Varejo restrito recua 0,1% em junho, e CNC projeta recuperação em julho

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de junho de 2025, divulgada em 13 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou recuo de 0,1% no volume de vendas no varejo restrito frente a maio. O resultado ficou abaixo das expectativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que projetava alta de 0,3%, e do mercado, que estimava crescimento de 0,8%. Esse é o terceiro mês seguido de queda, após o indicador atingir, em março, o maior nível da série histórica. No acumulado de 12 meses, a alta é de 2,7%, abaixo dos 3,3% observados no mesmo período de 2024, sinalizando um desaquecimento gradual depois do avanço robusto do ano passado. A CNC avalia que, embora a perda de fôlego seja lenta, já é possível identificar impactos do cenário macroeconômico mais restritivo no consumo, especialmente no crédito, que permanece caro e seletivo. Comércio ampliado tem queda mais acentuada O comércio varejista ampliado, que inclui as vendas de veículos, motos, partes e peças, além de material de construção, apresentou retração de 2,5% frente a maio e crescimento de 2,0% em 12 meses. O segmento de material de construção recuou 2,6% no mês, enquanto o de veículos, motos, partes e peças caiu 1,8%. Para a CNC, esses setores são mais sensíveis à alta da taxa básica de juros (Selic), pois envolvem produtos de maior valor e comprometimento da renda, levando famílias a postergar decisões de compra. O custo de crédito, divulgado pelo Banco Central, reforça esse cenário, com taxas elevadas que inibem o consumo de bens duráveis e semiduráveis. Desempenho por grupos no varejo restrito Cinco dos oito grupos pesquisados no varejo restrito apresentaram retração em junho. O destaque negativo foi o setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com queda de 2,7%, um movimento que, segundo o IBGE, pode ser explicado pela base de comparação elevada de maio, quando o segmento cresceu 3%. O setor de móveis e eletrodomésticos recuou 0,7%, também pressionado pelo encarecimento do crédito. Hipermercados e supermercados, que respondem por quase metade do indicador restrito, registraram queda de 0,5%. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ajustado sazonalmente, o grupo de alimentação e bebidas subiu 0,15% no mês e acumula alta de 3,45% no ano. Foi o terceiro mês seguido de estabilidade ou queda das vendas no setor, mas a deflação de 0,16% na alimentação em domicílio registrada em julho pode indicar recuperação na próxima divulgação. Setores em alta e sinais de reversão Após três meses de retração, o grupo de combustíveis e lubrificantes apresentou alta de 0,3% em junho. A queda acumulada dos preços dos combustíveis, observada de abril a julho, contribuiu para esse resultado. A Confederação avalia que este cenário deve continuar influenciando positivamente o volume negociado nos próximos meses. No recorte das importações, a CNC segue monitorando a entrada de produtos chineses no Brasil, especialmente no segmento industrial. A análise é feita com base nos dados da Comex, com seleção baseada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), excluindo categorias agropecuárias. Embora o impacto direto da guerra tarifária entre Estados Unidos e China seja difícil de medir, as oscilações de preços e quantidades de produtos importados já refletem mudanças no ambiente comercial global. Perspectivas para julho Para o próximo mês, a CNC projeta crescimento de 0,17% na série do varejo restrito com ajuste sazonal e alta de 1,8% no acumulado de 2025. A expectativa é que a desaceleração da inflação, especialmente dos preços de alimentos, e a manutenção da tendência positiva em combustíveis possam sustentar uma leve recuperação. No entanto, a entidade alerta que, sem melhora das condições de crédito e do ritmo de geração de empregos, o avanço tende a ser limitado. Confira a análise completa aqui. Foto: Freepik
Retomada do consumo estimula mercado de trabalho, de acordo com a FecomercioSP

Após consecutivas quedas no primeiro trimestre, o mercado de trabalho consolidou resultados positivos, incentivado pelo reaquecimento do consumo. Segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Comércio no Estado de São Paulo registrou saldo positivo de 8.704 vagas no mercado formal de trabalho, resultado de 152.029 admissões e 143.325 desligamentos em maio [tabela 1]. Entre janeiro e maio, o saldo de empregos acumulou 15.992 vagas. [Tabela 1]Movimentação do Emprego Celetista no Comércio do Estado de São Paulo Maio de 2025 De acordo com a FecomercioSP, a recuperação estrutural se mostrou mais sólida em maio, revelando um aumento gradual da demanda, estimulada por ajustes de estoques e promoções. Com isso, as expectativas para um segundo semestre positivo aumentam, apesar de o cenário econômico ainda apresentar entraves, como as taxas de juros elevadas. O varejo apresentou retomada significativa ao abrir 6.042 postos de trabalho em maio, revertendo o saldo negativo acumulado no ano até abril, que passou a ser levemente positivo em 138 empregos celetistas, gerados nos primeiros cinco meses do ano. Durante o primeiro trimestre, o segmento fez um ajuste no quadro de funcionários e voltou a contratar a partir de abril e maio, com a chegada das datas comemorativas Em termos absolutos, o atacado segue sendo o líder de expansão, com 9.927 empregos gerados entre janeiro e maio. Já o setor de veículos acumula 5.927 postos no ano, mantendo a trajetória de crescimento, incentivada provavelmente pelo aumento da concorrência, que gerou ações comerciais com ofertas atrativas para os consumidores, além de lançamentos e novidades nesse mercado. Serviços lidera crescimento de empregos no EstadoA atividade de serviços abriu 18.813 postos formais em maio, resultado de 384.448 admissões e 365.635 desligamentos. No acumulado do ano, registrou saldo de 169.723 vagas líquidas. [Tabela 2]Movimentação do Emprego Celetista nos Serviços do Estado de São Paulo Maio de 2025 Os números confirmam que a retomada do setor está amplamente distribuída, com forte presença de segmentos operacionais, técnicos e assistenciais. Atividades de saúde, educação e transportes seguem relevantes no saldo total. Comércio da capital paulista se recuperaAssim como no Estado, o Comércio paulistano também exibiu saldo positivo, com a geração de 2.742 vínculos celetistas, resultado de 43.617 admissões e 40.875 desligamentos. O estoque total de empregos formais no setor subiu para 917.629 vínculos ativos [tabela 3]. [Tabela 3]Movimentação do Emprego Celetista no Comércio na Capital PaulistaMaio de 2025 Segundo a FecomercioSP, a sequência de dois meses com saldos favoráveis, após um primeiro trimestre estagnado, reforça a hipótese de estabilidade, com recontratações e ajustes operacionais pós-sazonais. No acumulado entre janeiro e maio, o Comércio paulistano gerou 5.994 vagas, sendo 214.228 admissões frente a 208.234 desligamentos [tabela 4]. Com esse resultado, a capital reverteu o sinal negativo do acumulado do primeiro quadrimestre, afastando-se do patamar crítico e caminhando para uma recuperação em curto e médio prazos. [Tabela 4]Movimentação do Emprego Celetista no Comércio na Capital PaulistaAcumulado do ano Capital gera quase 6 mil vagas nos ServiçosNa capital paulista, os Serviços geraram 5.994 empregos com carteira assinada em maio, resultado de 165.085 admissões e 159.091 desligamentos no período. Apesar de o saldo ser inferior ao de abril, quando foram abertas 9.145 vagas, o desempenho segue positivo e reforça a recuperação do mercado formal de trabalho [tabela 5]. [Tabela 5]Movimentação do Emprego Celetista nos Serviços da capital paulistaMaio de 2025A recuperação tem se mostrado ampla e diversificada, com destaque para setores estruturais — como educação, saúde e logística —, além de segmentos que exigem mais qualificação e apostam em inovação. No acumulado do ano, São Paulo já registra a criação de mais de 45 mil postos formais, puxada por áreas estratégicas, como Saúde, Educação, Serviços Administrativos, Transporte e Tecnologia. Com esse ritmo, a capital paulista volta a exercer protagonismo na geração de empregos no setor terciário, apoiada na reorganização produtiva, na retomada da demanda e em expectativas empresariais mais estáveis. Foto: Freepik
CNC apresenta propostas para tornar reforma tributária mais eficiente

De 4 a 8 de agosto, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, em Brasília, do Fórum de Diálogo da Regulamentação da Reforma Tributária, organizado pela Receita Federal. Representada pelo consultor tributário Gilberto Alvarenga, a entidade integrou painéis dedicados à primeira fase da reforma, que trata da tributação sobre o consumo. Durante os debates, a CNC apresentou sugestões para que a implementação da reforma seja mais eficiente e favorável ao desenvolvimento econômico do País. Propostas Entre as propostas, destacam-se ajustes na relação entre o Simples Nacional, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS); a criação de um documento fiscal eletrônico unificado; a concessão de créditos para projetos voltados à baixa emissão de carbono; a redução de alíquotas para medicamentos essenciais; a compensação de benefícios fiscais extintos; e mais garantias na análise de créditos tributários. Para a CNC, as proposições visam reduzir a complexidade, estimular a competitividade e garantir segurança jurídica para empresas e empreendedores. Fonte e foto: CNC
Receita Federal oferece nova chance para empresas quitarem dívidas com desconto de até 70%

Empresas que possuem dívidas tributárias em discussão administrativa junto à Receita Federal têm uma nova oportunidade de regularizar sua situação com condições especiais. A Portaria RFB nº 555/2025, publicada recentemente, regulamenta a transação tributária no âmbito do contencioso administrativo fiscal, permitindo acordos que podem aliviar de forma significativa o caixa das companhias. A medida prevê descontos que podem chegar a 70% sobre multas e juros, além de parcelamento em até 120 meses para contribuintes em geral e até 145 meses para microempreendedores individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). “Essa portaria amplia as ferramentas de negociação entre contribuinte e fisco, trazendo mais flexibilidade para empresas que precisam se reorganizar financeiramente sem esperar que o débito avance para a fase judicial”, explica Thiago Santana Lira, sócio da Barroso Advogados Associados. Entre os principais atrativos está a possibilidade de usar créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL — comuns no histórico de muitas empresas — e também precatórios federais líquidos (já reconhecidos judicialmente) para reduzir o montante devido. Outro destaque é a transação individual simplificada para débitos entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões ainda em discussão administrativa. Nessas situações, a empresa pode apresentar uma proposta própria e negociar diretamente com a Receita Federal condições que melhor se ajustem ao seu fluxo de caixa. “Antes, a empresa tinha que aderir apenas às condições gerais fixadas pela Receita. Agora, para débitos de valor intermediário, existe abertura para negociar um plano de pagamento específico, o que aumenta a chance de chegar a uma solução realmente viável”, completa Thiago Lira. A adesão deve ser feita pelo contribuinte no Portal e-CAC, de acordo com os editais que a Receita Federal irá divulgar detalhando prazos e modalidades. Modelo busca prevenir litígios e dar fôlego às empresas Prevista no artigo 171 do Código Tributário Nacional, a transação tributária só começou a ser efetivamente utilizada em 2020, com a Lei nº 13.988/2020, e vem sendo consolidada como uma política importante para estimular a regularidade fiscal. “É um modelo que busca reduzir litígios, desjudicializar discussões tributárias e permitir que as empresas encontrem soluções proporcionais à sua capacidade de pagamento. Isso é positivo para todos: o fisco recupera créditos mais rápido e as empresas ganham previsibilidade financeira”, destaca Thiago. Além de reduzir custos com honorários, garantias e depósitos judiciais, a medida ajuda as empresas a evitar que a dívida avance para cobrança judicial, que pode resultar em bloqueio de bens e contas. Também contribui para melhorar o perfil financeiro das empresas, o que facilita o acesso a crédito e permite um planejamento de caixa mais equilibrado. Planejamento é essencial para não trocar dívidas por novos problemas Apesar das vantagens, especialistas reforçam que aderir ao programa de parcelamento requer cautela. Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade, alerta para a importância de um estudo detalhado antes de fechar o acordo: “Por mais que as condições sejam atraentes, é fundamental que a empresa faça um planejamento cuidadoso para garantir que as parcelas ou o pagamento único caibam no seu orçamento, evitando comprometer a saúde financeira no futuro. É necessário olhar para toda a vida financeira e identificar quais débitos devem realmente entrar no programa. Muitas vezes, as pendências não são intencionais, mas decorrem de descuidos, como o não pagamento de uma guia. No entanto, a falta de ação pode trazer consequências graves.” Para finalizar, Thiago recomenda que as empresas procurem suas assessorias contábil e jurídica para mapear os débitos, analisar requisitos e escolher a modalidade mais adequada. “Cada caso é único, e entender bem os detalhes faz toda a diferença para transformar a oportunidade em um alívio real para o negócio.” Foto: Reprodução site da Receita Federal
Empresas têm até 8 de agosto para regularizar a RAIS

As empresas têm até 8 de agosto de 2025 para regularizar a entrega da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e fica o alerta: deixar a obrigação para depois pode custar caro. O advogado Gilson de Souza Silva, especialista em Direito do Trabalho e sócio do Comparato, Nunes, Federici & Pimentel Advogados (CNFLaw), destaca que o descuido com a RAIS pode gerar multas, sanções administrativas e até prejudicar o acesso a benefícios fiscais e financiamentos. “A RAIS não é apenas uma formalidade burocrática. Ela serve como base para o governo verificar o cumprimento de obrigações trabalhistas, como o pagamento do abono salarial, além de alimentar sistemas como o eSocial”, explica o advogado. O que é a RAIS? Criada para reunir dados sobre o mercado de trabalho formal no Brasil, a RAIS contém informações como salários, vínculos empregatícios, admissões e desligamentos. Ela é fundamental para garantir a transparência nas relações de trabalho e assegurar que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados. “Uma entrega correta e pontual da RAIS contribui para que o eSocial funcione de forma mais eficiente, evitando multas, penalidades ou problemas na regularização de obrigações acessórias. Em resumo, manter a RAIS em dia e com informações corretas ajuda a evitar problemas futuros, garante a conformidade legal e promove uma relação mais transparente entre empregadores, trabalhadores e o governo”, afirma Gilson de Souza Silva. E, atenção, o descumprimento do prazo ou a omissão de informações pode levar a multas que variam conforme a gravidade e o tempo de atraso. “No que diz respeito ao aspecto financeiro, as multas por atraso ou omissão podem se transformar em um custo extra para a empresa, além de prejudicar sua reputação diante de órgãos reguladores e instituições financeiras. Por isso, é sempre uma boa prática manter a regularidade na entrega da RAIS, evitando esses riscos e garantindo a conformidade com as obrigações legais”, informa o especialista. Além disso, a ausência de informações pode afetar a regularidade fiscal e trabalhista, dificultando a participação da empresa em licitações e outras oportunidades comerciais. Segundo o advogado, empresas que passaram por reestruturação, fusão ou encerramento devem estar ainda mais atentas à RAIS. A recomendação é revisar cuidadosamente os dados cadastrais, vínculos empregatícios e períodos de referência, e buscar orientações específicas junto ao governo ou profissionais da área. “Nesses casos, qualquer erro ou omissão pode comprometer não só a entrega da RAIS, mas também gerar problemas na base do eSocial, o que impacta todas as demais obrigações trabalhistas da empresa”, alerta o especialista. Como se organizar para evitar erros? Empresas com grande volume de movimentações no quadro de pessoal devem adotar processos automatizados e rotinas bem definidas, como: uso de softwares integrados para folha de pagamento e geração da RAIS; atualização contínua das informações de empregados; treinamento das equipes de RH e departamento pessoal e cronogramas internos de verificação dos dados antes do envio final. “A organização é a chave para evitar erros. Com processos estruturados e equipe capacitada, a empresa cumpre suas obrigações legais e ainda reforça sua governança corporativa”, conclui Gilson de Souza Silva. Serviço:Prazo final para regularização da RAIS: 8 de agosto de 2025Acesse: gov.br/trabalho-e-emprego Foto: Freepik
Inadimplência cresce em São Paulo e atinge maior nível em 16 meses

A inadimplência entre as famílias da capital paulista atingiu, em julho, o maior patamar desde abril de 2024, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O porcentual de lares inadimplentes passou de 21,6%, em junho, para 22,1%, em julho, superando o índice de 19,9% registrado no mesmo mês do ano passado. Com a alta, o número absoluto de lares com contas em atraso chegou a 905,7 mil. O aumento foi observado em todas as faixas de renda analisadas. Como era esperado, as famílias com menores rendimentos mostraram mais vulnerabilidade, pressionadas pelos juros elevados e pela inflação. Entre as casas que ganham até dez salários mínimos, a inadimplência subiu de 26,1% para 26,5%. Já no grupo com renda superior a esse valor, o índice passou de 10,5% para 11,3%. Outro dado relevante captado pela pesquisa é o porcentual de lares que não conseguirão quitar as dívidas: 9,1% em julho, ante 9% em junho. Em relação ao mesmo período de 2024, houve crescimento — eram 8,2% há um ano, o que representa um acréscimo de quase 40 mil famílias. O tempo médio de atraso também aumentou, de 61,6 para 62,1 dias.Inadimplência cresce, endividamento recua A despeito da alta na inadimplência, o número de famílias endividadas na capital recuou em julho, interrompendo uma sequência de aumentos. O porcentual de lares com dívidas caiu de 71,4% para 70,9%, o que representa cerca de 2,9 milhões de famílias. O cartão de crédito continua sendo o principal fator de endividamento, presente em 80% dos lares, seguido pelo financiamento imobiliário (15,7%). Ainda que de não tenha demonstrado uma mudança expressiva na comparação mensal, há um ano, o uso do cartão de crédito se mostrava mais dominante, com 86% de incidência. O crédito pessoal, por sua vez, que ocupava a segunda posição em 2024 com 15,4%, caiu para 11,9%. Segundo a FecomercioSP, o aumento nos financiamentos de longo prazo, como os de carro e imóvel, indica que as restrições do sistema financeiro estão mais concentradas nas modalidades de curto prazo. Por faixa de renda, o endividamento continua mais alto entre as famílias que ganham até dez salários mínimos: 75% em julho, ante 76% no mês anterior. No grupo com renda superior, houve leve alta de 58% para 58,8%. No comparativo anual, os comportamentos se invertem. Entre os de menor renda, o endividamento aumentou em relação aos 73,6% de julho de 2024; já entre os de maior renda, houve queda em comparação aos 61,1% registrados há um ano. O comprometimento da renda com dívidas também caiu em julho, chegando a 27% — o menor nível desde fevereiro, ainda dentro da faixa considerada ideal, de até um terço da renda. A intenção de contrair crédito também diminuiu, passando de 13,6%, em junho, para 12,7%, em julho, bem abaixo dos quase 20% registrados no início do ano. Dentre os que ainda planejam buscar crédito, 10,3% pretendem usar o recurso para quitar dívidas e 5%, para o pagamento de contas. Quanto à forma de pagamento mais vantajosa, o cartão de crédito parcelado lidera, com 26%, seguido de perto pelo PIX, com 25,7%. Segundo a FecomercioSP, apesar do avanço da inadimplência, os dados indicam que as condições de renda estão gradualmente melhorando, com atrasos concentrados no curto prazo e baixo comprometimento da renda. Além disso, o mercado de trabalho aquecido e a inflação mais controlada devem ajudar a conter a deterioração do cenário financeiro das famílias. Foto: Freepik
MEI que não entregou declaração anual paga multa mínima de R$ 50

O Microempreendedor Individual (MEI) que não entregou a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) até o prazo oficial de 31 de maio de 2022 está sujeito ao pagamento de multa por atraso. O envio da declaração ainda pode ser feito, mas o contribuinte será automaticamente multado em 2% ao mês de atraso, com valor mínimo de R$ 50 e limite de 20% sobre o valor total dos tributos declarados. A entrega fora do prazo já gera acréscimo automático de encargos. Para um MEI que enviar a declaração nesta quinta-feira, 1º de agosto, o valor da multa será de: R$ 50, valor mínimo previsto, correspondente a dois meses de atraso (junho e julho). A multa é calculada com base no mês-calendário seguinte ao vencimento. Como o vencimento foi em 31 de maio, o atraso conta a partir de junho, acumulando 2% por mês ou fração. Portanto, em 1º de agosto seriam 2% x 2 meses = 4% sobre o valor dos tributos declarados. Como esse percentual resulta em valor inferior ao mínimo legal, aplica-se a multa mínima de R$ 50. Declaração é obrigatória mesmo para MEI inativo A DASN-SIMEI é obrigatória para todo MEI que teve CNPJ ativo em qualquer período do ano-calendário de 2021, ainda que não tenha tido faturamento ou emitido nota fiscal. A declaração deve informar o faturamento bruto do ano anterior e se houve ou não a contratação de empregado. O envio da DASN é feito exclusivamente pelo Portal do Simples Nacional ou pelo aplicativo MEI, e, logo após o envio, o sistema emite automaticamente a guia de multa (DARF) para pagamento. Consequências do atraso na declaração anual Deixar de entregar a declaração anual do MEI pode gerar uma série de consequências administrativas e financeiras, como: Como regularizar a DASN-SIMEI em atraso Para enviar a declaração e regularizar sua situação, o MEI deve seguir os seguintes passos: Multa pode ser reduzida se paga em até 30 dias Segundo a Receita Federal, o valor da multa por atraso na entrega da DASN-SIMEI pode ser reduzido em 50% se o pagamento for realizado em até 30 dias após a emissão da guia. Ou seja, se o MEI pagar a multa mínima de R$ 50 dentro do prazo, o valor cai para R$ 25. Prazo para envio da declaração do MEI O prazo regular para envio da DASN-SIMEI referente ao ano anterior encerra-se, anualmente, em 31 de maio. Em 2022, excepcionalmente, o prazo foi prorrogado até 30 de junho, mas nos anos seguintes a data-limite voltou a ser 31 de maio. A obrigação permanece válida mesmo para microempreendedores que: Regularizar é essencial para manter o CNPJ ativo A entrega da declaração anual do MEI é uma obrigação acessória essencial para manter o CNPJ regularizado. Mesmo com a aplicação de multa, o envio é necessário para evitar sanções mais severas, como a exclusão do regime tributário, perda de benefícios e impedimento de acesso a linhas de crédito ou programas de incentivo. Contadores, escritórios de contabilidade e profissionais que atendem MEIs devem orientar os clientes sobre a importância de manter o envio da DASN em dia, inclusive em anos com inatividade. Fonte: Contábeis Foto: Freepik
Confiança do empresário do comércio registra leve alta em julho

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que o varejo brasileiro vem retomando parte do otimismo perdido no início deste ano. Pelo quarto mês consecutivo, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) apresentou alta, desta vez de 0,6%, na comparação com junho, já descontados os efeitos sazonais. Apesar do saldo positivo, o patamar é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (-3,1%). Entre os três componentes que integram o Icec, o destaque do mês ficou com o que mensura a confiança nas Condições Atuais (da economia, do setor e da empresa), que cresceu 1,5% frente aos 30 dias anteriores. Já o de Expectativas, que serve de termômetro da visão sobre o futuro, recuou 0,1%, sendo a única baixa no comparativo com junho. Intenções de investimento, por sua vez, subiram 0,7%. Colocados lado a lado os resultados de agora com os do período equivalente em 2024, verificou-se que a maior retração ocorreu justamente em Condições Atuais, subindicador que caiu 6,1%, puxado pela avaliação da economia (-12,5%). O subindicador relativo às condições econômicas, mesmo com alta na variação mensal de 0,4%, segue com o pior desempenho na análise anual, de 62,3 pontos, considerando o ajuste sazonal. “A recuperação gradual da confiança do empresário do comércio reflete um esforço do setor em se adaptar às incertezas do ambiente econômico. É fundamental que o País avance em reformas estruturantes e em medidas que promovam segurança jurídica e previsibilidade, para que o setor produtivo possa se planejar melhor”, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. Melhora da disposição em investir O estudo também mostrou que as intenções de investimento do empresariado melhoraram em relação há um ano: a pretensão de contratar funcionários, um dos subitens aferidos, cresceu 1,6%. Além disso, a disposição para investir na empresa pontuou 1,1% acima do mês passado. “A maior disposição para investir está ligada a um cenário de consumo mais aquecido, com os consumidores mais propensos a comprar, o que anima os empresários a reforçar seus quadros e ampliar seus negócios”, explica o economista da CNC João Marcelo Costa. Varejo de bens duráveis ainda cético Considerando o comparativo anual por segmento do comércio, todos os nichos apresentaram algum nível de retração na confiança, sendo o varejo de bens duráveis (eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, materiais de construção e veículos) o mais afetado (-4,6%). Apesar disso, o saldo foi positivo na análise mensal geral. Entre os bens não duráveis, como supermercados, farmácias e cosméticos, a percepção atual do comércio caiu 8,4% em relação a julho de 2024, mesmo com recuperação no mês (+2,6%). O comércio de bens duráveis, por sua vez, liderou o avanço mensal (+3,3%) nas condições atuais, mas apresentou a maior retração anual nas expectativas (-5,8%). Sobre o Icec Produzido mensalmente pela CNC com base em entrevistas com cerca de seis mil empresas do varejo em todas as capitais brasileiras, o Icec é um indicador antecedente que avalia a percepção dos empresários sobre as condições atuais, expectativas para os próximos seis meses e intenções de investimento. Os resultados variam entre 0 e 200 pontos, sendo 100 o nível de neutralidade. Acesse a pesquisa completa, a série histórica e vídeo com o economista da CNC Foto: Freepik
46,3% do crédito concedido em abril foi para PMEs

O ambiente macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados e inflação persistente, tem dificultado a expansão das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) no Brasil. De acordo com a nova edição do boletim Panorama PME, produzido pela Serasa Experian, o crédito segue como uma das principais demandas do segmento — ao mesmo tempo em que sua obtenção se torna mais difícil. Segundo o estudo, empresas que acompanham regularmente sua pontuação de crédito apresentam desempenho significativamente melhor no Score PJ, índice que reflete a probabilidade de inadimplência. O número de PMEs que superaram a faixa de 500 pontos — considerada de médio risco — dobra entre aquelas que monitoram o indicador. Já a proporção de empresas que elevaram sua pontuação em 50 pontos ou mais foi 70% maior nesse mesmo grupo. Crédito em alta e acesso limitado Mesmo diante de um cenário restritivo, a participação das MPMEs no mercado de crédito tem aumentado. Em janeiro, essas empresas representavam 45,8% das concessões totais. Em abril, o número subiu para 46,3%. No entanto, o Indicador de Condições de Crédito do Banco Central fechou o primeiro trimestre em -0,29, apontando que o custo das operações e as exigências para financiamento seguem elevados. A inadimplência, por sua vez, cresceu de forma contínua ao longo do ano. Em janeiro, 6,66 milhões de empresas estavam com contas em atraso. Em abril, esse número subiu para 7,12 milhões — um avanço de quase meio milhão de CNPJs em quatro meses. Mercado de trabalho As MPMEs criaram 369,3 mil vagas formais no primeiro trimestre de 2025. O melhor desempenho ocorreu em fevereiro, com 250,5 mil postos gerados. Em março, o número caiu para 42,2 mil, sinalizando uma desaceleração após o pico observado no mês anterior. Especialistas alertam que a manutenção dos juros em patamares historicamente altos — com a taxa básica atingindo 15% em junho — pode manter os critérios de crédito mais rígidos no curto prazo. Com isso, indicadores como o Score PJ tendem a ganhar ainda mais relevância na análise de risco por parte dos credores. Fonte: e-commerce BrasilFoto: Freepik
Inadimplência cresce em São Paulo

A inadimplência entre as famílias da capital paulista atingiu, em julho, o maior patamar desde abril de 2024, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O porcentual de lares inadimplentes passou de 21,6%, em junho, para 22,1%, em julho, superando o índice de 19,9% registrado no mesmo mês do ano passado. Com a alta, o número absoluto de lares com contas em atraso chegou a 905,7 mil. O aumento foi observado em todas as faixas de renda analisadas. Como era esperado, as famílias com menores rendimentos mostraram mais vulnerabilidade, pressionadas pelos juros elevados e pela inflação. Entre as casas que ganham até dez salários mínimos, a inadimplência subiu de 26,1% para 26,5%. Já no grupo com renda superior a esse valor, o índice passou de 10,5% para 11,3%. Outro dado relevante captado pela pesquisa é o porcentual de lares que não conseguirão quitar as dívidas: 9,1% em julho, ante 9% em junho. Em relação ao mesmo período de 2024, houve crescimento — eram 8,2% há um ano, o que representa um acréscimo de quase 40 mil famílias. O tempo médio de atraso também aumentou, de 61,6 para 62,1 dias. Inadimplência cresce, endividamento recua A despeito da alta na inadimplência, o número de famílias endividadas na capital recuou em julho, interrompendo uma sequência de aumentos. O porcentual de lares com dívidas caiu de 71,4% para 70,9%, o que representa cerca de 2,9 milhões de famílias. O cartão de crédito continua sendo o principal fator de endividamento, presente em 80% dos lares, seguido pelo financiamento imobiliário (15,7%). Ainda que de não tenha demonstrado uma mudança expressiva na comparação mensal, há um ano, o uso do cartão de crédito se mostrava mais dominante, com 86% de incidência. O crédito pessoal, por sua vez, que ocupava a segunda posição em 2024 com 15,4%, caiu para 11,9%. Segundo a FecomercioSP, o aumento nos financiamentos de longo prazo, como os de carro e imóvel, indica que as restrições do sistema financeiro estão mais concentradas nas modalidades de curto prazo. Por faixa de renda, o endividamento continua mais alto entre as famílias que ganham até dez salários mínimos: 75% em julho, ante 76% no mês anterior. No grupo com renda superior, houve leve alta de 58% para 58,8%. No comparativo anual, os comportamentos se invertem. Entre os de menor renda, o endividamento aumentou em relação aos 73,6% de julho de 2024; já entre os de maior renda, houve queda em comparação aos 61,1% registrados há um ano. O comprometimento da renda com dívidas também caiu em julho, chegando a 27% — o menor nível desde fevereiro, ainda dentro da faixa considerada ideal, de até um terço da renda. A intenção de contrair crédito também diminuiu, passando de 13,6%, em junho, para 12,7%, em julho, bem abaixo dos quase 20% registrados no início do ano. Dentre os que ainda planejam buscar crédito, 10,3% pretendem usar o recurso para quitar dívidas e 5%, para o pagamento de contas. Quanto à forma de pagamento mais vantajosa, o cartão de crédito parcelado lidera, com 26%, seguido de perto pelo PIX, com 25,7%. Segundo a FecomercioSP, apesar do avanço da inadimplência, os dados indicam que as condições de renda estão gradualmente melhorando, com atrasos concentrados no curto prazo e baixo comprometimento da renda. Além disso, o mercado de trabalho aquecido e a inflação mais controlada devem ajudar a conter a deterioração do cenário financeiro das famílias. Fonte: FecomercioSP Foto: Freepik