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Este dezembro deverá ser o melhor da história do comércio paulista em temos de faturamento, que deve alcançar R$ 119,7 bilhões [tabela 1], o que representa uma alta de 5% em comparação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Farmácias e perfumarias, que tiveram desempenhos positivos durante todo o ano, vão faturar mais de R$ 11,3 bilhões em dezembro, crescendo suas receitas em 17%. Na esteira das compras de fim de ano, as lojas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos também vão aumentar as vendas em 12%. 
 

[TABELA 1]

ESTIMATIVA DE FATURAMENTO DO VAREJO PAULISTA EM DEZEMBRO 2023

Elaboração: FecomercioSP

Embora já seja possível notar uma leve desaceleração da atividade econômica no país, há uma série de fatores positivos que vão estimular o consumo dos paulistas em dezembro. O principal deles tem a ver com o mercado de trabalho. 

Só em outubro, o Brasil gerou pouco mais de 190 mil empregos com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). O número foi acima das expectativas do mercado para o mês. Só em São Paulo foram quase 70 mil novas vagas. Além disso, a taxa de desocupação, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 7,6% de agosto a outubro – a menor desde 2015. Em outras palavras, com mais gente empregada, a tendência é de aumento no consumo.

Outro fator que vai impactar nas vendas do mês é a oferta de concessão de crédito. De acordo com o Banco Central (Bacen), o saldo das operações com recursos livres para pessoas físicas cresceu 5,1% de janeiro a setembro. Tudo isso sem contar o ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic), que tende a baratear algumas linhas de financiamento. 

Mas, para a Federação, o fator que mais elevará as vendas do varejo é a injeção dos recursos do décimo terceiro salário na economia. O valor será superior aos dos anos anteriores justamente por causa do aumento dos empregados formais com direito ao benefício. Pelos cálculos da Entidade, R$ 85,1 bilhões serão colocados em circulação na economia no Estado de São Paulo, montante R$ 10,3 bilhões superior ao ano passado, e que serão destinados, principalmente, para pagamento de dívidas e despesas comuns desse período.

Mas o cenário não é apenas positivo: o elevado nível do endividamento das famílias, na casa dos 75%, além da inadimplência que se mantém em patamares historicamente altos desde a pandemia, pode inibir o comprometimento da renda futura com as compras. 

Foto: Freepik