais. “Tudo que gera humilhação, conflito ou desconforto que ultrapassa a normalidade do ambiente de trabalho precisa ser observado. Nem toda cobrança é um risco, mas tudo que é abusivo precisa ser tratado como tal”, ressaltou. A especialista também chamou atenção para os impactos físicos desses fatores. “O risco psicossocial pode se tornar psicossomático, ou seja, o sofrimento emocional acaba se manifestando no corpo”, disse. Outro ponto destacado foi a necessidade de um olhar estratégico por parte das empresas. “É fundamental conhecer o ambiente organizacional, ouvir os colaboradores e entender suas expectativas. Sem isso, não há como mapear corretamente os riscos”, afirmou. A NR-1 determina que os riscos psicossociais devem estar formalmente incluídos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). “Não basta reconhecer o risco psicossocial. Precisamos tratá-lo como qualquer outro risco ocupacional: identificar, avaliar, registrar, agir e monitorar continuamente”, enfatizou Tatiana. Ela reforçou ainda a importância da integração entre o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o PGR. “Sem o GRO, falta direção. Sem o PGR, falta execução. Os dois precisam caminhar juntos”, pontuou. A criação de canais de escuta dentro das empresas também foi apontada como essencial. “Os colaboradores precisam se sentir seguros para se expressar. Canais de denúncia e comunicação são o primeiro passo quando o problema aparece”, destacou. Outro alerta importante diz respeito à fiscalização. Embora as penalidades tenham sido postergadas, a inspeção já tem data para começar. “O adiamento é das multas, não da fiscalização, que se inicia em 26 de maio. As empresas precisam estar preparadas”, afirmou. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a NR-1 estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho e orienta a implementação do GRO e do PGR, exigindo que as empresas identifiquem perigos, avaliem riscos e adotem medidas preventivas e corretivas. A inclusão dos riscos psicossociais reforça uma abordagem mais ampla e alinhada às práticas internacionais de saúde ocupacional. Encerrando a apresentação, Tatiana foi enfática: “Sem registro, ação e monitoração, não há conformidade. E sem suporte técnico, não há gestão eficaz de riscos”. Foto: Freepik