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Famílias paulistanas iniciaram fevereiro mais dispostas a consumir, aponta FecomercioSP

Mesmo com juros em patamares elevados, o mercado de trabalho aquecido e a desaceleração gradual da inflação estão sustentando a confiança dos consumidores e a intenção de compra dos paulistanos. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) — que mede o humor e a propensão imediata para o consumo — registrou ligeira alta de 0,7% em fevereiro, atingindo 116,1 pontos no comparativo com o mês anterior e alta de 5,7% em relação ao ano passado. Além disso, outro indicador que reflete percepções dos consumidores sobre o ambiente econômico e as expectativas de longo prazo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), avançou 5,7% na comparação interanual e estabilidade no mês, atingindo 127,4 pontos. Segundo a FecomercioSP, a política monetária restritiva começa a produzir efeitos graduais sobre a inflação, o que pode abrir espaço para flexibilização no segundo semestre de 2026, desde que as expectativas inflacionárias estejam ancoradas e o cenário fiscal permaneça sob controle. Para o varejo paulistano, o cenário é mais favorável do que em 2025, mas com crescimento seletivo, dependente da trajetória dos juros, da renda real e da estabilidade macroeconômica. Melhora gradual nas intenções de compra, mas ainda com cautela Dentro dos subíndices do ICF, o indicador emprego atual manteve o patamar elevado em fevereiro, ao registrar 139,6 pontos, com avanço de 5,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado indica que a percepção das famílias sobre as condições do mercado de trabalho segue positiva. A combinação entre níveis de ocupação ainda robustos e expansão da massa de rendimentos reais — ainda que em ritmo moderado — continua atuando como um dos principais motores da intenção de consumo, mesmo em um ambiente marcado por juros elevados e crédito caro. A renda atual também permanece em patamar elevado, ao registrar 140,3 pontos, mas mostra-se estável tanto no comparativo mensal quanto no anual. Considerando que a inflação de serviços ainda apresenta persistência — componente particularmente mais sensível no orçamento das famílias —, o resultado sugere que a melhora na intenção de consumo tem sido sustentada mais pela percepção de segurança no emprego do que por um avanço efetivo do poder de compra. O maior avanço no comparativo mensal foi a perspectiva profissional, com alta de 2,5%, registrando 123,8 pontos — porém abaixo do nível observado no mesmo período do ano passado (125,2 pontos) —, com um aumento recente das expectativas, mas não um ciclo consolidado de otimismo estrutural. O indicador de acesso ao crédito (114,1 pontos) mostra que, embora o custo do crédito permaneça elevado, a percepção de viabilidade para compras parceladas melhorou de forma significativa, com alta de 16,9% no comparativo interanual e de 0,3% no mensal. A perspectiva de consumo (112 pontos) sinaliza uma visão favorável para o consumo futuro, registrando alta de 8,6% no comparativo interanual. Contudo, o nível de consumo atual (92,8 pontos) e o momento para duráveis (90,3 pontos) continuam em patamar negativo, apesar de registrarem avanços no mês e no comparativo anual. Os resultados indicam melhora gradual nas intenções de compra, mas ainda revelam cautela por parte dos consumidores, sobretudo na aquisição de bens de maior valor. Esse comportamento reflete, em grande medida, o efeito dos juros elevados, que tornam o crédito mais caro e retardam a recuperação do consumo de bens duráveis. Confiança cresce, mas consumo segue desigual entre rendas Entre os consumidores com renda de até dez salários mínimos, o ICF atingiu 114,9 pontos em fevereiro, com alta de 8,4% nos últimos 12 meses. O principal destaque foi o acesso ao crédito, que chegou a 112,4 pontos e registrou crescimento anual de 23,3%. Mas os indicadores de momento para duráveis (88,8 pontos) e nível de consumo atual (88,4 pontos) permanecem na faixa de pessimismo. A renda atual, por sua vez, apresentou leve recuo no mês (-0,6%) e no ano (-0,3%), sugerindo que a melhora da confiança está mais associada ao crédito e às expectativas do que ao aumento efetivo da renda. Entre os consumidores com renda acima de dez salários mínimos, o ICF alcançou 119,9 pontos, com leve queda de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse grupo, a renda atual atingiu 146,7 pontos, patamar considerado elevado, com avanço de 1,9% tanto no mês quanto no comparativo anual. O acesso ao crédito também cresceu, chegando a 119,1 pontos, enquanto o indicador de momento para duráveis recuou para 94,9 pontos, refletindo maior cautela nas compras de maior valor em um cenário de juros ainda elevados. A comparação entre as faixas de renda indica uma retomada heterogênea do consumo. Em fevereiro, o ICF dos consumidores de maior renda superou o da faixa de até 10 salários mínimos em 5 pontos. A maior diferença aparece no nível de consumo atual, com vantagem de 17,3 pontos para a renda mais alta, evidenciando que o consumo corrente permanece significativamente mais forte entre as famílias com maior poder aquisitivo. Expectativas impulsionam confiança do consumidor A confiança do consumidor paulistano em fevereiro de 2026 foi sustentada principalmente pela melhora das expectativas em relação ao cenário econômico. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) avançou 2,4% na comparação mensal, alcançando 131,7 pontos, e registrou alta de 7,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado reflete uma percepção mais favorável quanto à renda futura, às perspectivas do mercado de trabalho e ao ambiente econômico, indicando maior estabilidade nas expectativas de médio e longo prazos, mesmo diante de um contexto ainda marcado por incertezas internas e externas. Em sentido oposto, o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) recuou 3,7% frente a janeiro, e registrou 121 pontos. A retração foi disseminada entre a maior parte dos grupos analisados, com exceção de consumidores com renda superior a dez salários-mínimos e pessoas com 35 anos ou mais, que apresentaram leve avanço. Apesar do recuo no mês, o indicador permanece acima do observado há um ano, com crescimento interanual de 2,3%, demonstrando que a avaliação sobre a