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Alta do diesel pressiona custos do comércio e reforça atenção do setor à próxima decisão do Copom, avalia CNC

O reajuste de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, anunciado pela Petrobras, reacendeu a preocupação de setores produtivos com os custos logísticos no país. Considerando a mistura obrigatória de biodiesel, o impacto estimado no preço do combustível comercializado nos postos é de cerca de R$ 0,32 por litro. O diesel é o principal insumo do transporte rodoviário de cargas, responsável mais de 60% da movimentação de mercadorias no Brasil. Por isso, variações no preço do combustível tendem a se refletir em toda a cadeia de abastecimento. Para o comércio de bens, serviços e turismo, o aumento tende a pressionar despesas operacionais ao longo das cadeias de abastecimento, com efeitos sobre fretes, distribuição e formação de preços. O impacto é particularmente relevante para atividades que dependem intensamente do transporte de mercadorias, como o comércio varejista, o atacado e a distribuição. O setor de turismo também acompanha os desdobramentos, já que o diesel é um dos principais custos do transporte rodoviário de passageiros. Além do impacto direto sobre as empresas, o reajuste também pode influenciar as expectativas inflacionárias no curto prazo. O movimento ocorre poucos dias antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para 18 de março, quando o Banco Central do Brasil definirá o rumo da taxa básica de juros. A evolução dos preços de combustíveis costuma ser observada de perto pelos analistas por seus efeitos indiretos sobre diversos setores da economia, especialmente aqueles com forte dependência logística. Segundo o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, a alta recente dos combustíveis ocorre em um contexto internacional mais amplo. “A recente volatilidade no mercado global de energia, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e a consequente alta do barril de petróleo para patamares superiores a US$ 100, gera reflexos profundos e multifacetados na economia brasileira”, afirma. O impacto vai além dos custos imediatos. “Esses efeitos produzem pressões inflacionárias preocupantes, já que o item ‘transportes’ responde por 20% da inflação. Esse impacto não é apenas estático, mas também dinâmico, pois as variações nos preços dos combustíveis se espalham rapidamente pelos demais preços.” Bentes destaca ainda que esse cenário influencia diretamente a atuação da política monetária. “Na tentativa de neutralizar tais efeitos, o Copom utiliza a política monetária como instrumento de estabilização, produzindo efeitos colaterais que freiam o ritmo da atividade econômica.” A dinâmica dos custos logísticos é um fator relevante para o desempenho do comércio e dos serviços, uma vez que afeta tanto as margens das empresas quanto o poder de compra dos consumidores. A Confederação segue atenta ao tema que influencia diretamente segmentos como logística, turismo e distribuição de mercadorias. Fonte: CNC Foto: Freepik

Entenda o que é a Selic, por que ela está em 15% e como isso afeta a economia

A taxa Selic foi mantida em 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na primeira reunião de 2026. A decisão ocorre em um contexto de inflação ainda desafiadora e de desaceleração da atividade econômica, com impactos diretos sobre consumo, crédito e investimentos. A seguir, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) explica de forma objetiva o papel da Selic e seus efeitos sobre a economia real. O que é a Selic e por que está em 15%? A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve de referência para todas as demais taxas praticadas no país, como juros de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e aplicações financeiras. Definida pelo Banco Central do Brasil, a Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado para controlar a inflação. Quando a taxa sobe, o crédito tende a ficar mais caro e o consumo diminui; quando cai, o crédito fica mais acessível, estimulando a atividade econômica. A manutenção da Selic em patamar elevado reflete o esforço da autoridade monetária para conter a inflação e manter as expectativas inflacionárias sob controle. Juros mais altos reduzem a circulação de dinheiro na economia, ajudando a conter a pressão sobre os preços. Além disso, a taxa básica também incorpora fatores relacionados ao ambiente macroeconômico, como o nível de confiança dos agentes econômicos, a trajetória das contas públicas e o cenário internacional. Em contextos de maior incerteza, a política monetária tende a ser mais cautelosa. Efeitos para a economia Com juros elevados, o crédito fica mais caro para famílias e empresas. Isso reduz a disposição para compras parceladas e investimentos, impactando diretamente o comércio, os serviços e o turismo. Desde o início do atual ciclo de alta e manutenção da Selic, dados da CNC indicam desaceleração do varejo e avanço da inadimplência, especialmente entre famílias e micro e pequenas empresas. Esse cenário compromete o ritmo de vendas, a geração de empregos e a sustentabilidade dos negócios. A Selic elevada aumenta o custo de captação dos bancos, que tendem a repassar esse custo aos consumidores. Como consequência, empréstimos e financiamentos ficam menos acessíveis, o que limita investimentos produtivos e amplia dificuldades financeiras. Para setores intensivos em crédito, como comércio e serviços, a manutenção prolongada de juros altos tende a reduzir a atividade econômica e postergar decisões de expansão. Previsibilidade fiscal Segundo a CNC, o controle da inflação é fundamental, mas seus custos sobre a economia real aumentam quando a política monetária precisa atuar de forma isolada. Medidas que reforcem a previsibilidade das contas públicas e aumentem a eficiência do Estado contribuem para reduzir riscos econômicos e criar um ambiente mais favorável à flexibilização dos juros ao longo do tempo. A Confederação destaca que a coordenação entre política monetária e política fiscal é essencial para permitir uma redução sustentável da Selic, preservando a estabilidade de preços sem comprometer o crescimento econômico. A expectativa é que, com avanços no ambiente macroeconômico e maior previsibilidade fiscal, seja possível iniciar um ciclo de redução dos juros ainda em 2026. A entidade alerta que a permanência prolongada de taxas muito elevadas pode aprofundar a desaceleração da atividade econômica e ampliar os desafios para empresas e consumidores. Clique aqui e leia na íntegra a nota com o posicionamento da CNC sobre a manutenção da taxa Selic em 15%, decidida pelo Copom em 28/01/2026. foto: Freepik