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Tributação progressiva incentiva as empresas do Simples a crescer e corrige distorções, afirma o Ministro Márcio França

Durante a reunião do Conselho de Assuntos Tributários da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que aconteceu na última quarta-feira (19), o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, defendeu a tributação progressiva sobre as empresas do Simples Nacional para resolver a questão da defasagem no teto de receita, desatualizado há quase dez anos, e preparar para o ingresso nos regimes do lucro presumido e lucro real, mantendo a competitividade dos negócios e aumentando a arrecadação. Parecida com a dinâmica do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), a tributação progressiva, ou rampa de transição como a proposta é conhecida em Brasília, permitiria que as empresas do Simples Nacional que ultrapassassem o teto, pagassem a alíquota do regime geral apenas sobre o valor excedente. De acordo com a proposta, durante um período de transição de dois anos, a pequena empresa continuaria recolhendo tributos pelo regime simplificado até o limite permitido, e aplicaria as regras do lucro presumido ou do lucro real apenas sobre a parcela que ultrapassasse esse limite, permitindo uma adaptação gradual à nova sistemática tributária. No caso do Microempreendedor Individual (MEI), a lógica seria a mesma: o empresário pode ultrapassar o limite de R$ 81 mil por ano pagaria, como Microempresa (ME), apenas sobre o valor excedente. Após dois anos, terá que migrar definitivamente para o regime superior. Segundo França, muitas empresas deixam de crescer para não romper o teto do Simples Nacional e perder a simplicidade do regime. “Essa lógica precisa mudar e a rampa de transição entre os regimes pode dar essa segurança para o empreendedor crescer. Seria um treinamento didático para prepará-lo para entrar no lucro real ou presumido. No caso do MEI, dois anos seria um período importante para entender se o negócio cresceu de maneira linear, e, portanto, passará a ser ME”, apontou o ministro. A proposta não se baseia apenas em limites numéricos, mas também pretende considerar as despensas e os encargos das empresas com os funcionários no cálculo do teto. Segundo França, isso incentivaria a contratação e o pagamento de benefícios sem mexer nas tabelas de receita. E exemplificou: “Se uma empresa fatura R$ 500 mil e gasta R$ 200 mil em encargos, por exemplo, é sobre a diferença, R$ 300 mil, que deve ser considerado para fins de limitação”. Resposta urgente A Reforma Tributária, que começará a transição entre sistemas em 2027, coloca as empresas do Simples Nacional em risco, como a vedação à apropriação proporcional de isenções e reduções de alíquotas que pode inviabilizar a permanência de milhares de pequenos negócios no regime. Atualmente, as micro e pequenas empresas representam 97% dos negócios do País e contribuem com aproximadamente 26,5% do PIB nacional, sendo responsáveis por 72% dos empregos gerados em 2024. Portanto, o impacto da reforma sobre as empresas do Simples causará mudanças profundas em toda a economia nacional. Esse cenário evidencia a urgência da solução da questão, pois em um período de menos de dois anos, milhares de empresas podem deixar de existir. “As discussões tributárias e seus impactos nas empresas do Simples Nacional, que podem ser projetadas hoje, vão dar o mote e o ritmo do nosso futuro. Portanto são fundamentais para garantir a sobrevivência de milhares de empresas, empregos e renda das gerações futuras”, ponderou Ivo Dall’Acqua Júnior, presidente executivo da FecomercioSP. As entidades empresariais defendem a aprovação de projetos que atualizem os limites de receita do Simples Nacional e garantam créditos tributários mais justos. Dentre as propostas que a FecomercioSP tem defendido, estão: Permitir a dedução proporcional de benefícios fiscais relativos ao IBS e à CBS, com atenção especial à realidade dos pequenos mercados e farmácias, que serão fortemente impactados. Eliminar o sublimite de R$ 3,6 milhões que obriga pequenas empresas a recolher o IBS pelo regime regular ao ultrapassarem esse patamar de receita. Manter a isenção do imposto de renda sobre a distribuição de lucros e dividendos para a micro e pequenas empresas com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões. Atualizar os limites de enquadramento do Simples, defasados desde 2016, sem qualquer correção monetária, conforme propõe o PLP 108/2021. A FecomercioSP também integra o movimento #AtualizaSimplesNacional, que reúne mais de 40 entidades em defesa de ajustes. “Essas medidas são fundamentais para preservar a simplicidade, a competitividade e a capacidade de geração de empregos dos pequenos negócios brasileiros”, afirmou Márcio Olívio Fernandes da Costa, presidente do Conselho de Assuntos Tributários da FecomercioSP. A Federação continua ativamente a mobilização junto ao Poder Público, em defesa dos interesses do setor, para garantir a sobrevivência das empresas do Simples Nacional. Acompanhe todas as ações no Portal. Fonte: FecomercioSPfoto: Freepik

CCT SINSESP 25-26 é assinada

O SincoElétrico acaba de celebrar junto ao Sindicato das Secretárias do Estado de São Paulo (SINSESP), A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) referente ao período 2025-2026. O documento pode ser consultado no site. Em caso de dúvidas entrar em contato com o departamento jurídico do SincoElétrico através do e-mail: juridico@sincoeletrico.com.br Foto: Freepik

Sebrae-SP e FecomercioSP vão capacitar 3 mil empresas no Estado de São Paulo

Três mil micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo deverão ser capacitadas por meio do Programa Loja do Futuro, resultado da parceria entre Sebrae-SP e FecomercioSP. O convênio de cooperação técnica para renovação da parceria por 16 meses foi assinado nesta segunda-feira, 19 de maio, na sede do Sebrae-SP. A iniciativa tem como objetivo auxiliar os empreendedores a modernizar as lojas, implementar inovações e integrar os canais físicos e digitais. “O Programa Loja do Futuro capta tendências e tecnologias para organizar e trazer os micro e pequenos negócios para a atualidade. A iniciativa envolve um movimento completo com todos os parceiros”, destacou o Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP, Manuel Henrique Farias Ramos. O Presidente Executivo da FecomercioSP, Ivo Dall´Acqua, ressaltou a parceria entre as instituições e a importância do programa. “Estamos em um momento de transformação na atividade econômica e todo esse conhecimento precisa ser incorporado para o empresário caminhar melhor com seu negócio”, afirmou. O convênio também foi celebrado pelo Diretor-Superintendente do Sebrae-SP, Nelson Hervey Costa. “Vamos, juntos, auxiliar o empreendedor em tantos desafios que temos hoje, como inteligência artificial, novos perfis de consumidor e formas de acessar produtos. As novidades serão apresentadas para que o empreendedor seja mais competitivo e consiga aumentar o faturamento, melhorar a produtividade, crescer e ajudar a nossa economia”, ressaltou. O evento contou com a participação do Diretor Regional do Sesc-SP, Luiz Deoclécio Massaro Galina, e do Diretor de Administração e Finanças do Sebrae-SP, Reinaldo Pedro Correa. Inovações O Programa Loja do Futuro é inspirado nas tendências e tecnologias exibidas nas últimas edições das feiras internacionais NRF, de Nova York, e Euroshop, em Dusseldorf, na Alemanha. A iniciativa envolve três fases e começa com o lançamento regional realizado em parceria com os Sindicatos do Comércio Varejista locais e uma palestra sobre o futuro do varejo e Inteligência Artificial (IA). Quarenta e sete eventos de sensibilização já estão agendados até agosto para divulgação da iniciativa. Na segunda fase, os empresários participam das capacitações com destaque para o uso da IA para otimizar tempo e aumentar os resultados. Na fase três, são apresentadas soluções de impacto, como a realização do diagnóstico para análise de crescimento empresarial e consultorias. Entre as novidades estão as soluções envolvendo temas como adequação de loja, cliente oculto, visual merchandising e consultoria para mapeamento de fluxo de pessoas e integração de varejo. Para o ciclo 2025/2026, a previsão é atingir mais de 6 mil empresas com as palestras de lançamento e contabilizar a adesão de 3 mil negócios no programa. A expectativa é que as empresas atinjam um aumento médio de 12% no faturamento. Em 2024, 5,1 mil empresas foram sensibilizadas e 2,5 mil aderiram ao programa. O programa também terá um espaço dedicado na Feira do Empreendedor, que será realizada entre 15 e 18 de outubro, no São Paulo Expo, na capital paulista. O Empório Loja do Futuro será instalado no espaço São Paulo de Destino e Sabores e vai funcionar como um showroom de tecnologias do varejo. Matéria originalmente publicada no portal Sebrae-SP em 20 de maio de 2025. Foto: FecomercioSP

Vendas no varejo têm alta de 8,9% em fevereiro, mesmo com inflação e juros elevados

As vendas do comércio varejista paulista cresceram 8,9% em fevereiro, em relação ao mesmo mês em 2024. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). No mês, o faturamento real atingiu R$ 114,6 bilhões — R$ 9,3 bilhões acima do apurado no ano passado, a maior cifra para o mês desde 2008 [tabela 1]. [TABELA 1]  Faturamento Comércio Varejista — Estado de São Paulo Fonte: Sefaz-SP/FecomercioSP Com esse resultado, a variação acumulada nas vendas varejistas no ano foi de 9,4%, o que representa um faturamento R$ 20 bilhões superior ao obtido no mesmo período de janeiro a fevereiro de 2024. Contudo, é importante ressaltar que o montante diz respeito às receitas, e não à lucratividade. Todas as atividades pesquisadas mostraram aumento no faturamento real no mês, sendo estas os segmentos de lojas de vestuário, tecidos e calçados (21%); autopeças e acessórios (16%); concessionárias de veículos (13,9%); lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (12,9%); outras atividades (8,1%); farmácias e perfumarias (7,7%); materiais de construção (6,8%); lojas de móveis e decoração (6,2%); e supermercados (5,2%). De acordo com a FecomercioSP, esse desempenho revela expansão, sustentada principalmente pelo emprego e pela massa de renda em alta, reforçando o poder de compra das famílias e a mudança do carnaval para março impactou positivamente o faturamento de fevereiro, com mais dias úteis em comparação com 2024.  No entanto, a Federação alerta que, diante da inflação próxima a 6%, o poder de compra tende a ser corroído progressivamente — e o crescimento da massa de rendimentos deve desacelerar no segundo semestre do ano. Além disso, o aumento da taxa Selic impõe restrições ao consumo de bens duráveis. Capital paulista Em São Paulo, as vendas no varejo cresceram 9,1% em comparação com o mesmo período do ano passado. A cidade atingiu um faturamento de R$ 35,4 bilhões em janeiro, quase R$ 3 bilhões a mais do que em fevereiro de 2024, o melhor resultado da série histórica desde 2008. Dessa forma, a taxa acumulada no ano foi de 9,2%, representando um aumento de R$ 5,9 bilhões em relação ao apurado entre janeiro e fevereiro do ano passado. As nove atividades apresentaram alta no mês de fevereiro: lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (20,6%); lojas de vestuário, tecidos e calçados (19,5%); lojas de móveis e decoração (19,3%); autopeças e acessórios (17,6%); concessionárias de veículos (10,3%); supermercados (7,4%); farmácias e perfumarias (5,2%); materiais de construção (4,8%); e outras atividades (3,5%).  [TABELA 2] Faturamento Comércio Varejista — Cidade de São Paulo Fonte: Sefaz-SP/FecomercioSP Desempenho dos segmentos Os setores de autopeças e acessórios e de concessionárias de veículos registraram um crescimento expressivo, mesmo sendo tradicionalmente sensíveis aos juros altos. O avanço pode soar contraditório diante de uma política monetária ainda restritiva, mas o dado revela que o crédito continua abundante no mercado. Para o consumidor brasileiro, a taxa nominal de juros importa menos do que o valor da parcela e a possibilidade de parcelamento. O ritmo acelerado nas vendas indica que o financiamento segue acessível, especialmente por meio de bancos ligados a montadoras ou linhas promocionais de crédito. No segmento de eletrodomésticos e eletrônicos, promoções agressivas, condições facilitadas de crédito e o aumento da renda disponível no curto prazo ajudam a explicar esse salto na demanda. Já o setor de vestuário, tecidos e calçados — altamente sensível à renda — beneficiou-se de um fevereiro com mais dias úteis. Além disso, liquidações de início de ano e compras antecipadas para o outono contribuíram para o bom desempenho dessas lojas. Por outro lado, os supermercados cresceram abaixo da média geral. O dado aponta para um consumo mais contido nos itens essenciais, influenciado pela inflação dos alimentos e por uma migração parcial das compras para atacarejos. Também pesa o efeito da alta de preço, uma vez que, ainda que o consumidor esteja gastando mais, não leva mais produtos para a casa. Foto: Freepik

Semana S oferece 15 mil vagas de emprego e shows gratuitos em todo o Brasil

Mais de 120 mil pessoas já se inscreveram na primeira edição da Semana S, que acontece até 18 de maio, de forma simultânea e gratuita, em todas as capitais do País. Com shows de grandes nomes da nossa música, prestação de serviços à população e encontros e palestras com empresários, o evento vai oferecer cerca de 15 mil vagas de emprego e estágios no setor terciário. Fruto do esforço conjunto de Sesc, Senac, Federações Nacionais e Estaduais e Sindicatos que integram o Sistema Comércio, a Semana S espera reunir até 500 mil pessoas. Entre as atrações estão Iza, Diogo Nogueira, Samuel Rosa, Michel Teló, Jota Quest, Vanessa da Mata, Barões da Pisadinha, Raça Negra, Daniel, Arnaldo Antunes, Almir Sater, Timbalada e Dudu Nobre, que darão largada à celebração dos 80 anos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Além deles, Criolo, Bernardinho, Bela Gil e Gabriel o Pensador participarão do evento, falando sobre empreendedorismo. CEOs, diretores e executivos de grandes empresas e iniciativas também estão confirmados nos encontros, que visam impulsionar negócios e o espírito inovador de quem investe no desenvolvimento do Brasil. O evento terá transmissão ao vivo nos dias 16 e 17, no canal da CNC no Youtube pelo link: www.youtube.com/user/tvcnconline. Como participar da Semana S Para participar, basta acessar o site semana-s.portaldocomercio.org.br e realizar a inscrição.  A programação completa pode ser conferida no link ou no aplicativo oficial da Semana S, no Google Play e na Apple Store. Com entrada gratuita, o público estimado é de aproximadamente 500 mil pessoas ao longo dos dias de evento, com milhares de empreendedores presentes. “É fundamental apresentar à sociedade o impacto transformador das ações do Sesc e do Senac na qualidade de vida, educação, cultura e desenvolvimento profissional de milhões de brasileiros. Tudo isso só é possível graças aos empresários do setor, que investem e acreditam na missão de transformar vidas. São os empresários que financiam esse grande sistema de promoção social e qualificação, com resultados concretos para o País”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. Sistema Comércio chega fortalecido aos 80 anos A grande projeção de público não acontece ao acaso. Anualmente, o Sistema Comércio capacita cerca de 1 milhão de profissionais para o mercado de trabalho. Em 2024, o Sesc chegou a 10,5 milhões de credenciados nos programas oferecidos, com destaque para o programa Mesa Brasil, cujas refeições gratuitas alimentam 2 milhões de pessoas mensalmente. Além disso, inaugurou mais de 50 instalações, chegando a 245 unidades escolares em território nacional. O Senac, por sua vez, ultrapassou os 2 milhões de atendimentos nos 2 mil municípios em que atua por meio de suas 689 unidades. “Há quase oito décadas, o Sesc cumpre sua função de levar aos trabalhadores do comércio e seus familiares qualidade de vida e bem-estar. Isso resulta em profissionais mais capacitados e contribui para o desenvolvimento da sociedade de forma mais justa e igualitária. Mas vamos além nessa trajetória, com um olhar para segmentos da população mais necessitados de serviços básicos. E dessa forma atuamos com nossas unidades móveis, nossas ações de cidadania e nosso programa de combate à fome e ao desperdício de alimentos, o Sesc Mesa Brasil, que em 2024 atingiu o recorde de 57 milhões de quilos em doações”, enfatiza José Carlos Cirilo, diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc. Na mesma linha, o diretor-geral do Departamento Nacional do Senac, Marcus Vinicius Machado Fernandes, reforça o impacto do trabalho realizado pela rede. “Na atual conjuntura de inovações e avanços tecnológicos constantes, o objetivo do Senac é oferecer uma educação profissional inovadora e inclusiva. Nossos números refletem o impacto dessa atuação. Somos reconhecidos em todo o País pela excelência na educação profissional. Formamos pessoas, transformamos vidas, impulsionamos carreiras. E a Semana S será a nossa vitrine, uma amostra concreta do que fazemos todos os dias. É uma grande oportunidade de apresentar ao público como atuamos, como entregamos valor à sociedade e como somos parte de um sistema que transforma o Brasil”, destaca. Lista de contatos das Federações Para ter acesso à agenda completa e mais informações sobre as atrações da sua região, consulte a Comunicação da Federação local: Fonte e foto: CNC

Com o fim da escala 6×1, custo da hora do trabalho subiria 37,5%

Incertezas jurídicas, aumento nos preços ao consumidor, rigidez nas relações entre trabalhadores e empresariado e impacto profundo sobre a já problemática produtividade brasileira. Esses são alguns dos efeitos negativos que o País terá caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) — que pretende alterar o artigo 7o da Constituição Federal acerca da jornada formal de trabalho — seja aprovada e se torne lei. Na prática, a mudança proposta pela PEC na jornada elevaria o custo do trabalho em, pelo menos, 37,5%, segundo cálculos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O levantamento leva em consideração a queda de cerca de 18% na carga horária semanal. A lei atingiria dois terços dos trabalhadores formais do País (63% dos vínculos trabalhistas tinham contratos entre 41 e 44 horas semanais em 2023, de acordo com os últimos dados consolidados da Relação Anual de Informações Sociais, a Rais). Alguns setores seriam mais afetados do que outros, notadamente o varejo (em que 9 em cada 10 profissionais, ou 89%, são contratados nessa jornada), a agricultura (92%) e a construção civil (91%). Todas são atividades em que a mão de obra humana é fundamental. Considerando que os reajustes anuais promovidos pelas negociações coletivas oscilam entre 1% e 3%, e que seus efeitos atingem essa massa relevante de trabalhadores e trabalhadoras, uma elevação abrupta e dessa dimensão seria simplesmente inviável para as empresas — principalmente as Micro, Pequenas e Médias (MPEs), que dinamizam a força produtiva da economia brasileira. Na avaliação da FecomercioSP, representante de 1,8 milhão de empresas no País — responsáveis por aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional —, a discussão sobre o fim da chamada escala 6×1, ainda que tenha como justificativa a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e dastrabalhadoras, deve se dar levando em conta os impactos econômicos mais amplos que tende a causar. Reduções ou fixações da jornada laboral — considerando ajustes ou não dos salários — devem continuar, na visão da Entidade, sendo elaboradas no âmbito das negociações coletivas, conjuntos de mecanismos (como as convenções coletivas e os acordos coletivos de trabalho) que estão em funcionamento há muito tempo e geram bons resultados tanto para empresas quanto para colaboradores. Vale ressaltar que, embora a jornada legal no Brasil seja de 44 horas, a média da jornada negociada é menor: 39 horas. E alguns setores produtivos têm lançado mão dessas convenções para reduzir a jornada dos funcionários, como parte de estratégias próprias de melhoria da produtividade. Há ainda aqueles que ajustem o volume de horas semanais para compensar períodos de jornada menor com outros em que, ao contrário, a demanda seja mais abundante. O ponto é que cada setor e cada ramo de atuação têm as próprias particularidades nessa relação. Ademais, imposições atrapalham os possíveis ajustes que podem ser realizados via acordos e convenções. Custo do trabalho um terço mais caro A análise da Entidade considera ainda um erro matemático presente no projeto, o qual estipula uma jornada de 4 dias de trabalho (com 8 horas diárias, no máximo) para 3 de descanso. Somaria, então, 32 horas semanais trabalhadas, enquanto o texto fala de 36 horas semanais. A interpretação mais consensual, hoje, é que esse período restante seria computado como hora extra. Funcionário no modelo atual (44 horas semanais) Salário hipotético: R$ 2,2 milCusto da hora trabalhada: R$ 10Funcionário no modelo proposto (36 horas semanais) Salário hipotético: R$ 2,2 milCusto da hora trabalhada: R$ 12,22Variação do volume da carga horária: -18,2%Variação do custo da hora trabalhada: 22,2%Variação do custo da hora trabalhada considerando 4 horas adicionais (que seriam computadas como extras): 37,5% Consequências ao consumidor Como não haveria contrapartida ou garantias de melhoria na produtividade, oempresariado teria, então, de repassar esse aumento aos preços, que subiriam pelo menos no mesmo patamar. O resultado seria uma economia mais inflacionada do que hoje — e isso levando em conta que a inflação de 4,8% (acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central) de 2024 já gerou um ambiente de preços altos e incertezas no País. A expectativa do mercado é que o processo inflacionário passe de 5% neste ano. Tudo isso considerando, em um cenário também hipotético, que as empresas manteriam os quadros atuais de funcionários. No entanto, com uma alta tão significativa no custo da mão de obra, é possível que muitos negócios tenham de demitir parte dessas pessoas para fechar os orçamentos “no azul”, engessando, por consequência, a abertura de novas vagas, fundamental para manter a saúde da economia — como se vê na conjuntura atual, inclusive. Produtividade ainda mais afetada O efeito da PEC seria devastador ao País: mais demissões, redução de contratações, aumento da inflação e pressão sobre uma produtividade que já é historicamente baixa. No âmbito econômico, se olharmos para o quadro internacional, dados apontaram que, em 2024, cada hora trabalhada por um brasileiro produziu um montante de US$ 21,4. Foi o suficiente para manter o País na 78a colocação no ranking de produtividade global da Conference Board, entidade formada por empresas que mensuram esse dado laboral. No topo da lista, trabalhadores norte-americanos produzem US$ 94,8 por hora. Uma série de fatores explica esse fenômeno, como baixa qualificação da mão de obra brasileira, ambiente regulatório complexo, escassez de inovação e alto custo na disponibilidade de capital. Promover reformas e iniciativas para aprimorar essas causas seria uma forma de o governo agir positivamente sobre a jornada laboral e estimular desenvolvimento econômico aliado à qualidade de vida. Experiência internacional não é impositiva Outro aspecto relevante dessa discussão é observar como outros países lidaram com o tema. A maioria reduziu jornadas com base em mecanismos de negociação coletiva, e não impondo uma regra impositiva a partir da Constituição. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve uma redução de 11 horas no cômputo anual da jornada em um intervalo de 15 anos [tabela 1]. No vizinho México, a queda foi de 37 horas, entre 2010 e 2023, segundo dados da Organização paraa Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os próprios

Semana S: uma questão de compromisso

Por Abram Szajman e Ivo Dall’Acqua Júnior* Mudanças profundas nos desafiam a repensar modelos. Perguntas que, num passado recente, carregavam consigo respostas definitivas, atualmente já não soam tão certeiras como antes. Afinal de contas, esse novo tempo que vivemos — marcado por incertezas, disfunções e intensa tecnologia — exige respostas ousadas, mas sensíveis. Sensíveis ao ser humano, sensíveis ao meio em que vivemos, sensíveis ao planeta que queremos habitar e legar às próximas gerações. Como podemos, de fato, construir um futuro que se sustente no longo prazo? Por que a diversidade e a equidade estão guiando as transformações do setor produtivo? Como vamos conseguir democratizar o acesso às novas tecnologias? E qual o papel das empresas em meio a essa efervescência de novidades e impactos de toda ordem? São tantas perguntas e obstáculos que nos propusemos a convidar a sociedade a pensar sobre esses encaminhamentos. Para isso, o Sesc-SP, o Senac-SP e a FecomercioSP reunirão empresários e a sociedade nos dias 16 e 17 de maio, no Sesc Pompeia, em São Paulo, durante a Semana S. Não se trata apenas de um evento, mas de uma oportunidade para o diálogo e o convívio. Juntas, as três instituições conclamam as pessoas a uma reflexão acerca do presente, do futuro e, sobretudo, das escolhas que fazemos e suas consequências. O propósito é abrir novos olhares a respeito de aspectos essenciais envolvidos na promoção do desenvolvimento socioeconômico do País e da dignidade humana — pontos sempre presentes no trabalho das três instituições representativas do Sistema Comércio no Estado de São Paulo. A FecomercioSP, o Sesc e o Senac têm acompanhado de perto esses debates e trabalhado em projetos dessa natureza. As mudanças que moldam o mundo atual refletem nos setores que representamos de maneira inescapável. Afinal de contas, tecnologias conduzidas pela Inteligência Artificial, novas formas de interação no ambiente de trabalho e a transformação do comportamento humano estão redefinindo os mercados. Pare para pensar: qual setor ainda permanece o mesmo em relação ao que era duas décadas atrás? Poucos — ou, talvez, nenhum. A transformação digital, uma das grandes forças dessa metamorfose, está promovendo avanços substanciais nos processos produtivos e nas práticas de gestão. Mas como conciliar a inovação e o saber humano? Fato é que sustentabilidade e mudança são caminhos sem volta para o sucesso de qualquer setor. Por isso, a Semana S nasce como um convite a refletir, dialogar e agir. Juntas, FecomercioSP, Sesc e Senac, instituições octogenárias, reforçam o compromisso com o desenvolvimento do Brasil, apostando na formação cidadã, no bem-estar coletivo e na promoção de um setor produtivo cada vez mais consciente, diverso e inovador. Porque o futuro — esse que todos desejamos — só será possível se construído a muitas mãos, com coragem e escuta ativa. * Abram Szajman e Ivo Dall’Acqua Júnior são presidente e presidente executivo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), respectivamente. Foto: FecomercioSP

Varejo deve movimentar R$ 16 bilhões, diz Alckmin

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou hoje (12), em São Paulo, que a estimativa é de que o comércio varejista movimente R$ 16 bilhões este ano. A projeção foi anunciada durante o Apas Show, festival de alimentos e bebidas que termina na próxima quinta-feira (15). “No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu forte, 3,4%, e os supermercados [se expandiram] 6,5%. Um setor campeão de empregos e renda”, destacou durante a jornalistas na Expo Center Norte. Alckmin disse, ainda, que a reforma tributária proporciona “justiça tributária” e que, ao lado de ferramentas oferecidas por entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mesmo as empresas de menor porte terão mais condições de melhorar seus negócios. Ele frisou que agora o Brasil está finalmente se direcionando para um lado em que outros países já se encontram há muito tempo em relação a impostos que incidem sobre o setor. O modelo do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), conforme explicou, unifica o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Avanço Ele afirmou, ainda, que sua implementação é um avanço na comparação com o governo Bolsonaro, “que queria criar mais um imposto”. “O mundo já fez isso 30 anos atrás. Nós estamos 30 anos atrasados”, afirmou. “Desonera investimento e exportação, o que acaba com a cumulatividade de crédito.” Geraldo Alckmin ressaltou que há estudos – como os do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – que mostram que os frutos da reforma tributária chegarão gradualmente. “É melhor fazer aos poucos do que não fazer,” finalizou. Fonte: Agência BrasilFoto: Freepik

Mercado reduz previsão para inflação de 2025 pela 4ª vez, mas ainda acima do teto da meta

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 passou de 5,53% para 5,51%, a quarta baixa seguida. Agora, está 1,01 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 4,51% para 4,50%, colada ao teto da meta. Um mês antes, também era de 4,50%. O Banco Central espera que o IPCA some 4,8% em 2025 e 3,6% em 2026, conforme a trajetória divulgada no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) da última quarta-feira, 7. O fim do ano que vem é o horizonte relevante do colegiado. A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela 12ª semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 permaneceu em 3,80%. Um mês antes, estava em 3,79%. Copom, do Banco Central, elevou em 0,5% a taxa Selic, para 14,75%  A mediana para a Selic no fim de 2025 continuou em 14,75% pela segunda semana consecutiva, indicando que os juros devem terminar o ano no nível atual. Na última quarta-feira, 7, o Copom aumentou a taxa em 0,5 ponto porcentual, de 14,25% para 14,75%. Considerando apenas as 52 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para o fim de 2025 também se manteve em 14,75% pela segunda semana seguida. No comunicado da semana passada, o Copom abandonou o forward guidance (sinalização futura) e deixou as possibilidades em aberto para a sua próxima reunião, dos dias 17 e 18 de junho. “Para a próxima reunião, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação”, afirmou o Comitê. O colegiado ainda mudou a descrição do seu balanço de riscos para a inflação, que passou a ser simétrico. Também destacou que os juros precisam ficar em nível “significativamente contracionista por um período prolongado” − uma mudança em relação à comunicação anterior, que pregava a necessidade de uma Selic “mais contracionista”. A ata da reunião será divulgada nesta terça-feira, 13. A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 12,50% pela 15ª semana consecutiva. A estimativa intermediária para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 13ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 20ª semana consecutiva. A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 se manteve em 2,0% pela terceira semana seguida. Um mês antes, era de 1,98%. No mais recente Relatório de Política Monetária (RPM), de março, o Banco Central diminuiu a sua projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 1,9%. Segundo a autarquia, a revisão é consistente com a perspectiva de moderação do crescimento, devido à política monetária contracionista − mas a incerteza sobre a estimativa aumentou. A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 também se manteve em 1,70%. Considerando só as 26 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, aumentou de 1,70% para 1,81%. A mediana para o crescimento do PIB de 2027 permaneceu em 2,0% pela sexta semana seguida. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável em 2,0% pela 61ª semana seguida. Fonte: Estadão Foto: Freepik

Programação da Semana S em São Paulo traz últimas tendências corporativas, como inclusão e sustentabilidade

A programação do dia 16 de maio da Semana S no Sesc Pompeia, em São Paulo, será voltada para os empresários que compõe o Sistema Comércio. O evento é uma ação integrada da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que engloba a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Sesc-SP e o Senac-SP. Na sexta-feira, a Semana S começa às 18h, com abertura de Ivo Dall’Acqua Júnior, presidente executivo da FecomercioSP. Na sequência, acontece o painel ‘Inclusão: Caminhos e Práticas de Gestão para um Futuro Equitativo e Sustentável’, com Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos; Vanessa Pinsky, do Conselho deliberativo do Capitalismo Consciente Brasil; e Wal Flor, CEO da Flow.Ers, hub de soluções criativas e inovadoras para regenerar a vida no planeta e os negócios no Brasil. Para encerrar a noite, a jornalista Sônia Bridi participa da palestra ‘Crise climática e políticas ambientais eficientes’. Já as atividades no sábado, dia 17 de maio, serão extensivas aos familiares dos empresários e contarão com diversas atrações culturais, como mesas de debate com figuras conhecidas do público, oficinas e shows. O painel ‘Alimentação e sustentabilidade: novos negócios à vista’ terá a participação de Rita Lobo, chef de cozinha, escritora, apresentadora de TV e empresária, defensora da “comida de verdade”. Haverá, ainda, o debate ‘Inteligência Artificial: tendências e oportunidades de Negócios’, com Diogo Cortiz, Martha Gabriel, Newton Calegari e mediação de Rita Batista, jornalista e apresentadora de TV. Os presentes poderão ainda participar de atividades como capoeira para bebês, fanfarra circense, oficinas de cultivo de hortaliças e perfumaria árabe, vivências e visitas guiadas, além da feira gastronômica e sociocultural. Para fechar o evento, um show da cantora Zelia Duncan que, com sua banda, apresenta o ‘Bailão ZD’, uma coletânea com os maiores hits da carreira. ServiçoSemana S no Sesc PompeiaDias 16 e 17 de maioRua Clélia, 93 – Água BrancaInformações: https://semana-s.portaldocomercio.org.br