SincoElétrico

Intenção de consumo das famílias com menor renda retoma nível pré-pandemia

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 1,3% em fevereiro, descontados os efeitos sazonais, e atingiu o maior nível (95,7 pontos) desde o início da pandemia de Covid-19. O índice é apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2011. O indicador que mede a perspectiva de consumo se destacou com o maior crescimento mensal, de 3,5%, repetindo a dinâmica de janeiro deste ano. Na variação anual da ICF, houve crescimento de 23,3%. “Isso aponta que os consumidores em geral esperam condições de consumo melhores nos próximos meses, reflexo da inflação mais controlada que no período anterior, o que acaba gerando maior satisfação em relação à própria renda”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros. Desde outubro do ano passado, no entanto, a perspectiva de consumo tem avançado mais do que o nível de consumo. Famílias de menor renda estão confiantes A maior intenção de consumo em fevereiro de 2023 é das famílias de menor renda. Embora o índice para esse grupo ainda esteja abaixo dos 100 pontos, na zona negativa (93,1 pontos), o nível é o maior desde março de 2020. Os consumidores de rendas média e baixa acreditam que as condições de consumo vão melhorar ao longo do primeiro semestre e estão confiantes de que a inflação seguirá moderada. Por outro lado, o indicador de acesso ao crédito caiu 0,5%, chegando aos 85,5 pontos – essa foi a primeira queda desde janeiro de 2022. “A alta dos juros e o avanço da inadimplência encarecem e reduzem a oferta de recursos pelas instituições financeiras”, aponta a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira. Mais consumidores satisfeitos com a renda A ICF deste mês mostrou que, para quase 35% dos consumidores, a renda atual está melhor do que em fevereiro de 2022, quando apenas 21,7% das famílias tinham essa avaliação positiva. Para 40,8%, a renda está igual à recebida no ano passado e, para 23,9%, os vencimentos pioraram. A inflação geral mais contida tem beneficiado a renda disponível, mesmo com o maior endividamento dos consumidores. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) anual, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 5,77% em janeiro, enquanto em igual período de 2022 o índice havia registrado alta de 10,5%. Ricos estão mais cautelosos A intenção de consumo entre as famílias de maior renda se manteve estável entre janeiro e fevereiro deste ano, o que demonstra mais cautela entre os consumidores desse grupo, analisa Izis Ferreira. “Eles estão menos satisfeitos com o emprego e com o nível de consumo atual, pois estão pagando mais caro pelos serviços em geral”, destaca. Além disso, segundo a economista, eles também estão descontentes com a perspectiva profissional e com o acesso ao crédito, que está mais caro e seleto também para esses consumidores. Mulheres mais otimistas No recorte por gênero, a intenção de consumo das mulheres avançou mais em fevereiro (2,7%) do que entre os homens (1,2%) e a satisfação com o nível de consumo e a expectativa de consumir mais nos próximos três meses cresceu mais entre o público feminino. O público masculino está menos satisfeito com o emprego e com as compras a prazo. Na variação anual, houve alta de 26% na intenção de consumo das mulheres e 23,1% na dos  homens. Jovens mais satisfeitos Na separação por faixa etária, a intenção de consumo das pessoas com mais de 35 anos cresceu mais no mês (2,3%) e no ano (25,4%) do que entre os mais jovens, mas ainda está no campo da insatisfação, com 90,4 pontos em fevereiro. O indicador para os mais jovens atingiu 101,3 pontos neste mês, com variação mensal de 1,3% e anual de 21,6%. “A avaliação dos consumidores com mais idade sobre a renda atual é melhor do que a dos mais novos. Por outro lado, são os consumidores com mais idade que apontam maior dificuldade de acesso ao crédito”, conclui Izis Ferreira. Foto: Freepik

FecomercioSP orienta empresários sobre como usar o ChatGPT nos negócios

Lançado no final de 2022, o ChatGPT (Chat Generative Pre-Trained Transformer) está entre os assuntos mais comentados do momento. Segundo análise do Conselho de Economia Digital e Inovação (CEDI) da FecomercioSP, a ferramenta representa um novo marco no uso de inteligência artificial para as empresas, pois democratiza o acesso à tecnologia – entre nichos e tamanhos dos negócios –, além de ajudar o consumidor, que pode consultá-lo antes de adquirir um produto ou serviço. O ChatGPT possui a versão gratuita (que é mais restrita) e a versão premium (ao custo de US$ 20 mensais). A ferramenta é capaz de responder perguntas, assim como criar textos e resolver questões propostas pelos usuários. Também pode contribuir para resolver tarefas rotineiras da empresa, reduzindo custos, uma vez que não é necessário contratar funcionários especializados. Assim, os colaboradores da empresa poderão ser direcionados para tarefas mais complexas, que exigem habilidades e conhecimentos específicos, aumentando a produtividade do negócio. Além disso, pode ajudar na automação de tarefas repetitivas, como lidar com solicitações e consultas de clientes, produzir relatórios e realizar promoções em mídias sociais, criando materiais de marketing. A ferramenta tem capacidade de processar grandes quantidades de dados, permitindo que as empresas tomem melhores decisões baseadas em insights gerados por meio desses dados, inclusive traçar estratégias focadas na melhora da experiência do cliente. Ágil na elaboração de respostas, o ChatGPT pode inclusive ajudar no relacionamento com os clientes, ao criar mensagens positivas em datas especiais, por exemplo. Ou ainda, em responder avaliações públicas negativas deixadas por eles. Neste caso, a ferramenta pode criar uma resposta adequada até mesmo para um feedback negativo. Outra vantagem é que o chatbot pode fornecer informações personalizadas, com base nas interações anteriores, tornando a experiência do usuário mais agradável e satisfatória. Também consegue fornecer recomendações de produtos e auxiliar o processo de compra do consumidor. “O cliente pode encontrar determinado produto respondendo algumas perguntas sobre características do que deseja, preço e disponibilidade. Frente ao cenário, o comércio eletrônico tem benefício direto com o uso da ferramenta”, exemplifica Kelly Carvalho, assessora técnica do CEDI. Ela falou sobre o assunto em entrevista ao jornalista Milton Jung, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, nesta quinta–feira (23). A inteligência artificial ainda pode ser usada em processos internos das empresas, ajudando o empreendedor a obter uma análise de dados sobre suas vendas, de forma a criar insights para ações futuras de marca ou serviço. O uso da ferramenta pode trazer diversos benefícios para as empresas, ainda mais se aliado aos demais canais de comunicação, como o atendimento humano quando necessário. “O ChatGPT pode ser adaptado ao perfil de cada cliente com recomendações e sugestões personalizadas, melhorando a jornada de compra e aumentando as chances de fidelização. Além disso, é capaz de lidar com grandes volumes de atendimento ao cliente, tornando-o uma solução escalável para o crescimento do negócio”, explica Kelly. Para introduzir o ChatGPT no negócio é importante que o empreendedor determine os casos de uso em que a ferramenta pode ser útil para o seu negócio, como atendimento ao cliente, suporte técnico, vendas, entre outros. Se a empresa possui uma equipe de desenvolvimento interna, eles podem ser responsáveis por integrar o ChatGPT em seu site ou aplicativo, já que eles têm conhecimento em linguagens de programação e tecnologias. Se a empresa não possui uma equipe especializada, poderá contratar consultores ou agências de tecnologia para realizar a integração. Agora, se a empresa já utiliza uma plataforma de chatbot terceirizada, pode entrar em contato com o suporte da plataforma para obter ajuda na integração com o ChatGPT. Foto: Freepik

Câmaras setoriais da CNC iniciam os trabalhos de 2023 e coordenadores destacam prioridades

As câmaras setoriais da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) retomaram os trabalhos nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, de olho nas mudanças dos cenários econômico e político do País. O coordenador geral das Câmaras Brasileiras de Comércio e Serviços, Luiz Carlos Bohn, reuniu os coordenadores das câmaras para apresentar os resultados de 2022 e abrir espaço a cada um apresentar as prioridades deste ano, em seus segmentos. Entre os temas destacados por eles estão a reforma tributária, a regulamentação do comércio eletrônico, a convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A gestora da Assessoria das Câmaras Brasileiras do Comércio e Serviços (ACBCS) da CNC, Andrea Marins, apresentou números que apontam a maior produtividade e representatividade das câmaras setoriais, em 2022. As 23 reuniões realizadas ao longo de 2022 pelas câmaras abordaram 252 temas de interesse da classe empresarial, os quais resultaram em 76 proposições. A atuação da CNC no tratamento destas proposições foi considerada ótima por 86% dos participantes das câmaras. De acordo com dados da ACBCS, ao todo 455 pessoas integram as câmaras setoriais, o dobro em relação a 2018, quando havia 225 integrantes. Este ano, já são 463. “A representatividade das câmaras setoriais vem crescendo ano a ano. Isso mostra que os empresários e as entidades estão cada vez mais confiantes na atuação CNC”, analisou Andrea Marins. Bohn também fez uma avaliação positiva dos números e da atuação das câmaras setoriais da CNC. “Exercemos o papel democrático de debater as pautas de interesse da classe empresarial com as entidades e com o poder público. Os entendimentos são encaminhados às autoridades constituídas e somados à construção de políticas públicas”, destacou. Prioridades O coordenador da Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários (CBCSI), Pedro Wähmann, enfatizou o ano de muitos desafios e de expectativas, sobretudo quanto à reforma tributária. “As propostas até o momento apresentadas sobrecarregam os setores de serviço, incluindo o imobiliário. Precisamos estar atentos e vigilantes, para que a reforma tributária avance com uma proposta mais equilibrada”, afirmou. O novo coordenador da Câmara Brasileira de Materiais de Construção (CBMC), José Wenceslau de Souza Júnior, ressaltou a importância de regulamentar o comércio on-line dominado por plataformas de marketplace. Para ele, é urgente harmonizar a relação entre o comércio digital e as lojas físicas. “Um setor não pode prejudicar o outro. Pelo contrário, um setor precisa complementar o outro, para que a experiência do cliente seja a melhor. É preciso discutir uma regulamentação e equilibrar o mercado”, ponderou ele. O mesmo tema foi abordado pelo coordenador da Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação e Inovação (CBTIN), Antonio Florencio de Queiroz Junior. “A regulamentação do comércio eletrônico no Brasil é necessária, dada a abrangência do setor e futuro que nos reserva, com o avanço da internet 5G e o surgimento de novas plataformas. É preciso também aprimorar a legislação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”, destacou. Já o coordenador da Câmara Brasileira de Serviços (CBS), Edgar Segato, destacou entre os temas prioritários a criação de pisos salariais dos setores de serviços, com destaque aos profissionais da saúde, segurança e asseio; e a Convenção 158 da OIT no Brasil, que trata das restrições para demissões sem justa causa. “São pautas sensíveis que se avançarem em 2023, poderão prejudicar a atividade empresarial e resultar no fechamento de empresas e em demissões”, alertou ele. Participantes Além de Pedro Wähmann, Wenceslau Júnior, Antonio Florencio e Edgar Segato, participaram da reunião os coordenadores das câmaras brasileiras de Comércio Exterior (CBCex), Rubens Medrano; do Comércio de Peças e Acessórios para Veículos (CBCPave), Ranieri Palmeira Leitão; de Produtos Farmacêuticos (CBFarma), Lázaro Gonzaga; e do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos (CBÓptica), André Roncatto. Foto: CNC

Inadimplência atinge 25% das famílias paulistanas em janeiro

Em janeiro, a inadimplência entre as famílias que moram na cidade de São Paulo chegou a 25%, número um pouco menor do que registrado em dezembro de 2022 (25,5%). Apesar da melhora mensal, o porcentual registrado no primeiro mês do ano está acima dos 20,3% vistos no mesmo período do ano passado representando aumento absoluto de quase 200 mil famílias com compromissos não quitados na data do vencimento. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Dentre os lares da capital paulista, 10% afirmam não ter condições de arcar com os valores. Este dado representa 405 mil famílias nesta situação – o segundo maior nível da série história, iniciada em 2010. Para o grupo com renda inferior a 10 salários mínimos, o número dos que dizem não ter condições de pagar foi o maior da série, totalizando 13,5%. Cartão lidera as dívidasA PEIC também aponta que 73,1% das famílias paulistanas iniciaram o ano com algum tipo de dívida. São 2,95 milhões de lares compromissados com alguma modalidade de crédito. Vale ressaltar que dívida não necessariamente está atrasada. O cartão de crédito segue no topo da lista dos tipos de dívidas dos consumidores da cidade de São Paulo, citado por 82,7% das famílias. Em seguida, os carnês, com 16,2%; o financiamento de carro (12,6%); e o financiamento de casa (10,5%). O levantamento aponta também que 19% dos consumidores afirmam que o PIX foi a forma de pagamento mais vantajosa das compras. Há um ano, este porcentual era de 5,5%. Consumidores mais otimistasO cenário de condições econômicas está mais favorável às famílias paulistanas. Outra pesquisa da FecomercioSP, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), registrou novo aumento em janeiro, de 3,1%. No contraponto anual, a alta foi ainda mais significativa (34,3%). O Índice de Confiança do Consumidor, o ICC, outra pesquisa de confiança da Entidade, também seguiu na linha positiva e apontou crescimento de 2,1% em janeiro. Para a FecomercioSP, começar o ano com indicativos positivos para o bolso do consumidor traz ânimo à economia e aos empresários do comércio. Foto: Freepik

Após menor avanço em seis anos, varejo deve crescer 0,6% em 2023, estima CNC

A expectativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de crescimento modesto do varejo em 2023, de 0,6%, em relação a 2022. No ano passado, o volume de vendas no comércio varejista brasileiro aumentou 1%, na comparação com 2021, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (09/02) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde 2018, quando houve avanço de 2,3%, o volume de vendas no setor não conseguiu subir acima de 2%. “Já era previsto que as medidas de estímulo ao consumo e à recomposição da renda, adotadas no ano passado, não seriam suficientes para acelerar o ritmo das vendas e tampouco deverão contribuir significativamente para o seu avanço em 2023”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros. “O dado positivo, é que 20 das 27 unidades federativas tiveram crescimento, sendo que dez delas avançaram mais de 4%”. Na comparação com novembro de 2022, houve queda de 2,6% e, em relação a dezembro de 2021, houve variação positiva, pelo quinto ano consecutivo, na ordem de 0,4%. Vendas de combustíveis, livrarias e farmácias cresceram Entre os segmentos, as maiores taxas anuais foram apontadas pelas categorias de combustíveis e lubrificantes (16,6%), de livrarias e papelarias (14,8%) e artigos farmacêuticos (6,3%). Os destaques negativos ficaram por conta dos ramos de utilidades domésticas (com queda de 8,4%) e de móveis e eletrodomésticos (redução de 6,7%). Nos dois casos, explica o economista da CNC responsável pela apuração, Fabio Bentes, houve influência do esgotamento do ciclo iniciado durante a crise sanitária, além da deterioração das condições de crédito. Dificuldade de superar a pandemia “Diante do frustrante resultado de dezembro, após 11 meses, o volume de vendas no varejo voltou a se situar abaixo do patamar observado imediatamente antes da decretação da pandemia de covid-19 e ficou em queda de 1,1%”, constata Bentes. Dos 10 segmentos avaliados pelo Instituto, seis ainda apresentam perdas em relação a fevereiro de 2020. As mais significativas foram observadas nos ramos de livrarias e papelarias, com redução de 38,3%, e de vestuário, calçados e acessórios, que registrou queda de 29,9%. Portanto, as performances anuais do varejo em 2020 (aumento de 1,2%), 2021 (crescimento de 1,4%) e 2022 (avanço de 1%), embora semelhantes, devem ser explicadas por razões distintas. “Se, em 2020, a crise sanitária ditou predominantemente o ritmo das vendas, no ano passado, foi a deterioração das condições de consumo que justificou o seu fraco desempenho desde então”, analisa o economista Fabio Bentes. Cenário multifatorial prejudicou setor Severamente castigado pela crise sanitária, o comércio conseguiu crescer pelo sexto ano seguido a partir da normalização da circulação dos consumidores. “Por outro lado, o fraco desempenho das vendas ao longo de 2022 derivou de um cenário pouco propício à expansão das vendas”, pondera Bentes. De acordo com o economista, a desaceleração do nível geral de preços (o IPCA acumulado em 12 meses recuou de 10,1% para 5,8%, entre dezembro de 2021 e dezembro do ano passado) e o recuo no desemprego (a taxa de desocupação média cedeu de 13,5% para 9,5%, no mesmo período) foram neutralizados pelo avanço dos juros e pelo elevado grau de comprometimento da renda. Além disso, segundo o Banco Central, a taxa média de juros avançou de 45% para 55,8% ao ano – a maior taxa em quase cinco anos. Esse movimento, associado ao comprometimento médio da renda com dívidas em nível recorde (28,21% em novembro de 2022, conforme a Peic, também apurada pela CNC), inviabilizou a aceleração do consumo a prazo, como tipicamente ocorre com os bens de consumo duráveis. “Diante das expectativas atuais quanto à inflação ao longo do corrente ano, a perspectiva é que as taxas de juros ao consumidor permaneçam elevadas”, estima Fabio Bentes. Além disso, a expectativa do crescimento da economia neste ano segue inferior a 1%, o que não deve estimular o reaquecimento do mercado de trabalho. Foto: Pixabay

Governo de SP sanciona projeto que põe fim ao “revogaço” dos benefícios fiscais do ICMS

Atendendo a uma demanda antiga das empresas, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou o projeto de lei estadual (PL 82/2021, na Lei 17.627, de 07 de fevereiro de 2023) que põe fim a toda a insegurança causada pelo pelo “revogaço” dos benefícios fiscais do ICMS no Estado, plano que ganhou força em 2020 e afetou não somente os negócios, mas, sobretudo, os consumidores mais vulneráveis. O texto sancionado anula o artigo 22 da Lei Estadual 17.293, que, em 2020, possibilitou a redução de incentivos fiscais relacionados ao ICMS. O artigo ainda determinava que qualquer alíquota fixada abaixo de 18% fosse considerada um benefício fiscal. Na prática, isso abriu caminho ao aumento de impostos, até mesmo de itens essenciais, como alimentos. A Federação destaca que, entre os itens com alíquotas do ICMS abaixo de 18%, uma parcela significativa é essencial para o consumo – cesta que engloba desde alimentos a materiais básicos para construção, principalmente as populares. Trata-se de itens que comprometem um montante relevante do orçamento das pessoas com renda mais baixa. HistóricoEm 2020, a FecomercioSP e diversas empresas que integram seus conselhos se mostraram totalmente contrárias ao avanço do projeto que resultaria em aumento de tributos sobre os preços de carne, leite e outros alimentos. Logo após a Lei 17.293/2020 ser sancionada, foram editados diversos decretos estaduais que resultaram em aumento da carga do ICMS, em afronta à própria lei que criou o ICMS e que delimita os patamares de alíquota para cada produto ou serviço.  O próprio governo chegou a editar decretos para suspender o reajuste do ICMS sobre medicamentos genéricos, produtos hortifrutigranjeiros e insumos agropecuários, diante da confusão causada pela mudança, mas a medida foi insuficiente. A Federação lembra ainda que a Lei 17.293/2020 tem características inconstitucionais acerca da separação dos poderes – como permitir que as alíquotas do ICMS sejam alteradas pelo Executivo, o que representa uma substituição do parlamento paulista na função legislativa. Nem mesmo uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) poderia mudar uma regra neste sentido. A FecomercioSP, inclusive, se reuniu com a Secretaria da Fazenda e Planejamento, em 2021, diante dos prejuízos econômico e social que isso traria em um dos momentos mais graves da pandemia. Em dezembro de 2022, o PL 82/2021 (que revogou o artigo 22 da Lei 17.293/20), de autoria do ex-deputado estadual Ricardo Mellão, que foi conselheiro e representante da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) no Conselho Estadual de Defesa do Contribuinte (CodeconSP), foi aprovado Alesp. O Conselho de Assuntos Tributários (CAT), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), solicitou, então, ao governo paulista, a sanção do PL. No início de janeiro de 2023, Mellão e o ex-deputado federal Vinicius Poit encaminharam, ao governo de São Paulo, uma manifestação em defesa da sanção do PL 82/2021, assinada pela FecomercioSP e outras entidades representativas: ABIIS – Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em SaúdeABIMED – Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia para SaúdeABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos MédicosABRAIDI – Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para SaúdeABRAMED – Associação Brasileira de Medicina DiagnósticaANAHP – Associação Nacional de Hospitais PrivadosCBDL – Câmara Brasileira de Diagnóstico LaboratorialCOMSAUDE FIESP – Comitê do Complexo Produtivo e Econômico da Saúde e Biotecnologia – FIESPFBH – Federação Brasileira de HospitaisFEHOESP – Federação dos Hospitais do Estado de São PauloFórum Paulista do Agronegócio e OCESPSINDHOSP – Sindicato dos Hospitais, Clinicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Analises Clinicas no Estado de São PauloSINDUSFARMA – Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos No dia 6 de fevereiro de 2023, o governo paulista sancionou o PL 82/2021. Para a FecomercioSP, a sanção atende à mobilização do setor produtivo, em curso desde 2020, e é uma decisão acertada no sentido de garantir mais previsibilidade ao setor produtivo. Foto: Freepik

eSocial e DCTFWeb: prorrogada para abril entrega das informações de ações trabalhistas

Os contribuintes obrigados a enviar informações de processos e acordos trabalhistas terão mais três meses para apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb), uma vez que a exigência no eSocial foi prorrogada de 1º de janeiro para 1º de abril de 2023. A Instrução Normativa da Receita Federal RFB 2.128, de 23 de janeiro, determina que os fatos geradores que ocorrerem a partir de abril de 2023 decorrentes de decisões condenatórias ou homologatórias proferidas pela justiça do trabalho, serão confessados através da DCTFWeb, em substituição a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Vale lembrar ainda que a partir do fato gerador de maio de 2023, a DCTFWeb substituirá a DCTF como instrumento de confissão de dívida e de constituição de créditos tributários relativos ao IRPJ, IRRF, CSLL, PIS/Pasep e Cofins retidos na fonte. As mudanças constam na versão atualizada (S-1.1) do eSocial, e os eventos são relativos a fatos geradores ocorridos a partir de abril de 2023. São eles: S-2500 – Processo Trabalhista;S-2501 – Informações de Contribuições Decorrentes de Processo Trabalhista;S-3500 – Exclusão de Eventos – Processo Trabalhista;S-5501 – Informações de Tributos Decorrentes de Processo Trabalhista. Fonte: FecomercioSP Foto: Pixabay

“É tempo de convergências”, por Abram Szajman

Por Abram Szajman* O governo recém-empossado tem, diante de si, um cenário desafiador, uma vez que os problemas do Brasil, já tão complexos, foram agravados pela pandemia, que ceifou a vida de quase 700 mil pessoas. Além do impacto no orçamento público e de um déficit educacional difícil de dimensionar e (mais ainda) de superar, há pela frente amplas tarefas de enfrentamento da inflação, do desemprego e da miséria e de reorganização dos sistemas de saúde, proteção social, transporte e habitação, além da necessidade de melhora nos índices de produtividade e da redução da burocracia. No horizonte global, pairam catástrofes ambientais e disputas geopolíticas. Mudanças nos fluxos de produção e comércio estão ocorrendo, e o País precisa se aparelhar para não ser atropelado por estas transformações. Está claro que o equilíbrio internacional não foi rompido porque os países estão respeitando suas dependências econômicas e procurando se ajustarem ao quadro sem precedentes que se instalou – afinal de contas, o descuido com a economia pode trazer consequências imprevisíveis. A história nos prova que o comércio de bens e serviços é um elemento pacificador. A concentração das vontades em torno de um projeto que avance na solução de nossos problemas econômicos e sociais deve ser elemento norteador das decisões das lideranças da Nação, públicas e privadas. Como empresários, classe que represento, aguardamos diretrizes nos rumos da economia para tomarmos as decisões da porta da empresa para dentro. A instabilidade deve ser superada por uma agenda discutida e pactuada de interesse comuns, pois o que está em jogo é a recuperação estrutural. Se não assumir compromissos programáticos, o Estado germinará a própria desagregação. No momento em que o mundo parece ingressar numa desaceleração da atividade econômica, com guerra prolongada na Europa e recrudescimento da covid-19 na China, o Brasil deve cuidar de suas inconsistências para dar a volta por cima, com atenção à “economia verde e digital”. A crise de alguns pode ser oportunidade para outros. Maior detentor de biodiversidade no mundo, o País goza de credibilidade para se inserir no processo de descarbonização. Mesmo com tantos atributos ambientais, ainda lidamos com a falta de políticas de incentivo, o que reflete, de certo modo, a parca conscientização da sociedade acerca das mudanças climáticas. Precisamos de vontade política e coesão social para não perder, mais uma vez, o bonde da história. No fim do dia, o que interessa ao cidadão são serviços públicos mais eficientes e melhores condições para viver e produzir riqueza na medida de nossas carências e potencialidades. *Abram Szajman é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S. Paulo em 05 de fevereiro de 2023.

CCT Comerciários ABC é celebrada

O SincoElétrico celebrou junto ao Sindicato dos Empregados no Comércio de Santo André e Região – SEC ABC, com base territorial nas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Ribeirão Pires e Mauá, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2022-2023. O documento está disponível para consulta e download e as dúvidas podem ser sanadas através do e-mail: juridico@efeitoc.com.br ou por telefone (11) 3333 8377. foto: Freepik

Em primeira reunião do ano, Copom opta por cautela e mantém Selic a 13,75%

Sem criar surpresas entre os investidores, o Conselho de Política Monetária do Banco Central (Copom) optou por manter a taxa Selic em 13,75% ao ano (a.a.). A decisão foi tomada na primeira reunião de 2023, realizada na quarta-feira (1º). De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em dois anos, a taxa saiu de 2% a.a. para os atuais 13,75%. Isso aconteceu por causa da inflação que veio forte nos últimos anos, ocasionada principalmente pela pandemia e pela guerra na Ucrânia. Frente a este cenário, o Banco Central (Bacen), o guardião da moeda e do poder de compra, atento a esta situação, fez seguidas elevações da Selic – até chegar ao patamar atual. Para a equipe econômica da FecomercioSP, contudo, o ideal seria que o Bacen iniciasse o ciclo de redução da taxa de juros. Este movimento contribuiria para aquecer a atividade econômica e para que as famílias obtivessem crédito, a fim de quitar os compromissos em atraso. O crédito é uma variável fundamental para o estímulo ao consumo dos lares e os investimentos das empresas, com o objetivo de girar a economia mediante a geração de emprego e renda. A inflação está arrefecendo, embora esteja acima do teto da meta estabelecida pelo banco, de 5%. Os preços mais controlados começam a dar abertura a uma decisão de cortar a Selic. A alta dos juros contribui para a inflação cair?  Segundo a FecomercioSP, os juros elevados estimulam os investidores a injetar recursos em aplicações financeiras. Consequentemente, isso contribuiu para a diminuição da demanda agregada (investimentos, consumo das famílias, gastos do governo e transações comerciais). O dinheiro sai da economia real, produtiva, para ficar “parado” no banco. Desta forma, vale a lei de oferta e demanda: se a procura e os gastos caem, os preços tendem a seguir na mesma direção. Se, por um lado, a Selic elevada ajuda no controle da inflação – o que é bom sob o ponto de vista da manutenção do poder de compra –, por outro, causa riscos e dificuldades à população e às empresas. A FecomercioSP explica que, pela ótica das famílias, o crédito fica mais caro e a inadimplência ganha potencial de expandir. Setores como o de construção civil, eletrodomésticos e veículos, dependentes de financiamento, sofrem mais no ciclo de aumento de juros. Pela ótica das empresas, todas as modalidades de crédito, como capital de giro e antecipação de duplicatas, ficam mais caras. Assim sendo, necessitam de mais esforço nas vendas e retorno do negócio para quitar o compromisso feito. No ponto de vista político, a nova equipe econômica precisa mostrar de fato qual será a nova âncora fiscal, uma vez que fazem críticas sobre o atual modelo de teto de gastos. Além disso, o aumento dos custos do governo pode contribuir para a pressão nos preços. Por isso, é compreensível a decisão pela cautela de manter os juros por parte do Copom. Foto: Freepik