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Endividamento elevado muda padrão de consumo e pressiona empresas

Com 71,1% das famílias paulistanas endividadas no mês de março, o padrão de consumo mudou e começa a pressionar o desempenho das empresas, especialmente no Comércio e nos Serviços. Equivalente a cerca de 3,2 milhões de lares com dívidas, o índice aponta o comprometimento médio de 26,7% da renda. O panorama foi detalhado durante reunião do Comitê de Relacionamento de Assessorias Econômicas e Especiais (CRAEE) da Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), no dia 15 de abril, que trouxe dados sobre o comportamento financeiro do consumidor, apresentados por Bruno Souza, assessor econômico da Federação. “O cenário revela uma mudança no papel do crédito dentro do orçamento doméstico, pois deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade para sustentar o consumo”, afirmou. A pressão é mais intensa entre as famílias de menor renda, em que o endividamento atinge 74,5%, mas também se mantém elevado nas faixas superiores, com 61,3%. Esse quadro reduz a capacidade de ajuste financeiro e torna o consumidor mais cauteloso nas decisões de consumo. Para Souza, a consequência direta é um comportamento mais defensivo, com foco em itens essenciais e menos margem para gastos de maior valor. Crédito sustenta consumo O principal tipo de dívida é o cartão de crédito, com 79,3%, o principal instrumento de financiamento das famílias. Na prática, tem sido utilizado para cobrir despesas do dia a dia, e não apenas compras pontuais. “Hoje, o crédito funciona como uma ponte entre a necessidade e a capacidade de pagamento”, explicou. Esse movimento mantém o consumo ativo, mas em menor qualidade. O consumidor segue no mercado, porém mais sensível a preços, buscando promoções e alternativas mais baratas. Ao mesmo tempo, há redução da liquidez, o que diminui as compras à vista e amplia a dependência do parcelamento como condição para consumir. A tendência deve continuar: cerca de 11,4% dos consumidores pretendem contratar crédito nos próximos meses, dos quais 83% serão destinados ao consumo corrente. O dado reforça a leitura de que o crédito passou a sustentar despesas básicas, sem necessariamente estar atrelado a aumento de renda. Impacto para os negócios O enfraquecimento financeiro das famílias já se reflete no ambiente empresarial. O número de empresas inadimplentes no Brasil chegou a 8,9 milhões, com alta de 29% em relação ao ano anterior e um volume de R$ 213 bilhões em dívidas. Os setores mais dependentes do consumo doméstico concentram os maiores reflexos, com destaque para Serviços e Comércio. Segundo o assessor, há uma transmissão direta desse movimento. “O problema que começou nas famílias está chegando ao balanço das empresas, principalmente aquelas mais expostas ao consumo recorrente”, disse Souza. A inadimplência das famílias também avançou. Em março, 20,9% estavam com contas em atraso e tempo médio de 66 dias para regularização. O aumento de 1,6 ponto porcentual (p.p.) em um ano representa mais de 70 mil novas famílias inadimplentes, indicando mais dificuldade de recuperação financeira. O ambiente de pressão aparece ainda no número de recuperações judiciais, que somaram 2.466 casos, um recorde histórico. O dado mostra que muitas empresas continuam operando, mas com elevado nível de endividamento e restrição de caixa. Nesse contexto, a recomendação é ajustar a estratégia ao novo perfil do consumidor. Mais seletivo, com menos recursos disponíveis e maior dependência de crédito, ele exige políticas comerciais mais cautelosas. Entender esse comportamento deixou de ser diferencial e passou a ser condição para manter as vendas em um ambiente mais desafiador. Foto: Freepik

Empresariado mantém cautela diante das incertezas econômicas, aponta FecomercioSP

Após impulso das vendas do fim de ano que geraram quatro altas consecutivas, em fevereiro, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) da capital paulista recuou 0,6%, ao passar de 104 pontos em janeiro para 103,3 pontos — em relação ao mesmo período do ano passado, o indicador mantém-se estável [gráfico 1]. Por outro lado, o Índice de Expansão do Comércio (IEC) do Município de São Paulo, avançou 4,2% no comparativo interanual e apresentou leve alta (0,5%) em relação ao mês de janeiro, com 107,6 pontos [gráfico 2]. [GRÁFICO 1]Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC)Fonte: FecomercioSP Os indicadores são elaborados mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que já preveniu os empresários sobre o cenário de desaceleração das vendas e até mesmo a queda em alguns segmentos, diante de um cenário de juros elevados e inadimplência em alta. Por esse motivo, a Federação continua alertando para que as empresas se prepararem e adotem uma postura mais cautelosa em relação a novos investimentos e a formação de estoques. [GRÁFICO 2]Índice de Expansão do Comércio (IEC)Fonte: FecomercioSP Empresários estão preocupados com o cenário econômico  O ICEC é composto por três subíndices. O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), foi o único indicador que registrou um avanço tímido, de 1,1%, em relação a janeiro, mas o indicador está pelo 36º mês consecutivo em patamar pessimista (78 pontos) e 2,7% abaixo de fevereiro do ano passado. Esses dados refletem que, mesmo com o crescimento das vendas nos últimos meses, os empresários da capital não estão satisfeitos com outros aspectos, como rentabilidade, pressão de custos, juros elevados e política econômica do governo. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) caiu 2,1%, de 129,4 pontos em janeiro para 126,7 pontos em fevereiro, e no comparativo anual houve queda de 1,9%. O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) permanece estável, com 105,3 pontos — 5,1% acima do apurado no mesmo período do ano anterior. Segundo a avaliação da Entidade, a flutuação do indicador em torno dos 100 pontos significa que os empresários estão adotando uma postura mais cautelosa em relação a novos investimentos, diante das incertezas que devem permanecer em ano eleitoral [gráfico 3].  Na análise da FecomercioSP, se, por um lado, o início do ciclo de queda da taxa Selic e as vendas do Dia das Mães podem surtir um efeito positivo sobre a confiança nos próximos meses, por outro, a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre a inflação, decorrentes do preço do petróleo, é fonte de preocupação.  [GRÁFICO 3] Subíndices do ICEC: ICAEC, IEEC e IIEC Fonte: FecomercioSP Empresários estão investindo menos  O Índice de Expectativa para Contratação de Funcionários (ECF), subíndice responsável pela alta do IEC, avançou 1,4% e registrou 120 pontos no mês de fevereiro. Após o melhor período de vendas para o setor, a propensão para contratar segue elevada, com alta de 7,4% acima de fevereiro de 2025.  [GRÁFICO 4] Subíndices do IEC: Expectativa para Contratação de Funcionáriose Nível de Investimento das Empresas Fonte: FecomercioSP O Índice de Nível de Investimento das Empresas (NIE), também subíndice do IEC, registrou 95,2 pontos e queda de 0,7% — permanece na zona de pessimismo pelo 15º mês consecutivo — resultado da postura conservadora do empresário paulistano em relação a investimentos em máquinas, equipamentos, reformas e aberturas de lojas diante do cenário econômico. Foto: Freepik

Intenção de consumo das famílias registra nova alta

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou o quinto mês consecutivo de alta em março, alcançando 104,6 pontos. O resultado representa avanço de 0,4% no mês, descontados os efeitos sazonais, e consolida o maior nível atingido pelo indicador desde março de 2015 (quando a ICF esteve em 107,8 pontos). Na comparação com igual período do ano passado, o índice apresenta crescimento de 2,4%. O principal motor desse otimismo é o item Momento para Compra de Bens Duráveis, que saltou 16,6% em relação a março de 2025. Apenas no último mês, este componente cresceu 1,9%, atingindo 74,9 pontos — ainda no pessimismo abaixo dos 100 pontos, mas o maior patamar desde abril de 2015. Esse movimento é estimulado pela desaceleração dos preços no setor: enquanto a inflação geral (IPCA) acumulou 3,81% em 12 meses até fevereiro, a inflação específica de bens duráveis foi de apenas 0,62% no mesmo período. “É positivo ver que a população confia no seu poder de compra de itens duráveis e que todas as faixas econômicas registram este otimismo”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac. “Para essa equação encontrar equilíbrio e não aumentar ainda mais os níveis de endividamento e inadimplência, precisamos que a política monetária do Banco Central e as autoridades financeiras promovam a redução dos juros, o que deverá garantir a sustentabilidade desse ciclo de consumo e produção, pois este é um movimento virtuoso para todo o País”, completa Tadros. Por faixa de rendaA intenção de consumo dos brasileiros avançou em todos os estratos de renda em março, consolidando uma trajetória de recuperação pelo quinto mês seguido. As famílias com renda de até 10 salários mínimos apresentaram nível de intenção de compra 2,9% superior ao registrado em março de 2025. Já o grupo com renda superior a 10 salários mínimos registrou alta mensal de 1,2%. Relação entre emprego e consumoApesar do cenário favorável ao consumo de produtos de maior valor agregado, os componentes ligados ao mercado de trabalho apresentaram retrações que impõem cautela ao índice geral. O componente Emprego Atual registrou queda de 0,6% tanto na comparação mensal quanto na anual. De forma ainda mais acentuada, a Perspectiva Profissional dos consumidores teve retração de 5,5% em relação a março do ano passado, sinalizando desconfiança quanto à evolução das carreiras no curto prazo. Acesse a pesquisa completa Fonte: CNC Foto: Freepik

Boletim Focus: mercado financeiro mantém em 3,91% estimativa de inflação em 2026

Projeções fazem parte do boletim ‘Focus’, divulgado na segunda (16) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada com mais de 100 instituições financeiras na última semana. Estimativas fazem parte do boletim ‘Focus’, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada com mais de 100 instituições financeiras na última semana. Os economistas do mercado financeiro mantiveram em 3,91% sua estimativa de inflação para o ano de 2026. A expectativa faz parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. Taxa de juros Após a taxa básica da economia ter sido mantida 15% ao ano no mês passado — o maior nível em quase 20 anos —, o mercado financeiro segue acreditando que os juros vão recuar neste ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado de crescimento permaneceu estável em 1,82%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi de 2,3%, conforme divulgou o IBGE na semana passada. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%. Taxa de câmbio em queda O mercado financeiro reduziu sua estimativa para a taxa de câmbio, ao fim deste ano, de R$ 5,42 para R$ 5,41. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos para o dólar continuou em R$ 5,50. Fonte: G1 Foto: Freepik

Copom reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Essa é a primeira diminuição da Selic desde maio de 2024. Essa era a expectativa da maior parte do mercado financeiro, que projetava uma redução de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. O comitê entende que a decisão “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”. Por conta dos conflitos no Oriente Médio, o Comitê não indicou novos cortes nas próximas reuniões. Na decisão, o Copom afirma que, no cenário atual, “os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”. O começo do processo de queda dos juros no Brasil ocorre apesar das incertezas internacionais, decorrentes da guerra no Oriente Médio — que tem pressionado o petróleo para mais de US$ 100 por barril, contra US$ 72 antes do conflito. A disparada do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes. A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada. Na decisão, o Copom afirma que os conflitos no Oriente Médio afetam “direta e indiretamente” a inflação no Brasil e que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos. “O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”, diz o comunicado. Copom desfalcado A reunião desta quarta teve dois votos a menos, por causa das saídas do diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen. O governo ainda não indicou substitutos. Como as decisões são tomadas Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o terceiro trimestre de 2027. Fonte: G1 Foto: Freepik

Famílias paulistanas iniciaram fevereiro mais dispostas a consumir, aponta FecomercioSP

Mesmo com juros em patamares elevados, o mercado de trabalho aquecido e a desaceleração gradual da inflação estão sustentando a confiança dos consumidores e a intenção de compra dos paulistanos. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) — que mede o humor e a propensão imediata para o consumo — registrou ligeira alta de 0,7% em fevereiro, atingindo 116,1 pontos no comparativo com o mês anterior e alta de 5,7% em relação ao ano passado. Além disso, outro indicador que reflete percepções dos consumidores sobre o ambiente econômico e as expectativas de longo prazo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), avançou 5,7% na comparação interanual e estabilidade no mês, atingindo 127,4 pontos. Segundo a FecomercioSP, a política monetária restritiva começa a produzir efeitos graduais sobre a inflação, o que pode abrir espaço para flexibilização no segundo semestre de 2026, desde que as expectativas inflacionárias estejam ancoradas e o cenário fiscal permaneça sob controle. Para o varejo paulistano, o cenário é mais favorável do que em 2025, mas com crescimento seletivo, dependente da trajetória dos juros, da renda real e da estabilidade macroeconômica. Melhora gradual nas intenções de compra, mas ainda com cautela Dentro dos subíndices do ICF, o indicador emprego atual manteve o patamar elevado em fevereiro, ao registrar 139,6 pontos, com avanço de 5,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado indica que a percepção das famílias sobre as condições do mercado de trabalho segue positiva. A combinação entre níveis de ocupação ainda robustos e expansão da massa de rendimentos reais — ainda que em ritmo moderado — continua atuando como um dos principais motores da intenção de consumo, mesmo em um ambiente marcado por juros elevados e crédito caro. A renda atual também permanece em patamar elevado, ao registrar 140,3 pontos, mas mostra-se estável tanto no comparativo mensal quanto no anual. Considerando que a inflação de serviços ainda apresenta persistência — componente particularmente mais sensível no orçamento das famílias —, o resultado sugere que a melhora na intenção de consumo tem sido sustentada mais pela percepção de segurança no emprego do que por um avanço efetivo do poder de compra. O maior avanço no comparativo mensal foi a perspectiva profissional, com alta de 2,5%, registrando 123,8 pontos — porém abaixo do nível observado no mesmo período do ano passado (125,2 pontos) —, com um aumento recente das expectativas, mas não um ciclo consolidado de otimismo estrutural. O indicador de acesso ao crédito (114,1 pontos) mostra que, embora o custo do crédito permaneça elevado, a percepção de viabilidade para compras parceladas melhorou de forma significativa, com alta de 16,9% no comparativo interanual e de 0,3% no mensal. A perspectiva de consumo (112 pontos) sinaliza uma visão favorável para o consumo futuro, registrando alta de 8,6% no comparativo interanual. Contudo, o nível de consumo atual (92,8 pontos) e o momento para duráveis (90,3 pontos) continuam em patamar negativo, apesar de registrarem avanços no mês e no comparativo anual. Os resultados indicam melhora gradual nas intenções de compra, mas ainda revelam cautela por parte dos consumidores, sobretudo na aquisição de bens de maior valor. Esse comportamento reflete, em grande medida, o efeito dos juros elevados, que tornam o crédito mais caro e retardam a recuperação do consumo de bens duráveis. Confiança cresce, mas consumo segue desigual entre rendas Entre os consumidores com renda de até dez salários mínimos, o ICF atingiu 114,9 pontos em fevereiro, com alta de 8,4% nos últimos 12 meses. O principal destaque foi o acesso ao crédito, que chegou a 112,4 pontos e registrou crescimento anual de 23,3%. Mas os indicadores de momento para duráveis (88,8 pontos) e nível de consumo atual (88,4 pontos) permanecem na faixa de pessimismo. A renda atual, por sua vez, apresentou leve recuo no mês (-0,6%) e no ano (-0,3%), sugerindo que a melhora da confiança está mais associada ao crédito e às expectativas do que ao aumento efetivo da renda. Entre os consumidores com renda acima de dez salários mínimos, o ICF alcançou 119,9 pontos, com leve queda de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse grupo, a renda atual atingiu 146,7 pontos, patamar considerado elevado, com avanço de 1,9% tanto no mês quanto no comparativo anual. O acesso ao crédito também cresceu, chegando a 119,1 pontos, enquanto o indicador de momento para duráveis recuou para 94,9 pontos, refletindo maior cautela nas compras de maior valor em um cenário de juros ainda elevados. A comparação entre as faixas de renda indica uma retomada heterogênea do consumo. Em fevereiro, o ICF dos consumidores de maior renda superou o da faixa de até 10 salários mínimos em 5 pontos. A maior diferença aparece no nível de consumo atual, com vantagem de 17,3 pontos para a renda mais alta, evidenciando que o consumo corrente permanece significativamente mais forte entre as famílias com maior poder aquisitivo. Expectativas impulsionam confiança do consumidor A confiança do consumidor paulistano em fevereiro de 2026 foi sustentada principalmente pela melhora das expectativas em relação ao cenário econômico. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) avançou 2,4% na comparação mensal, alcançando 131,7 pontos, e registrou alta de 7,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado reflete uma percepção mais favorável quanto à renda futura, às perspectivas do mercado de trabalho e ao ambiente econômico, indicando maior estabilidade nas expectativas de médio e longo prazos, mesmo diante de um contexto ainda marcado por incertezas internas e externas. Em sentido oposto, o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) recuou 3,7% frente a janeiro, e registrou 121 pontos. A retração foi disseminada entre a maior parte dos grupos analisados, com exceção de consumidores com renda superior a dez salários-mínimos e pessoas com 35 anos ou mais, que apresentaram leve avanço. Apesar do recuo no mês, o indicador permanece acima do observado há um ano, com crescimento interanual de 2,3%, demonstrando que a avaliação sobre a

O que fazer para vender mais na Semana do Consumidor? veja algumas dicas

Celebrado em 15 de março, o Dia do Consumidor deixou de ser apenas uma data simbólica de valorização de direitos e se transformou em um dos principais marcos promocionais do calendário varejista. Conhecida como a “Black Friday do primeiro semestre”, a promoção vem sendo ampliada para uma semana e até mesmo para o Mês do Consumidor, buscando atrair mais clientes.  No ano passado, as vendas na data atingiram R$ 1,2 bilhão, queda de 8,8% em relação a 2024, de acordo com dados da Confi.Neotrust. Aqui, é importante destacar que essa queda é consequência da estratégia de ampliar o alcance da data por mais dias. Ao considerar a Semana do Consumidor, entre os dias 10 e 16 de março, o faturamento atingiu R$ 8,3 bilhões, alta de 13,6% em relação ao mesmo período de 2024. O varejo comercializou 61 milhões de itens, um crescimento expressivo de 27,8%.  De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o quadro de desaceleração econômica e crédito ainda restritivo tende a tornar as compras mais seletivas no Dia do Consumidor deste ano. A resiliência do mercado de trabalho, porém, ainda ajuda a sustentar a demanda. Nesse contexto, a expectativa é de que os bens essenciais voltem a se destacar, especialmente nas categorias de saúde, utilidades domésticas, beleza e perfumaria. Já a compra de bens duráveis (eletrodomésticos, eletrônicos etc.), cuja aquisição costuma comprometer a renda por vários meses, deve ser analisada com mais cautela pelos consumidores.  Um aspecto importante a ser levado em conta é que, diferentemente de outras datas — como o Dia das Mães ou dos Namorados, em que se compra para presentear —, no Dia do Consumidor as pessoas adquirem itens para uso próprio. Esse é o motivo que impulsionou o resultado do segmento de saúde em 2025, por exemplo, com alta de 91% nas vendas de medicamentos em comparação com o ano anterior.  Como se planejar para a data? A FecomercioSP preparou algumas dicas para que o empresário possa atingir os melhores resultados e atrair novos clientes para a sua loja online ou física. A primeira sugestão é que o comerciante não foque apenas o dia 15, domingo, mas crie a semana do consumidor com ações promocionais para os clientes, tanto na loja física quanto no e-commerce.  O varejista deve ficar atento às pesquisas de agências de marketing digital e marketplaces realizadas com os consumidores, indicando as preferências e tendências de produtos, o que ajuda na seleção de produtos e formação de estoques para a data.   Quem vende pelos marketplaces deve revisar os anúncios existentes e intensificar a publicação de novos, ampliando o portfólio de produtos da loja ou criando kits com os itens em estoque. Além de proporcionar um aumento do tíquete médio, a criação desses kits dilui as taxas fixas cobradas por alguns marketplaces.  Os descontos precisam ser reais, pois muitos clientes acompanham os preços dos itens desejados e não aceitam ser ludibriados. Nas lojas físicas, principalmente para os produtos que ficaram parados no estoque, as campanhas do tipo “leve 3 pague 2” e ofertas com descontos atrativos na compra da segunda unidade são estratégias que funcionam.  As tecnologias são grandes aliadas para aumentar as vendas e fidelizar clientes, como as ferramentas de precificação inteligente. Por meio do monitoramento automatizado de preços da concorrência, esses sistemas permitem ajustar valores de forma dinâmica, respeitando uma margem mínima previamente definida pelo empresário. Além disso, ao integrar dados de estoque, giro de produtos, sazonalidade e histórico de vendas, a tecnologia ajuda a identificar quais itens podem receber descontos mais agressivos para ganhar volume e quais devem preservar margem.  Em tempos de consumidor mais sensível a preço e altamente comparativo, a precificação inteligente evita decisões baseadas apenas em “achismo”, além de reduzir riscos de perda de rentabilidade e possibilitar campanhas mais competitivas — equilibrando faturamento, margem e geração de caixa.  Quanto aos meios de pagamento, vale a pena o varejista incentivar e até mesmo oferecer desconto diferenciado para quem optar pelo pagamento por PIX. Com os juros altos, essa modalidade de pagamento reforça o caixa da empresa e disponibiliza o dinheiro de maneira imediata e a um custo bem menor quando comparado com o cartão de débito ou crédito.  É importante também se preocupar com os motivos de desistência de compra do cliente, como o valor do frete — no comércio eletrônico —  e falhas na operação que podem inviabilizar uma compra. Por isso, o comerciante deve rever e corrigir eventuais distorções em sua tabela de frete e, quando possível, oferecer gratuitamente o serviço de delivery na loja física. Ademais, é importante cuidar para que tudo funcione perfeitamente, com especial atenção para o estoque, os materiais de expedição (caixas, fitas, etiquetas etc.), a eficiência dos processos e, sobretudo, a qualidade do atendimento.  Como o Dia do Consumidor é uma data relativamente recente e pouco conhecida no varejo físico, intensifique a divulgação das ações promocionais que ocorrerão na loja também pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Fonte: FecomercioSP Foto: Freepik

PIB cresce 2,3% em 2025 e pequenos negócios são parte fundamental do sucesso da economia

A economia brasileira movimentou mais de R$ 12,7 trilhões em 2025. O valor aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 2,3% em comparação ao ano anterior. O grande destaque para o avanço, de acordo com o levantamento Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o setor da Agropecuária, que teve um aumento de 11,7% no período. Na sequência, está o setor de Serviços, que é composto por mais de 13,5 milhões de pequenos negócios espalhados pelo país, o que demonstra o poder e a importância do segmento para o crescimento da economia. “São homens e mulheres que acordam cedo para realizar seu sonho de empreender e que produzem riqueza para o nosso país, mas, principalmente, geram emprego e renda e inclusão para a população. Esse é um momento especial para os pequenos negócios brasileiros”, diz Décio Lima, presidente do Sebrae O crescimento no setor de Serviços foi verificado em diferentes atividades: Informação e comunicação (6,5%); Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%); Transporte, armazenagem e correio (2,1%); outras atividades de serviços (2,0%); Atividades imobiliárias (2,0%); Comércio (1,1%); e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%). Além do setor de Serviços, a Indústria – que conta com mais de 90% dos CNPJs constituídos como microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs) – teve um crescimento de 1,4% no ano passado. Consumo das famílias A pesquisa do IBGE também verificou o crescimento do consumo das famílias de 1,3% em relação a 2024. De acordo com a entidade, isso se deve à melhora no mercado de trabalho, ao aumento do crédito e aos programas governamentais de transferência de renda. Dados do Sebrae mostram que, no acumulado de 2025, o Brasil teve um saldo de 1.279.498 empregos. Desse total, as micro e pequenas empresas (MPEs) responderam por 80,5%, o segundo melhor desempenho do setor em três anos. Fonte: Agência Sebrae Foto: Freepik

 Juros altos travam o varejo e avaliação do empresário sobre o momento econômico cai 6,1% em um ano

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta sexta-feira (30), revela que o varejo brasileiro inicia 2026 sob o peso do restritivo cenário monetário. Embora o índice geral apresente sinais de recuperação mensal, a percepção dos comerciantes sobre as condições atuais da economia e do setor registrou queda de 6,1% em janeiro, quando comparada ao mesmo período do ano passado. O principal detrator desse resultado é o indicador específico das condições atuais da economia, que despencou 8,1% na base anual. Segundo a análise técnica da CNC, esse movimento é reflexo direto do patamar elevado das taxas de juros, que encarece o crédito e desestimula o consumo de bens de maior valor agregado. “O ciclo de endividamento e inadimplência do consumidor tem efeito no bolso das famílias brasileiras e no planejamento do investimento por parte do empresário. Precisamos fazer um esforço para ter taxas de juros menores, devolvendo poder de compra ao trabalhador, e assim avançarmos em 2026 com a nova reforma tributária e o período de eleições sem o aperto monetário que diminuiu a confiança do comerciante nos últimos meses”, avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. O impacto dos juros e a “espera estratégica” O ciclo de alta da Selic afetou de forma mais severa o segmento de bens duráveis – como eletrônicos, eletrodomésticos e veículos –, que registrou o maior recuo anual na percepção atual do comércio (-7,6%). Apesar do pessimismo no presente, o setor vislumbra um ponto de inflexão no horizonte próximo. “Espera-se redução da Selic a partir do segundo trimestre do ano”, aponta o relatório da CNC. Essa perspectiva favorável para os juros nos próximos meses justifica por que as intenções de investimento, embora ainda em terreno negativo na comparação anual, foram os itens que menos tiveram perdas, com os varejistas aguardando o momento ideal para a tomada de decisão. “O cenário de pleno emprego e a inflação menor do que o esperado são dois bons sinais da economia. No entanto, para que a população tenha poder de compra de bens duráveis e semiduráveis, ela precisa de acesso saudável ao crédito para desfrutar do parcelamento. Nestes setores do comércio, mesmo com a recente queda do dólar, dependemos de uma taxa Selic mais amena e de juros menos agressivos”, explica o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. Sinais de resiliência no curto prazo No comparativo mensal, o cenário apresenta nuances de melhora. Descontados os efeitos sazonais, o Icec avançou 0,9% em janeiro frente a dezembro, atingindo 103,0 pontos. Este é o maior nível do indicador desde julho de 2025, marcando a terceira alta mensal consecutiva. Outros dados que reforçam o sinal de recuperação gradual no curto prazo incluem: Acesse a pesquisa completa foto: Freepik

Entenda o que é a Selic, por que ela está em 15% e como isso afeta a economia

A taxa Selic foi mantida em 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na primeira reunião de 2026. A decisão ocorre em um contexto de inflação ainda desafiadora e de desaceleração da atividade econômica, com impactos diretos sobre consumo, crédito e investimentos. A seguir, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) explica de forma objetiva o papel da Selic e seus efeitos sobre a economia real. O que é a Selic e por que está em 15%? A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve de referência para todas as demais taxas praticadas no país, como juros de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e aplicações financeiras. Definida pelo Banco Central do Brasil, a Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado para controlar a inflação. Quando a taxa sobe, o crédito tende a ficar mais caro e o consumo diminui; quando cai, o crédito fica mais acessível, estimulando a atividade econômica. A manutenção da Selic em patamar elevado reflete o esforço da autoridade monetária para conter a inflação e manter as expectativas inflacionárias sob controle. Juros mais altos reduzem a circulação de dinheiro na economia, ajudando a conter a pressão sobre os preços. Além disso, a taxa básica também incorpora fatores relacionados ao ambiente macroeconômico, como o nível de confiança dos agentes econômicos, a trajetória das contas públicas e o cenário internacional. Em contextos de maior incerteza, a política monetária tende a ser mais cautelosa. Efeitos para a economia Com juros elevados, o crédito fica mais caro para famílias e empresas. Isso reduz a disposição para compras parceladas e investimentos, impactando diretamente o comércio, os serviços e o turismo. Desde o início do atual ciclo de alta e manutenção da Selic, dados da CNC indicam desaceleração do varejo e avanço da inadimplência, especialmente entre famílias e micro e pequenas empresas. Esse cenário compromete o ritmo de vendas, a geração de empregos e a sustentabilidade dos negócios. A Selic elevada aumenta o custo de captação dos bancos, que tendem a repassar esse custo aos consumidores. Como consequência, empréstimos e financiamentos ficam menos acessíveis, o que limita investimentos produtivos e amplia dificuldades financeiras. Para setores intensivos em crédito, como comércio e serviços, a manutenção prolongada de juros altos tende a reduzir a atividade econômica e postergar decisões de expansão. Previsibilidade fiscal Segundo a CNC, o controle da inflação é fundamental, mas seus custos sobre a economia real aumentam quando a política monetária precisa atuar de forma isolada. Medidas que reforcem a previsibilidade das contas públicas e aumentem a eficiência do Estado contribuem para reduzir riscos econômicos e criar um ambiente mais favorável à flexibilização dos juros ao longo do tempo. A Confederação destaca que a coordenação entre política monetária e política fiscal é essencial para permitir uma redução sustentável da Selic, preservando a estabilidade de preços sem comprometer o crescimento econômico. A expectativa é que, com avanços no ambiente macroeconômico e maior previsibilidade fiscal, seja possível iniciar um ciclo de redução dos juros ainda em 2026. A entidade alerta que a permanência prolongada de taxas muito elevadas pode aprofundar a desaceleração da atividade econômica e ampliar os desafios para empresas e consumidores. Clique aqui e leia na íntegra a nota com o posicionamento da CNC sobre a manutenção da taxa Selic em 15%, decidida pelo Copom em 28/01/2026. foto: Freepik