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Por medo, comerciantes fecham estabelecimentos na Cracolândia, em SP

Há cerca de dez meses os usuários da Cracolândia, na região central de São Paulo, se espalharam por várias ruas dos bairros locais depois de uma ação policial organizada pela prefeitura e o governo estadual que esvaziou a praça Princesa Isabel, próxima à estação Júlio Prestes, onde costumavam ficar. Desde então, os usuários estão em vias como a rua Guaianases, onde ficava situada a loja de motos de Marco Silva, há cerca de trinta anos. À CNN ele contou que teve que fechar as portas do seu comércio e mudar o endereço da loja. Marco relata que os usuários ocupam as ruas durante todo o dia e por muitas vezes fazem suas necessidades fisiológicas na porta do comércio. Com isso, a região começou a ficar perigosa, com alto número de roubos. A soma de todos esses fatores acabou expulsando os clientes, “não tinha uma alma viva”, disse. Para além do comércio, ele afirma que a situação influenciou também a vida dos moradores do local, que acabaram deixando a região. “Existem prédios inteiros vazios”, conta. Marco revela que conhece mais de dez comerciantes que tiveram que deixar o local por conta da situação com os usuários. O relato dele em muito se assimila ao de Julio Cesar, dono de uma oficina especializada em motos Harley-Davidson, que também saiu da localidade. “A Cracolândia me quebrou”, explicou. Hoje, sua loja fica situada no bairro do Ipiranga, na zona sul da capital. A oficina de Júlio ficava na rua dos Gusmões, próximo da estação da Luz, também há 30 anos. Ele se mudou para a avenida Doutor Ricardo Jafet. “A situação começou a ficar insustentável lá no centro”, cita. A CNN entrou em contato com a Imobiliária Mark IN, que administra três condomínios na região da Cracolândia. A empresa confirmou que há cerca de um ano a procura por imóveis residenciais diminuiu na região. Outros quatro comerciantes relataram a mesma condição. A situação ficou insustentável, os clientes não apareciam e tiveram que fechar as suas portas. Alguns mudaram de endereço, outros fecharam definitivamente. Como é o caso de um dos restaurantes mais antigos da região, o Láfarina, que está fechando suas portas. Em contato com a CNN, o Governo de São Paulo explicou que vem implantando uma nova dinâmica de acolhimento, acompanhamento e atendimento dos dependentes químicos da região central da capital. “Desde o começo do ano, as polícias Civil e Militar desenvolvem ações na região para combater o tráfico de drogas e crimes em geral. O monitoramento do local é constante para identificar e mapear os pontos do ‘fluxo’ e principalmente os integrantes.” Além disso, a gestão pontua que as adaptações do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) começaram, com previsão de entrega para o começo de abril. A Subprefeitura da Sé foi procurada pela reportagem, mas ainda não respondeu aos questionamentos. Fonte: CNN Foto: Freepik

FecomercioSP discute a transformação digital no mercado de trabalho e capacitação profissional

Com o objetivo de abordar a importância da capacitação e da qualificação profissionais para as mudanças digitais do mercado de trabalho, os conselhos de Emprego e Relações do Trabalho (CERT) e de Economia Digital e Inovação (CEDI), ambos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), realizam, no dia 24 de março, o evento O Trabalho do Presente e do Futuro – Capacitação em Tecnologias Digitais, com foco nos pequenos e médios negócios. O encontro trará lições e exemplos práticos possíveis de serem implementados em diferentes setores. O evento, gratuito e aberto ao público, será transmitido via Zoom a partir das 9h, com painéis presenciais para convidados na sede da FecomercioSP. Interessados podem fazer as inscrições pelo link Uallace Moreira Lima, secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); José Pastore, presidente do CERT; Ivo Dall’Acqua Júnior, vice-presidente da Federação; Andriei Gutierrez, coordenador do CEDI; Anna Beatriz Waehneldt, diretora de Educação Profissional do Departamento Nacional do Senac; e Emilena Lorenzon, vice-diretora superintendente do Centro Paula Souza são alguns dos participantes. Na ocasião, os especialistas convidados explicarão como os novos comportamentos e as tendências devem impactar a tomada de decisão e as empresas. Andriei Gutierrez e Felipe Prado, especialista em cibersegurança, falarão sobre a transformação digital e os desafios para a qualificação, em uma provocação inicial aos participantes. Em seguida, os painéis abordarão os seguintes temas: “Desafios e melhores práticas do setor privado: novas competência digitais no mundo profissional”; “O que tem sido feito pelo ensino profissionalizante?”; e “Políticas públicas voltadas para capacitação por meio da aquisição de competências digitais”. Além de Prado, os temas serão debatidos por Critiano Kruel, Chief Innovation Officer (CIO) da StarSe; Silvia Bassi, publisher da The Shift; Guilherme Mercês, diretor de Economia e Inovação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC); e Sérgio Sgobbi, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Brasscom. Foto: Freepik

Aprovada criação de frente parlamentar de apoio ao microcrédito

O Senado aprovou na terça-feira (14) o Projeto de Resolução do Senado (PRS) 23/2022, que institui a Frente Parlamentar de Apoio ao Microcrédito e às Microfinanças. De autoria do senador Esperidião Amin (PP-SC), o projeto foi relatado em Plenário pelo senador Jayme Campos (União-MT) e segue agora para promulgação. De acordo com Esperidião Amin, “os microempreendedores e as microempresas, em que pese sua importância econômica, enfrentam limitações estruturais de acesso ao mercado de crédito devido à elevada assimetria de informação entre os empreendimentos e as instituições financeiras, à escassez de garantias e à maior vulnerabilidade, características dos micros e pequenos negócios”. Jayme Campos, por sua vez, declarou que, “indiscutível e lamentavelmente, nós precisamos de instrumentos e de ferramentas suficientes para apoiar o micro e o pequeno empreendedor brasileiro”. Capilaridade Esperidião Amin destacou ainda que foi durante a pandemia que se ofereceu o maior volume de dinheiro a micro e pequenos empresários no país, por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). — O governo federal deu R$ 38 bilhões de garantia para as operações de crédito, mas, demonstrando que nosso sistema financeiro não tem capilaridade, menos de R$ 40 bilhões foi emprestado, ou seja, foi um dinheiro estéril, que não se multiplicou como se desejava, como se deseja de um fundo garantidor. Os bancos emprestaram a garantia, um por um, ou seja, R$ 38 bilhões, a garantia do governo, e emprestaram R$ 39,5 bilhões. Por quê? Porque microfinanças é uma coisa difícil; hoje nós não temos um aparato financeiro para chegar ao micro e ao pequeno. Então essa frente vai fazer força para criar sociedades de garantia solidária, mútuos de créditos, mais crédito cooperativo. E esse é o caminho para baixar juros. Nós não podemos ficar só com quatro bancos no sistema financeiro — ressaltou ele. A frente Entre os objetivos da frente parlamentar está o de realizar encontros, seminários, congressos, reuniões, intercâmbios e outros eventos para disseminar experiências e informações sobre a utilização de crédito em empreendimentos de micro e pequeno portes e seus impactos socioeconômicos, como a geração de emprego e renda. A frente será integrada — inicialmente — por senadores e deputados federais que assinarem a ata de sua instalação. Ela será regida por regulamento interno ou, na sua falta, por decisão da maioria absoluta de seus integrantes, respeitadas as disposições legais e regimentais em vigor. O projeto que cria a Frente Parlamentar de Apoio ao Microcrédito e às Microfinanças já havia sido aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) em novembro de 2022, quando estava sob a relatoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) Fonte: Agência Senado Foto: Freepik

Faturamento do varejo cresce 8,1% em 2022

Com faturamento real recorde em 2022, o varejo paulista atingiu R$ 1,3 trilhão em vendas. O montante é R$ 84,3 bilhões acima do movimento registrado entre janeiro e dezembro de 2021 – uma taxa de expansão de 8,1%. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) realizado, desde 2008, pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Das nove atividades pesquisadas, seis apontaram o melhor resultado do ano da série histórica, em termos de vendas anuais, dentre elas, vestuários, tecidos e calçados; farmácias e perfumarias; e autopeças e assessórios. De acordo com o levantamento, o primeiro semestre registrou os melhores índices de crescimento do varejo paulista dos últimos 14 anos, com crescimento de 11% em 2022 em comparação a 2021. Por outro lado, o cenário de volatilidade e incertezas no âmbito político-eleitoral fez com que o segundo semestre apresentasse alterações no ritmo de crescimento. O cenário de incertezas e os crescentes níveis de endividamento e inadimplência desaceleraram o consumo, que passou para 5% ao longo dos seis meses finais do ano. Apesar disso, o comércio conseguiu manter um grau positivo de desenvolvimento. Para a FecomercioSP, o ano de 2022 foi excepcional ao se observar o montante do faturamento obtido pelo varejo paulista, uma vez que foi o melhor quanto à movimentação financeira. A queda na taxa de desemprego, que encerrou o ano passado em 9,3%, após atingir 13,2% no ano anterior – o que representa cerca de 3,9 milhões de desempregados a menos –, colaborou para a melhoria nos determinantes do consumo no ano. A média anual da massa de rendimento também atingiu o maior patamar da série, ao alcançar R$ 261,3 bilhões em dezembro (alta de 6,9%, mais de R$ 16,9 bilhões) em relação a 2021. No que se refere a crédito, o sistema financeiro expandiu as concessões em 20% no período, mas também encareceu as taxas de juros para pessoas físicas. Na avaliação da FecomercioSP, nos últimos meses, embora apreensivos e contidos na tomada de crédito que comprometesse renda futura, os consumidores mantiveram um padrão de consumo positivo. O cenário permitiu que o varejo paulista registrasse o melhor ano para as vendas na história. Imagem: Freepik

Em São Paulo, inadimplência cai pelo terceiro mês consecutivo

Em fevereiro, a inadimplência entre as famílias paulistanas caiu pelo terceiro mês consecutivo e chegou a 23,9% dos lares. O índice é um pouco menor do que os 25% registrados no primeiro mês de 2023. Em números absolutos, são 965 mil casas que precisam quitar as dívidas em atraso. Apesar da melhora mensal, o porcentual registrado no segundo mês do ano está acima dos 21,8% vistos no mesmo período do ano passado – o que representa aumento de 93 mil famílias com compromissos não quitados na data do vencimento. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A inflação mais amena nos últimos meses, a injeção do décimo terceiro salário no fim do ano e o reajuste do salário mínimo explicam este ciclo de queda da inadimplência. Sendo assim, o endividamento seguiu a mesma tendência e recuou dos 73,1%, em janeiro, para os atuais 72,7%. Em número absolutos, 2,93 milhões de famílias têm algum tipo de dívida. Um ano antes, a taxa registrada era de 73%. Mais uma vez, o principal tipo de dívida, entre os endividados, é o cartão de crédito, com 82,8%. A segunda modalidade mais comum é o carnê, com 15,9%. As reduções da inadimplência e do endividamento se deram em ambas as faixas de renda analisadas pela PEIC. Para o grupo de renda inferior a dez salários mínimos, o endividamento caiu para 75,9%, e a inadimplência, para 29,5%. Para as famílias que ganham acima de dez salários mínimos, as taxas respectivas foram de 63,5% e 9,8%. Consumidores mais otimistasSegundo a FecomercioSP, o cenário ficou relativamente mais favorável às finanças domésticas: o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou crescimento pelo sexto mês seguido de 2,6%, em fevereiro. Todos os sete itens analisados pela pesquisa apontaram alta no mês, com destaque para Itens duráveis e Perspectiva de consumo, que subiram 6,7% e 6,3%, respectivamente. As tradicionais liquidações do início do ano, com boas oportunidades de compras a preço mais baixo, animaram os paulistanos. Além disso, se há uma perspectiva positiva para o consumo nos próximos meses é porque o consumidor está mais seguro em relação ao emprego e à renda – o item Emprego atual subiu 1%. Outra pesquisa de confiança da Entidade, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), também seguiu a linha positiva e apontou crescimento de 2,7%. De acordo com a FecomercioSP, a população da cidade de São Paulo deixou o pessimismo de lado: o índice de condições econômicas atuais registrou aumento de 5,6%. Na avaliação do cenário econômico do País e da família em médio e longo prazos, o aumento do índice foi de 1,5%. Os números mostram que as pesquisas apontam na mesma direção, de uma melhora gradativa nas condições econômicas dos lares, que, por sua vez, conseguem, aos poucos, acertar as contas em atraso e voltar ao consumo de forma mais saudável, ainda que esteja longe de um patamar confortável – mas a situação é melhor do que a vista ao longo do ano passado. Para melhorar a confiança, a intenção de consumo e a inadimplência, seria necessária uma combinação de fatores, como reduções dos juros e da inflação e geração mais forte de empregos formais. A Federação também revela que, embora ainda haja grandes desafios pela frente, o quadro mais satisfatório deve ser comemorado. O empresário do comércio vai conferir, aos poucos, o consumidor reconquistando o apetite em consumir, aquecendo gradualmente a economia local. foto: Freepik

Confiança do comerciante cai pela terceira vez seguida

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) atingiu 115,4 pontos em fevereiro, queda de 1,4%, descontados os efeitos sazonais. Essa foi a terceira redução consecutiva do Icec, mensurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Com a diminuição mensal de todos os indicadores, a confiança do comerciante chegou ao menor nível desde agosto de 2021. Na comparação anual com fevereiro de 2022, o Icec teve uma queda mais acentuada, de 3,3%. O destaque do mês foi a piora no olhar do presente: o índice que mede a satisfação sobre as condições atuais diminuiu 2,8%. A satisfação com a economia caiu 5,1% no mês, com o setor reduziu 3,6% e com a própria empresa, -1,0%. Pela primeira vez desde maio de 2022, a maioria dos varejistas (50,6%) considera que o desempenho da economia está pior do que no mesmo período do ano passado. Com isso, o índice de condições atuais da economia chegou a 93,3 pontos, na zona pessimista. Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, são diversos os fatores que influenciaram esses resultados. “A desaceleração da atividade econômica e das vendas no varejo, que provocaram uma piora nas avaliações sobre a economia e o setor do comércio, vem acompanhada de inflação ainda fora da meta, juros elevados e perda de fôlego nas contratações formais de trabalhadores”, diz o presidente. Dos comerciantes entrevistados, 44,5% consideram que as vendas e as condições para operação pioraram. Essa proporção vem aumentando desde novembro – período do ano considerado como o melhor momento sazonal para o varejo. Intenção de contratar é a menor desde junho de 2021 Do total de varejistas entrevistados, 37,5% pretendem reduzir a contratação de funcionários este ano, maior percentual desde junho de 2021. Conforme a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, a piora na avaliação das condições presentes e nas expectativas para o curto prazo estão levando os comerciantes de pequeno, médio e grande portes a redimensionarem os planos de ampliação do quadro de funcionários e outros investimentos. As intenções de investir atingiram 104,4 pontos e são as menores desde setembro de 2021, com queda nas comparações mensal, de 1,5%, e anual, de 2,4%. Crise de crédito no horizonte “Os juros altos alavancaram os negócios e o grande varejo acendeu um alerta para uma possível crise de crédito no setor”, explica Izis Ferreira. O Icec apontou que a pretensão de investir no capital físico e na expansão dos negócios é a menor em dez meses, com 47% dos tomadores de decisão afirmando que reduzirão esses investimentos. A economista indica que os lojistas de todos os segmentos do varejo consultados expressaram que vão enxugar seus aportes, com destaque para a queda mais expressiva em fevereiro, de 3,4%, entre os varejistas de produtos duráveis. Com isso, o indicador atingiu a zona de pessimismo, com 98,5 pontos. “Com a inadimplência elevada e a inflação desancorada, os juros permanecerão elevados este ano, reverberando negativamente no consumo de bens dependentes do crédito”, avalia Izis Ferreira. Por fim, houve uma leve piora na avaliação dos comerciantes quanto ao nível dos estoques em fevereiro diante da programação das vendas. O indicador chegou a 93,1 pontos, queda de 0,6%, e 59,4% dos comerciantes avaliam o nível dos estoques como “adequado”, a menor parcela desde junho de 2021. imagem: Pixabay

CNC entrega estudo do setor terciário ao coordenador do GT da reforma tributária na Câmara

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) entregou, nesta quinta-feira (2) ao coordenador do Grupo de Trabalho que discute a reforma tributária na Câmara dos Deputados, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), um relatório contendo um diagnóstico realizado pela Confederação sobre o impacto das alterações legislativas para os setores representados. O documento “Premissas de uma Reforma Tributária – visão do setor de Comércio de Bens, Serviços e Turismo”, aborda a necessidade de equalização das condições setoriais para uma reforma realmente desenvolvimentista e a importância da simplificação dos tributos. O encontro foi realizado na sede da CNC em Brasília. A diretora de Relações Institucionais da CNC, Nara de Deus, frisou a importância da reforma no sistema tributário brasileiro, desde que seja elaborada em convergência com os setores econômicos. “O que pretendemos é chegar a um consenso para que o setor terciário não fique sobrecarregado, de forma que as atividades de diversos segmentos sejam inviabilizadas pela alta tributação”, reforçou. Segundo o deputado federal Reginaldo Lopes, é possível criar um modelo que não gere impactos negativos para as diferentes esferas produtivas, mesmo que o tema seja complexo. “O nosso objetivo é criar um ambiente favorável ao investimento e ao empresário para gerar riqueza ao povo brasileiro. Vamos buscar um modelo que provoque a diminuição e simplificação de impostos para fazer a economia girar e crescer”, afirmou o deputado. Ele destacou que buscará alternativas de desoneração do setor de serviços por meio do diálogo com parlamentares, governadores, secretários de Fazenda estaduais e representantes do setor produtivo. “Precisamos colocar os dissensos na mesa e negociar com as áreas econômicas” pontuou. Segundo o deputado, o período de maturação de normas tributárias e o processo transitório pode durar entre seis e 10 anos. “Então, podemos fazer ajustes no caminho para que ninguém seja prejudicado”, frisou. Aumento de até 200% no setor de serviços Estudos realizados pela CNC mostram que a aplicação das Propostas de Emenda Constitucional (PECs) 45/2019 e 110/2019 implicariam em um aumento médio de 84% da carga tributária, com esse índice podendo chegar a quase 200% em segmentos como locação de serviços de mão de obra. Para o economista da Diretoria de Economia e Inovação da CNC Fabio Bentes, que também participou do encontro, as duas PECs penalizariam o setor de serviços. Bentes destacou, durante a reunião, que o setor de serviços representa 37% da força de trabalho no País e, no último ano, respondeu por 55% dos empregos gerados. “Nossa proposta é convergir para um modelo em que setores que empregam mais possam usufruir de mecanismos de abatimento de imposto, gerando um ambiente de empregabilidade e incentivo ao setor de serviços”, explicou. Também estiveram presentes o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac de Minas Gerais, Nadim Donato, o consultor tributário da CNC, Gilberto Alvarenga, a assessora de Relações Institucionais da Fecomércio-SP, Maria Isabel Mello, e a assessora jurídica da Fecomércio-SP, Sarina Manata. Acesse o documento: “Premissas de uma Reforma Tributária – visão do setor de Comércio de Bens, Serviços e Turismo”

Mercado financeiro prevê crescimento da economia em 0,84% neste ano

A previsão do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira este ano subiu de 0,8% para 0,84%. A estimativa está no boletim Focus de hoje (27), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a projeção para os principais indicadores econômicos. Para o próximo ano, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 1,5%, a mesma previsão há nove semanas seguidas. Em 2025 e 2026, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,8% e 2%, respectivamente. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, variou para cima, de 5,89% para 5,9% neste ano. Para 2024, a estimativa de inflação ficou em 4,02%. Para 2025 e 2026, as previsões são de 3,8% e 3,75%, respectivamente. Para 2023 a previsão está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3,25% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 1,75% e o superior de 4,75%. Da mesma forma, a projeção do mercado para a inflação de 2024 também está acima do centro da meta prevista, fixada em 3%, mas ainda dentro dos intervalos de tolerância de 1,5 ponto percentual. Em janeiro, puxado principalmente pelo aumento de preços de alimentos e combustíveis, o IPCA ficou em 0,53%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Taxa de juros Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está nesse nível desde agosto do ano passado e é o maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava nesse patamar. Com as projeções para a inflação acima das metas para 2023 e 2024, o BC prevê que os juros podem ficar altos por mais tempo que o previsto. A autarquia não descarta a possibilidade de novas elevações caso a inflação não convirja para o centro da meta definida pelo CMN, como o esperado, em meados de 2024. Para o mercado financeiro, a expectativa é que a Selic termine o ano em 12,75% ao ano. Para o fim de 2024, a estimativa é que a taxa básica cai para 10% ao ano. E para 2025 e 2026, a previsão é Selic em 9% ao ano e 8,5% ao ano, respectivamente. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica. A expectativa para a cotação do dólar está em R$ 5,25 para o final de 2023. Para o fim de 2024, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5,30. Fonte: Agência Brasil Foto: Freepik

Empresas do Simples superam totalmente os impactos da pandemia

Os impactos negativos decorrentes da pandemia da covid-19 que contaminaram a economia já foram totalmente superados pelas empresas do Simples Nacional. É o que apontam indicadores econômicos que medem o desempenho do setor em várias frentes. Em 2022, por exemplo, o recolhimento de impostos dos negócios que estão sob o guarda-chuva desse regime tributário alcançou R$ 157 bilhões, um crescimento de 12,54% em relação a todo o ano de 2021, que contabilizou R$ 128,2 bilhões. As empresas do Simples também estão menos endividadas e houve um acréscimo significativo no número de empreendimentos abertos no ano passado, o que mostra um ambiente de negócios mais animador para o segmento neste ano. “Podemos dizer que a crise causada pela pandemia ficou para trás. Um levantamento do Sebrae e do IBGE mostrou que houve uma melhora no faturamento médio das empresas no ano passado, verificando-se um resultado positivo, em média, de 3%”, disse o presidente do Sebrae, Carlos Melles. De acordo com Melles, o crescimento da arrecadação do Simples Nacional tem duas principais explicações: o melhor desempenho dos pequenos negócios com a retomada da economia e o crescimento da base de empresas que recolhem para o regime tributário, resultado do aumento dos pequenos negócios no ano passado. Em outubro do ano passado, um levantamento feito pelo Sebrae e IBGE mostrou que a proporção de micro e pequenas empresas inadimplentes, incluindo os microempreendedores individuais (MEIs), alcançou o menor patamar registrado em toda a série histórica, com 24%. O maior índice, de 41%, havia sido registrado no final de maio e início de julho de 2020. Além do menor índice de endividamento, o Sebrae também detectou, com base em dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), que a abertura de pequenos negócios no ano passado continuava superior ao número registrado no período que antecede a pandemia de covid. “Em 2019, foram criadas pouco mais de 3 milhões de pequenas empresas. No total, em 2022, foram 3,6 milhões de novos empreendimentos, a maioria concentrada na categoria do MEI, que representou 78% do total”, afirmou Melles. Outro dado significativo que revela uma possível melhora no ambiente de negócios do país é o fato de o número de empresas de pequeno porte abertas em 2022 ser o maior dos últimos quatro anos. “Essa categoria de empreendimento pressupõe, em geral, investimentos iniciais maiores e mais tempo de planejamento que o demandado para a criação de microempresas ou MEI”, explica. EVOLUÇÃO Um dado curioso é que a arrecadação das empresas do Simples manteve-se em alta ano a ano, no período de 2007 a 2022, segundo dados da Receita Federal, apesar de todos os reflexos negativos da pandemia na economia. Melles atribui o bom desempenho no recolhimento de impostos à manutenção do ímpeto empreendedor, apesar da crise. Nos últimos quatro anos, mesmo diante de todas as dificuldades causadas pela pandemia, o número de novos pequenos negócios criados nunca esteve abaixo de três milhões de empresas. “São empreendedores que abriram um novo negócio como forma de gerar renda ou mesmo que buscaram colocar em prática um projeto de serem donos da própria empresa. De qualquer modo, esse movimento de formalização contribui diretamente com o aumento da arrecadação do Simples Nacional”, explica. Em 2021, quando houve a segunda onda da covid-19, o Brasil alcançou uma marca recorde de criação de novos pequenos negócios: 3,9 milhões empreendedores formalizados, um aumento de 19,8% em relação a 2020 e de quase 54% na comparação com 2018. LUCROS A percepção de um ambiente de negócios mais promissor para as pequenas empresas é compartilhada pelo consultor tributário da Orcose Contabilidade, Flávio Perez. “Tenho observado em nossos clientes do Simples Nacional a retomada, ainda que gradual, dos negócios, sobretudo aqueles que atuam no setor terciário, que têm apresentado tímida melhora em seus resultados financeiros, mesmo diante da alta dos juros e de outras dificuldades”, revela. De acordo com Perez, outro indicador positivo detectado entre os clientes é que alguns estão voltando a distribuir lucros aos seus sócios, embora ainda em patamares menores do que os registrados antes da pandemia. O mesmo fenômeno, disse o consultor, tem ocorrido na contratação de mão de obra pelas empresas, que apresentou sensível melhora nos últimos meses. “Não podemos esquecer que, infelizmente, há escassez de mão de obra qualificada e isso pode estar dificultando o preenchimento de novos postos de trabalho”, ponderou. PERSPECTIVAS Na avaliação do presidente do Sebrae, apesar de alguns entraves, como a retração do consumo das famílias e as dificuldades de acesso ao crédito, são positivas as expectativas para 2023. Os pequenos negócios, disse Melles, devem continuar liderando a geração de empregos no País. Dados do Caged mostram que, em 2022, as pequenas empresas criaram oito em cada 10 empregos formais na economia. “Com o apoio de políticas públicas consistentes e a aprovação de projetos importantes que estão na pauta do Congresso, as micro e pequenas empresas têm tudo para continuar impulsionando a economia brasileira”, prevê. PROJETOS Um dos projetos com grandes chances de aprovação ainda neste ano é o PLP 108/21, que estabelece novos limites para o MEI. O projeto já foi votado pelo Senado Federal e está pronto para ser analisado pelo Plenário da Câmara dos Deputados. O texto permite que o trabalhador com receita bruta igual ou inferior a R$ 130 mil se enquadre como MEI. Atualmente, o limite anual é de R$ 81 mil. Caso seja aprovado, o projeto vai permitir ao MEI contratar até dois empregados. Outra iniciativa considerada de grande impacto para as micro e pequenas empresas é o PLP 178/21, que institui o Estatuto Nacional de Simplificação de Obrigações Tributárias Acessórias. O texto normatiza nacionalmente a execução e criação de obrigações assessórias e ainda cria um sistema nacional compartilhado entre União, estados e municípios, além de padronizar a emissão de documentos e declarações fiscais. O projeto está no Senado Federal e foi aprovado pela Câmara dos Deputados com grande adesão e compromisso dos deputados. Melles cita ainda a reforma tributária como medida fundamental e que deve buscar a simplificação do sistema tributário,

Intenção de consumo das famílias com menor renda retoma nível pré-pandemia

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 1,3% em fevereiro, descontados os efeitos sazonais, e atingiu o maior nível (95,7 pontos) desde o início da pandemia de Covid-19. O índice é apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2011. O indicador que mede a perspectiva de consumo se destacou com o maior crescimento mensal, de 3,5%, repetindo a dinâmica de janeiro deste ano. Na variação anual da ICF, houve crescimento de 23,3%. “Isso aponta que os consumidores em geral esperam condições de consumo melhores nos próximos meses, reflexo da inflação mais controlada que no período anterior, o que acaba gerando maior satisfação em relação à própria renda”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros. Desde outubro do ano passado, no entanto, a perspectiva de consumo tem avançado mais do que o nível de consumo. Famílias de menor renda estão confiantes A maior intenção de consumo em fevereiro de 2023 é das famílias de menor renda. Embora o índice para esse grupo ainda esteja abaixo dos 100 pontos, na zona negativa (93,1 pontos), o nível é o maior desde março de 2020. Os consumidores de rendas média e baixa acreditam que as condições de consumo vão melhorar ao longo do primeiro semestre e estão confiantes de que a inflação seguirá moderada. Por outro lado, o indicador de acesso ao crédito caiu 0,5%, chegando aos 85,5 pontos – essa foi a primeira queda desde janeiro de 2022. “A alta dos juros e o avanço da inadimplência encarecem e reduzem a oferta de recursos pelas instituições financeiras”, aponta a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira. Mais consumidores satisfeitos com a renda A ICF deste mês mostrou que, para quase 35% dos consumidores, a renda atual está melhor do que em fevereiro de 2022, quando apenas 21,7% das famílias tinham essa avaliação positiva. Para 40,8%, a renda está igual à recebida no ano passado e, para 23,9%, os vencimentos pioraram. A inflação geral mais contida tem beneficiado a renda disponível, mesmo com o maior endividamento dos consumidores. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) anual, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 5,77% em janeiro, enquanto em igual período de 2022 o índice havia registrado alta de 10,5%. Ricos estão mais cautelosos A intenção de consumo entre as famílias de maior renda se manteve estável entre janeiro e fevereiro deste ano, o que demonstra mais cautela entre os consumidores desse grupo, analisa Izis Ferreira. “Eles estão menos satisfeitos com o emprego e com o nível de consumo atual, pois estão pagando mais caro pelos serviços em geral”, destaca. Além disso, segundo a economista, eles também estão descontentes com a perspectiva profissional e com o acesso ao crédito, que está mais caro e seleto também para esses consumidores. Mulheres mais otimistas No recorte por gênero, a intenção de consumo das mulheres avançou mais em fevereiro (2,7%) do que entre os homens (1,2%) e a satisfação com o nível de consumo e a expectativa de consumir mais nos próximos três meses cresceu mais entre o público feminino. O público masculino está menos satisfeito com o emprego e com as compras a prazo. Na variação anual, houve alta de 26% na intenção de consumo das mulheres e 23,1% na dos  homens. Jovens mais satisfeitos Na separação por faixa etária, a intenção de consumo das pessoas com mais de 35 anos cresceu mais no mês (2,3%) e no ano (25,4%) do que entre os mais jovens, mas ainda está no campo da insatisfação, com 90,4 pontos em fevereiro. O indicador para os mais jovens atingiu 101,3 pontos neste mês, com variação mensal de 1,3% e anual de 21,6%. “A avaliação dos consumidores com mais idade sobre a renda atual é melhor do que a dos mais novos. Por outro lado, são os consumidores com mais idade que apontam maior dificuldade de acesso ao crédito”, conclui Izis Ferreira. Foto: Freepik